O dólar pode subir cerca de 12% frente ao real e se aproximar de R$ 5,60 após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, segundo relatório do Goldman Sachs divulgado nesta segunda-feira (26). Os contratos futuros negociados na CME, mercado de contratos para operações em datas futuras, já indicavam uma forte reprecificação do câmbio. Para o banco, a reação combina a surpresa eleitoral com uma percepção maior de risco fiscal.
A indicação dos futuros representa um movimento potencialmente mais intenso do que as variações registradas logo após eleições presidenciais recentes no Brasil. O relatório, porém, não trata a cotação de R$ 5,60 como um resultado confirmado: o valor aparece como uma referência sinalizada pelos contratos e dependerá da negociação no mercado local.
Projeção fica entre cenários fiscais
O Goldman compara o nível de R$ 5,60 com duas estimativas feitas anteriormente pelo banco. Em seus exercícios, o dólar ao redor de R$ 5,40 seria compatível com um prêmio fiscal semelhante ao observado em setembro de 2024. Já uma cotação próxima de R$ 5,80 corresponderia a uma percepção de risco mais elevada, comparável à registrada em dezembro daquele ano.
O prêmio fiscal é a parcela de risco que o mercado associa à situação das contas públicas e que pode influenciar o valor dos ativos. Na avaliação do Goldman, o patamar indicado pelos futuros fica entre os dois cenários usados como referência. Isso sugere que o mercado estaria incorporando um nível de preocupação fiscal superior ao do cenário de R$ 5,40, mas abaixo daquele associado à cotação de R$ 5,80.
O banco afirma que uma parcela maior desse prêmio deve ser incorporada ao real e a outros ativos locais, especialmente após medidas recentes de expansão fiscal. O relatório não detalha, no texto divulgado, quais medidas específicas motivam essa avaliação. A leitura apresentada é que a percepção sobre a política fiscal pode pesar na formação dos preços, além da reação imediata ao resultado eleitoral.
Futuros apontam reação intensa
A alta de cerca de 12% indicada pelo mercado futuro seria, segundo o relatório, muito superior às reações observadas logo após eleições presidenciais anteriores no país. O dado expressa a dimensão do movimento que os contratos sinalizam, mas não determina que a cotação efetivamente subirá nessa proporção no mercado à vista.
O relatório também aponta que a volatilidade pode ser afetada pelos mecanismos de circuit breaker na B3. Esses mecanismos podem interromper as negociações quando há quedas intensas no mercado acionário. Caso isso ocorra durante a sessão, a formação do preço do dólar pode sofrer impactos adicionais, sobretudo nos períodos de maior estresse nos ativos locais.
Assim, a variação cambial não dependeria apenas da expectativa expressa nos contratos futuros. O comportamento das ações e as condições de negociação ao longo do pregão também poderiam influenciar os preços. O Goldman ressalta que essa dinâmica pode tornar a formação da cotação mais instável em momentos de forte oscilação.
Sinais do governo devem influenciar o câmbio
Para o Goldman, a reação inicial não define, por si só, a trajetória do câmbio nos dias seguintes. O banco afirma que o mercado também observará os sinais do governo reeleito. A definição da equipe econômica e os primeiros anúncios fiscais devem ajudar a calibrar a percepção de risco.
O relatório cita eleições anteriores, inclusive a de 2002, como exemplos de que a resposta inicial dos mercados pode ser revista quando surgem indicações mais claras sobre a condução da política econômica. Com isso, a cotação apontada pelos futuros pode mudar à medida que o mercado avalie os próximos sinais do governo. O banco não apresenta, no relatório descrito, uma previsão fechada para a evolução do dólar depois dessa reação inicial.