A COP30 e os Desafios das NDCs: O que esperar?

Uma participante passa pelo ‘Nos vemos na COP30! Brasil’ no último dia da COP29. Imagens Getty
A pouco mais de 20 dias para o início da COP30, a preocupação é evidente entre os organizadores. A presidência brasileira da conferência global que aborda as questões climáticas está demonstrando sinais claros de frustração em relação à falta de ambição dos países na apresentação de suas metas de redução de emissões. Nesse panorama, as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) estão no centro do debate, e a qualidade e a quantidade das metas apresentadas têm sido bastante questionadas.
A Frustração dos Líderes
O embaixador Maurício Lyrio, negociador-chefe brasileiro na COP30, não hesita em expressar sua insatisfação: “Infelizmente, a apresentação das NDCs não foi tão satisfatória como gostaríamos”. Ele apontou que muitos países entregaram metas “muito acanhadas”. A situação se agrava com a continuidade das ausências importantes, mesmo com a aproximação do evento.
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP, também compartilhou essa preocupação. “Reconhecemos que estamos frustrados. Já houve dois prazos não cumpridos, inclusive por países-chave, o que complica nossos cálculos”, revelou.
Contexto Atual das NDCs
Até o momento, apenas 62 países apresentaram suas metas de emissão, com uma promessa de que esse número chegue a 101 durante a COP30 e a 125 até o final do ano. No entanto, grandes emissores, como a União Europeia e a Índia, ainda estão ausentes desse grupo.
Um dos pontos preocupantes é a situação dos Estados Unidos. Embora a administração Biden tenha apresentado uma NDC em 2024, a atual gestão de Donald Trump já anunciou a retirada do Acordo de Paris, complicando ainda mais o cenário global.
Impactos no Relatório Global
Esse “quadro complicado” culminará em um relatório-síntese que traduzirá as NDCs em previsões sobre o aumento de temperatura global. Lyrio alerta que as expectativas não são das mais otimistas. A soma da insatisfação em relação às NDCs se junta à frustração sobre o financiamento para as ações de combate às mudanças climáticas.
O Desafio do Financiamento
Durante a COP29, realizada em Baku, ficou evidente que o mandato para aumento do financiamento em ações de mitigação e adaptação ao clima não foi cumprido. A meta estimada de US$1,3 trilhão para ajudar os países em desenvolvimento está muito longe da realidade atual, que conta com apenas US$300 milhões prometidos.
“Esse gap de implementação na parte financeira agora também se soma à dificuldade na realização das NDCs”, destaca Lyrio. A realidade é que sem recursos adequados, a formulação e execução dos planos de ação climática se tornam ainda mais desafiadoras.
Preparações para a Pré-COP
Na próxima semana, Brasília será palco de um encontro significativo, onde 72 delegações se reunirão para a pré-COP. Apesar de não ser um evento oficial, ele é de extrema importância para o alinhamento das negociações que serão firmadas em Belém, em novembro. As NDCs estão entre os principais temas que o Brasil pretende pressionar.
Embora as NDCs sejam, em sua essência, voluntárias, o Brasil está pedindo um aumento na ambição das metas globais. Todavia, até o momento, essa proposta não tem obtido o resultado esperado.
A Importância da Ambição nas NDCs
A limitação das NDCs pode ter efeitos diretos na capacidade dos países de alcançarem suas metas climáticas. Para exemplificar, vamos considerar o que essas metas representam:
- Aumento da temperatura: Se as NDCs forem fracas ou não atingidas, corremos o risco de um aumento de temperatura superior aos níveis críticos estabelecidos no Acordo de Paris.
- Impactos econômicos: A falta de ação adequada pode levar a danos significativos nas economias locais, especialmente em países mais vulneráveis às mudanças climáticas.
- Perda de biodiversidade: As emissões elevadas têm um impacto direto nos ecossistemas, resultando na perda de espécies e desequilíbrio ambiental.
A Chamada para Ação
As próximas semanas serão cruciais. Empresas, organizações não governamentais e cidadãos têm um papel fundamental a desempenhar na pressão por ações climáticas mais robustas. Enquanto isso, os líderes continuam com suas negociações complexas que buscam um futuro mais sustentável e que respeite o planeta.
É hora de cada um de nós refletir sobre nossa própria contribuição para essa pauta. O que nós, enquanto indivíduos e sociedade, podemos fazer para apoiar a ambição na luta contra as mudanças climáticas?
Oportunidade para o Engajamento Social
Assim, convido você, leitor, a se engajar nesse debate. O que você acha que deve mudar nas NDCs? Como você vê a atuação do Brasil nesse cenário? Aproveite para deixar sua opinião nos comentários e compartilhar suas ideias sobre o que pode ser feito para garantir um futuro mais sustentável e pleno de vida em nosso planeta.
Fique ligado nas novidades sobre a COP30 e as NDCs. A luta contra as mudanças climáticas começa com cada um de nós, e suas vozes são essenciais para que a mudança aconteça.


