O Ibovespa caiu 0,51% nesta terça-feira (27), aos 175.710,05 pontos, em uma sessão marcada pela continuidade dos ajustes dos investidores após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O índice perdeu 898,18 pontos, mesmo depois de ensaiar uma recuperação, enquanto Vale, Petrobras e grandes bancos pressionaram o resultado.
A queda foi mais moderada que a registrada na segunda-feira (26), quando o principal índice da Bolsa brasileira recuou 13,88%, para 176.608,23 pontos. Ainda assim, a sessão desta terça indicou que as posições montadas antes da eleição continuam sendo revistas. O movimento também ocorreu apesar da alta das bolsas americanas e do recuo do dólar e dos juros futuros no Brasil.
Reprecificação após o resultado eleitoral
Parte da volatilidade está ligada ao chamado trade eleitoral, estratégia de investimento baseada em expectativas sobre o resultado das eleições. Nas semanas anteriores, essas apostas ganharam força diante da possibilidade de mudança de governo. Com a vitória de Lula, os investidores passaram a reavaliar essas posições.
A reprecificação dos ativos não significa, necessariamente, que os fundamentos das empresas tenham mudado na mesma proporção das quedas da Bolsa. No pregão de terça, o movimento foi disseminado entre ações de grande peso no Ibovespa, em especial nos setores de mineração, petróleo e bancos.
No campo econômico, o governo tenta responder às preocupações com as contas públicas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que há medidas prontas para sinalizar compromisso fiscal. Ao mesmo tempo, seguem as discussões sobre a composição da equipe econômica do próximo mandato.
Os indicadores também entraram no radar. Os preços ao produtor subiram 1,54% em setembro, dado que reforçou a atenção dos investidores à inflação. No exterior, o avanço das bolsas dos Estados Unidos não foi suficiente para compensar a pressão sobre as ações brasileiras.
Vale e Petrobras recuam; Magazine Luiza sobe
A Vale (VALE3) caiu 2,14%, pressionada pela baixa do minério de ferro, que atingiu o menor nível em dois anos em meio a preocupações com a demanda chinesa. A Petrobras (PETR4) recuou 2,02%, acompanhando a desvalorização do petróleo. A PRIO (PRIO3), também do setor, perdeu 1%.
Os bancos tiveram desempenho negativo. O Banco do Brasil (BBAS3), ação mais negociada da sessão, caiu 0,52%. Bradesco (BBDC4) recuou 1,38%, Itaú (ITUB4) perdeu 1,22% e Santander (SANB11) cedeu 1,63%.
A Gerdau (GGBR4) terminou o dia com queda de 2,75%, apesar de ter apresentado resultados do terceiro trimestre com desempenho positivo das operações nos Estados Unidos e geração robusta de caixa.
Na direção oposta, as ações do Magazine Luiza (MGLU3) avançaram 8,49%. A alta recuperou apenas uma parte da perda superior a 50% registrada na segunda-feira. A Suzano (SUZB3) subiu 0,27%, depois de figurar entre os destaques positivos do pregão anterior.
Dólar e juros recuam, Wall Street fecha em alta
O dólar comercial fechou em queda de 0,97%, cotado a R$ 5,350. Com isso, devolveu parte da alta de 8,21% registrada após o resultado eleitoral. Os juros futuros também recuaram ao longo de toda a curva, revertendo parte da pressão observada na véspera. Mesmo com o alívio nesses mercados, a Bolsa brasileira permaneceu em baixa.
Em Nova York, os principais índices terminaram a terça-feira no campo positivo. O Dow Jones avançou cerca de 0,05%, aos 52.387,18 pontos; o S&P 500 subiu 0,60%, para 7.723,05 pontos; e o Nasdaq ganhou 1,18%, aos 26.479,08 pontos.
A recuperação de empresas ligadas à inteligência artificial, sobretudo fabricantes de semicondutores, ajudou a impulsionar o mercado americano. Os investidores também acompanharam a temporada de balanços e aguardaram a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira (28). A valorização das ações do setor ocorreu apesar das preocupações com o custo dos investimentos em inteligência artificial.
A queda dos preços do petróleo contribuiu para aliviar parte da pressão sobre as expectativas de inflação. No Brasil, as atenções seguem voltadas às sinalizações sobre a política fiscal e à formação da equipe econômica. A decisão do Fed também pode influenciar os próximos movimentos do câmbio e dos juros.