Fonteles nega tratativas com Lula sobre cargos e Ministério da Fazenda


O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), negou nesta quinta-feira (29) ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou com outras pessoas sobre a possibilidade de assumir um cargo no próximo mandato do petista. Cotado para comandar o Ministério da Fazenda, ele também afirmou que não discutiu a política econômica do futuro governo e que desconhece uma eventual visita de Lula ao estado.

Em publicação na rede social X, Fonteles disse que já havia tratado do assunto em entrevistas. “Reforço o que disse em algumas entrevistas: nunca tratei com o Presidente Lula ou com qualquer outra pessoa (seja familiar, amigo, aliado ou adversário) sobre cargos no seu próximo mandato e muito menos sobre política econômica”, escreveu.

A manifestação ocorreu em meio a especulações sobre um possível convite para que o governador integre a equipe ministerial a partir de 2027. Fonteles também negou saber de uma possível viagem de Lula ao Piauí, informação que circulou na imprensa junto às notícias sobre sua eventual ida ao governo federal.

Governador destaca votação no Piauí

Na mesma publicação, Fonteles comemorou a vitória de Lula na disputa presidencial e afirmou ter contribuído para a campanha no segundo turno. Depois da primeira etapa da eleição, o governador passou a integrar a coordenação da comunicação do petista e ampliou sua participação nas articulações políticas.

“Fico muito feliz em ter dado uma modesta contribuição para essa virada espetacular no segundo turno das eleições presidenciais, garantindo a nossa democracia, a nossa soberania e os direitos sociais do nosso povo”, afirmou.

Fonteles também ressaltou os resultados do PT e de seus aliados no Piauí. Segundo ele, o estado teve o maior percentual de votos para Lula no segundo turno, não elegeu deputados federais do PL e escolheu senadores aliados ao presidente.

“Mais uma vez o Piauí foi o estado em que o Presidente Lula teve o seu maior percentual de votos. Foi o único Estado do Brasil que não elegeu nenhum deputado do PL. Foi o Estado do Brasil que teve o maior percentual de votos para o seu governador. E o estado do Piauí elegeu todos os senadores aliados ao Presidente Lula, bem como 9 dos 10 deputados federais e 27 dos 30 deputados estaduais”, escreveu.

Lula recebeu 75,88% dos votos válidos no Piauí no segundo turno, contra 24,12% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Fonteles foi reeleito no primeiro turno, em 4 de outubro, com 70,90% dos votos válidos, o equivalente a 1,43 milhão de votos.

Experiência na área econômica

As especulações sobre uma possível ida de Fonteles para o governo federal ganharam força depois da vitória de Lula. O governador está entre os nomes considerados para comandar a Fazenda, e sua atuação na campanha presidencial e sua experiência na área econômica foram apontadas como fatores que reforçaram essa possibilidade.

Antes de assumir o governo do Piauí, Fonteles comandou a Secretaria estadual da Fazenda entre 2015 e 2022. Também presidiu o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), entidade que reúne os titulares das áreas de Fazenda dos governos estaduais e do Distrito Federal.

Na segunda-feira (26), em entrevista à GloboNews, o governador já havia dito que não pretendia deixar o Executivo estadual para assumir um ministério. Na ocasião, afirmou que esperava ser diplomado pela Justiça Eleitoral e tomar posse para cumprir o mandato para o qual foi eleito.

“Isso não passa nem pela minha cabeça. Eu ainda espero ser diplomado muito em breve pela Justiça Eleitoral do meu estado, como governador eleito, e tomar posse para cuidar do povo do Piauí”, declarou.

Ministro elogiou o governador

O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, elogiou Fonteles publicamente na terça-feira (27). Durigan classificou o governador como um “excelente nome” para o cargo, avaliação que alimentou as especulações sobre uma possível mudança na equipe econômica de Lula.

Apesar dos rumores e do elogio do ministro, Fonteles afirmou que não conversou com Lula nem com outras pessoas sobre ocupar um posto no próximo mandato presidencial. Também negou ter discutido com o presidente a condução da política econômica. As declarações mantêm a posição que o governador já havia apresentado na entrevista de segunda-feira, quando disse que pretendia permanecer à frente do Executivo piauiense.

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