O governo federal enviou 145 agentes da Força Nacional de Segurança Pública para reforçar a proteção de comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul, após ameaças registradas no período posterior ao segundo turno das eleições. A atuação será concentrada em três aldeias: Sassoró, em Tacuru; Taquaperi, em Coronel Sapucaia; e Limão Verde, em Amambai. A medida foi anunciada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, durante reunião em Dourados neste fim de semana.
Agentes atuarão com forças estaduais
O reforço será feito em conjunto com as polícias estaduais. Participaram da articulação a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Força Nacional, a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil e a Polícia Militar. Segundo Wellington César, os agentes permanecerão mobilizados para responder a ocorrências graves nas comunidades.
Em entrevista coletiva, o ministro afirmou que a equipe estará em campo e poderá se deslocar diante de situações com indícios de crime ou gravidade. Ele também disse que as providências necessárias já foram adotadas nos casos específicos, que estão sob investigação. “A responsabilização ocorrerá nos termos devidos”, declarou.
A mobilização ocorre em meio à apuração de ameaças contra indígenas da aldeia Sassoró. Segundo o governo, mensagens de áudio com ameaças circularam em grupos de WhatsApp da região. Entre os relatos investigados está a ameaça de envenenar a água consumida pelos moradores da comunidade.
PF apura ameaça à água
O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal investigam o caso. De acordo com o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, a PF já ouviu dois suspeitos. O governo também informou que o monitoramento da qualidade da água será intensificado.
Dois servidores da prefeitura de Tacuru foram afastados no sábado, após a divulgação dos registros de áudio. A fonte não informa os nomes dos servidores nem detalha as razões formais do afastamento. A investigação busca apurar as ameaças, enquanto o reforço da segurança deve atender às comunidades indicadas pelo governo.
Funai envia equipes às aldeias
Equipes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também foram encaminhadas às aldeias de onde partiram as denúncias. O trabalho, segundo o governo, inclui reunir informações, avaliar os relatos e prestar apoio às comunidades. A atuação da fundação ocorre paralelamente à mobilização dos agentes de segurança e às investigações conduzidas pelo MPF e pela PF.
Eloy Terena informou que o governo recebeu dez denúncias relacionadas a episódios de violência contra indígenas. Quatro delas foram registradas em Mato Grosso do Sul. O ministro ressaltou que a apuração ainda está em fase preliminar e que, até o momento, a ameaça de envenenamento da água é o único caso com ligação direta identificada com “crime político”.
Outros episódios, entre eles atropelamentos, continuam sob avaliação. Segundo o ministro, esses casos não foram descartados, mas ainda não há uma ligação direta identificada com crime político. A informação delimita o estágio atual da apuração e não indica que os relatos tenham sido confirmados ou concluídos.
Com o envio dos 145 agentes, o governo concentra a presença da Força Nacional nas três aldeias citadas e prevê atuação conjunta com as forças estaduais. A mobilização também poderá ser deslocada para responder a ocorrências consideradas graves ou com indícios de crime, conforme afirmou Wellington César. O governo não informou por quanto tempo os agentes permanecerão nas comunidades.