Fatores que devem impulsionar o mercado imobiliário no quarto trimestre de 2026


O mercado imobiliário do Vietnã pode ganhar força no quarto trimestre de 2026 com a aceleração dos investimentos públicos, a entrada de capital estrangeiro e o avanço da oferta de habitação social. A avaliação consta do relatório do terceiro trimestre da Associação Vietnamita de Corretores de Imóveis (VARS), que aponta uma recuperação gradual, apoiada também por fatores macroeconômicos positivos.

Infraestrutura e capital estrangeiro

Um dos principais vetores esperados para os últimos três meses do ano é o desembolso de recursos públicos. A VARS estima que os investimentos públicos aplicados no quarto trimestre cheguem a cerca de 19,58 trilhões de dong vietnamitas (VND). A aceleração desses gastos em projetos de infraestrutura pode elevar a procura por imóveis em áreas beneficiadas por melhorias no transporte e na conectividade.

O relatório também prevê aceleração dos fluxos de investimento estrangeiro direto (IED), com potencial para ampliar a atividade em setores ligados à indústria e à migração populacional. Entre os segmentos apontados como promissores estão imóveis industriais, armazéns, logística e moradias destinadas a profissionais e trabalhadores.

Esses movimentos podem alterar a demanda por imóveis conforme avançam os projetos de infraestrutura e as atividades produtivas. Para o mercado, a expectativa é de que regiões com melhor acesso e áreas próximas a polos industriais concentrem parte do interesse de empresas e moradores. A VARS, porém, apresenta esse cenário como uma perspectiva para o trimestre, não como resultado já confirmado.

Juros e habitação social

A expectativa de ajustes favoráveis nas taxas de juros também sustenta as perspectivas do setor. Segundo a associação, uma redução no custo do capital poderia melhorar a confiança de compradores e investidores e favorecer o retorno de recursos ao mercado imobiliário.

A habitação social aparece como outro destaque pela expansão da oferta. No quarto trimestre, havia 128 projetos desse tipo iniciados em todo o país, correspondentes a aproximadamente 183.293 unidades. Outros 170 projetos, com quase 46.962 unidades, tinham sido concluídos.

Para a VARS, o aumento da oferta amplia as opções para pessoas que precisam de moradia e pode modificar a composição dos imóveis disponíveis no mercado. O segmento também pode ajudar a sustentar as transações num contexto em que os compradores estão mais atentos à capacidade de pagamento, em vez de buscar imóveis apenas como oportunidade de investimento.

O crédito para esse tipo de moradia também cresceu. Nos primeiros nove meses do ano, o Banco de Política Social desembolsou cerca de 8,236 bilhões de VND para 14.415 clientes que contrataram empréstimos para comprar habitação social. O montante foi 3,912 bilhões de VND superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Nos bancos comerciais, os juros dos empréstimos habitacionais sociais estavam em torno de 6,5% ao ano. A expectativa é que taxas inferiores às cobradas em empréstimos comerciais continuem facilitando o acesso à moradia. O relatório não informa valores de parcelas ou critérios de elegibilidade para os financiamentos.

Mudanças legais e demanda nas cidades

No campo regulatório, a análise pela Assembleia Nacional de alterações em leis relacionadas a terras, habitação e negócios imobiliários pode, segundo a VARS, criar uma estrutura legal mais robusta e ajudar a resolver entraves do mercado. O governo também segue trabalhando para destravar projetos pendentes, o que pode permitir a entrada de oferta considerada qualificada.

A demanda no mercado secundário — formado por imóveis revendidos após a primeira venda — é outro fator que pode movimentar os negócios até o fim do ano. Migração, mudança de residência e procura por moradias adequadas nas principais cidades vietnamitas podem impulsionar transações nos últimos meses de 2026.

As projeções da associação combinam, portanto, fatores de oferta e demanda: novos empreendimentos e infraestrutura, crédito para habitação social e possíveis mudanças regulatórias, de um lado; e necessidade de moradia e deslocamentos populacionais, de outro. O ritmo da recuperação dependerá da evolução desses elementos, em especial da aplicação dos recursos públicos e das condições de financiamento.

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