Ibovespa cai 0,86%, enquanto ações da WEG (WEGE3) recuam 7%


O Ibovespa caiu 0,86% nesta quarta-feira (21), para 206.495,23 pontos, depois de superar os 208 mil pontos no pregão anterior. A divulgação de uma pesquisa Quaest, que indicou uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, aumentou a cautela dos investidores e pressionou a Bolsa brasileira.

O índice chegou a subir pela manhã, mas mudou de direção ao longo da sessão e perdeu 1.800,75 pontos. A queda interrompeu a recuperação da véspera, quando o Ibovespa avançou 1,57%, para 208.295,98 pontos.

Pesquisa eleitoral muda o humor do mercado

O levantamento da Quaest também mostrou rejeição de 52% ao candidato da oposição, contra 47% ao atual presidente. Os números reforçaram, entre investidores, a percepção de que o resultado do segundo turno segue indefinido.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, atribuiu o movimento a uma combinação de cautela eleitoral e realização de lucros, quando investidores vendem ativos após uma valorização para assegurar ganhos. Segundo ele, a proximidade da votação levou participantes do mercado a reduzir a exposição ao risco. As discussões sobre o controle dos gastos públicos também seguem influenciando as expectativas para os próximos anos.

O recuo da Bolsa ocorreu apesar da alta dos principais índices de Wall Street. No Brasil, ações de peso como Vale e Petrobras ampliaram a pressão sobre o Ibovespa, em uma sessão que também teve impacto da temporada de balanços corporativos.

WEG lidera perdas entre ações de destaque

A WEG (WEGE3) caiu 7,34%, uma das maiores baixas do dia. Os resultados do terceiro trimestre frustraram as expectativas do mercado em relação às margens e aos custos, e os números indicaram pressão sobre a rentabilidade da fabricante.

As empresas de commodities também recuaram. A Vale (VALE3) perdeu 2,15%, prolongando a sequência recente de quedas, enquanto a Petrobras (PETR4) caiu 0,79%. Entre as varejistas, o Magazine Luiza (MGLU3) recuou 3,98%, devolvendo parte da valorização acumulada em outubro. O GPA (PCAR3) caiu 2,56%.

O desempenho dos bancos foi misto. O Bradesco (BBDC4) cedeu 0,15% e o Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,41%. Itaú (ITUB4) avançou 0,20%, enquanto Santander (SANB11) subiu 0,94%. Entre as ações com desempenho positivo, a Embraer (EMBJ3) teve alta de 1,11%.

Dólar sobe e juros futuros recuam

O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,17%, cotado a R$ 5,027. A moeda interrompeu uma sequência de três pregões de queda e acompanhou a mudança de humor dos investidores após a pesquisa eleitoral. No exterior, também ganhou força em relação a outras moedas, enquanto os preços do petróleo reagiram aos dados de estoques nos Estados Unidos.

Segundo Kayo, a proximidade do segundo turno aumentou a procura por proteção cambial, mesmo com um ambiente internacional relativamente favorável a ativos de risco. Os juros futuros brasileiros, que indicam as taxas negociadas para períodos à frente, terminaram em queda ao longo da curva, apesar das oscilações provocadas pelo noticiário eleitoral.

Wall Street fecha em alta e agenda brasileira avança

Os principais índices americanos subiram, impulsionados pelos resultados de empresas e pela recuperação de companhias ligadas à inteligência artificial. O Dow Jones avançou 0,69%, aos 52.856,09 pontos; o S&P 500 subiu 0,58%, aos 7.757,17 pontos; e o Nasdaq teve alta de aproximadamente 1,05%, aos 26.702,86 pontos. A temporada de balanços deu novo impulso ao setor de tecnologia e aproximou os índices de suas máximas recentes.

No Brasil, os investidores voltam a atenção para a pesquisa Datafolha, prevista para quinta-feira (22), e para o balanço do Bradesco, que será divulgado após o fechamento do mercado. Os próximos eventos podem manter o foco tanto no cenário eleitoral quanto nos resultados das empresas.

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