A Nova Jornada da Gol: O Que Esperar Após o Capítulo 11
A Gol se prepara para uma transformação significativa ao anunciar a emissão de quase 9 trilhões de ações, um movimento que pode ser considerado o maior da história na B3. Essa ação faz parte de sua saída do Capítulo 11, um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. Com o novo formato entrando em vigor a partir de amanhã (12), é importante entender como essa mudança impactará não apenas os acionistas, mas também a percepção de valor da companhia.
Os Números Impressionantes e a Realidade por Trás Deles
Ao olharmos para os números, a impressão é de grandeza. No entanto, essa emissão resultará em uma diluição de 99,8% para os acionistas atuais. Serão 8,2 trilhões de ações ordinárias e 968 bilhões de preferenciais, com novos preços definidos: apenas R$ 0,0002857142 por ação ordinária e R$ 0,01 por preferencial. No total, a Gol levantará R$ 12,03 bilhões.
Por que isso é relevante? Inicialmente, o acionista pode ver o preço atual próximo de R$ 1 e imaginar a possibilidade de valorização. Mas, como explica Welliam Wang, gestor da AZ Quest, essa visão é enganadora. Ele compara a situação a um carro que hoje vale R$ 20 mil, mas que, no dia seguinte, poderia passar a valer apenas R$ 100. A nova estrutura só causa um ajuste na percepção de valor.
Situação Financeira: Entre a Recuperação e a Realidade Dura
É crucial lembrar que a Gol ainda luta contra uma dívida significativa, queimando caixa e, mesmo após a reestruturação, apresenta um valuation relativamente alto em comparação aos concorrentes. A dívida da companhia é superior a 5,4 vezes o EBITDA, enquanto outras empresas do setor possuem múltiplos mais baixos.
Para ilustrar:
- A dívida da Gol equivale ao valor total da empresa.
- Isso significa que o valuation da Gol está em turbulência.
Alterações na Negociação: Protegendo os Investidores
A partir da nova precificação, a B3 tomou medidas para evitar especulações. Os antigos tickers (GOLL3 e GOLL4) darão lugar a GOLL53 e GOLL54, com a negociação acontecendo apenas em lotes de 1.000 unidades.
Por que essa mudança? Wang explica que, se fosse permitido negociar em unidades individuais, a ação poderia ficar travada com uma valorização ilusória. Isso abriria espaço para manipulações que poderiam prejudicar investidores, principalmente os de varejo.
Nessa linha, é preocupante pensar na preocupação de proteger os pequenos investidores, considerando que mais de 100 mil CPFs possuem ações da Gol. O histórico de situações similares, como o caso das Lojas Americanas, assombra. Nesse episódio, muitos pequenos investidores enfrentaram grandes perdas quando as ações colapsaram.
O Formato da Emissão: Uma Questão de Estrutura
Com a nova emissão, a Abra, controladora da Gol, deve assumir cerca de 80% do capital da companhia. Wang destaca que, enquanto a operação é necessária para a reestruturação, poderia ter sido realizada de maneira mais clara e intuitiva.
Uma alternativa sugerida: Ao invés de emitir ações a preços simbólicos, por que não ajustar o valor para R$ 10 e adaptar a quantidade proporcionalmente? Essa abordagem poderia ser muito mais simples e compreensível para todos.
Vale lembrar que muitos acionistas individuais têm investido com valores modestos, variando entre R$ 100 e R$ 1.000. Com a nova estrutura, a manutenção da mesma participação demandaria um aporte de aproximadamente R$ 2.800. Essa realidade pode ser um desafio para muitos investidores.
Reflexões Finais
A nova fase da Gol representa tanto uma oportunidade de recuperação quanto um desafio para seus acionistas. A diluição significativa e os preços das ações reformulados demandam uma análise cuidadosa da situação atual da empresa. Para os pequenos investidores, estar bem informado e atento às movimentações do mercado será fundamental para navegar essas águas turvas.
E você, o que pensa sobre essa mudança? Acredita que será benéfica para a Gol no longo prazo ou vê riscos maiores à frente? Compartilhe suas opiniões e vamos debater!




