As importações de soja da Índia chegaram a um recorde de 1,1 milhão de toneladas métricas no ano comercial de 2025/26, ante cerca de 2 mil toneladas no período anterior. A alta dos preços internos levou as processadoras indianas a ampliar as compras no exterior, informou na quarta-feira a Associação de Processadores de Soja da Índia (SOPA, na sigla em inglês).
Compras externas atingem recorde
A diferença entre os dois períodos marca uma forte mudança no volume importado pelo país. Segundo dados da SOPA, as compras haviam sido praticamente insignificantes no ano anterior. Em 2025/26, porém, as importações somaram 1,1 milhão de toneladas, em meio à elevação dos preços da soja no mercado interno.
O aumento das compras internacionais ocorreu apesar de a Índia permitir somente a entrada de soja não transgênica. Essa regra restringe as opções de fornecimento a um grupo pequeno de países africanos, entre eles Benin, Níger, Togo e Nigéria. A variedade não transgênica custa significativamente mais do que a soja transgênica, segundo as informações divulgadas.
Com a oferta limitada a esses fornecedores, as processadoras indianas intensificaram a busca por cargas no exterior. O Níger se tornou o maior exportador de soja para a Índia, com remessas superiores a 430 mil toneladas no ano comercial encerrado em 30 de setembro, de acordo com estimativas de operadores.
Origem das cargas é investigada
O avanço das remessas atribuídas ao Níger levou autoridades alfandegárias da Índia a investigar importações declaradas como originárias do país. A suspeita é de que algumas cargas tenham vindo da Nigéria e recebido uma identificação incorreta de origem para evitar tarifas de importação.
A investigação foi informada pela Reuters neste mês. A suspeita envolve a declaração da procedência das mercadorias e a possibilidade de que a identificação tenha sido alterada para contornar a cobrança de tarifas. A fonte não detalha o número de cargas investigadas nem o andamento das apurações.
O caso também evidencia a importância da origem declarada em um mercado no qual as importações permitidas se concentram em poucos países e a soja não transgênica tem preço mais alto do que a transgênica. As autoridades alfandegárias examinam se as cargas registradas como provenientes do Níger realmente saíram desse país ou se vieram da Nigéria.
Exportações de farelo caem
Enquanto as importações de soja aumentaram, as exportações indianas de farelo de soja recuaram. A SOPA informou que os embarques do produto em 2025/26 caíram pela metade, para 1 milhão de toneladas. O farelo é um dos produtos obtidos no processamento da soja.
Os dados divulgados mostram, portanto, movimentos em direções opostas no comércio do setor: a Índia ampliou as compras de soja no exterior e, ao mesmo tempo, reduziu pela metade as exportações de farelo. A entidade não apresentou, nas informações disponíveis, uma explicação para a queda das vendas externas do produto nem detalhou seu destino.
Para as processadoras, o aumento das importações ocorreu em resposta à alta dos preços internos, conforme informou a SOPA. Já a dependência de um conjunto restrito de países como fornecedores aparece no contexto das regras indianas que limitam a importação à soja não transgênica. O recorde de compras e a investigação sobre a origem de parte das cargas são os principais dados associados ao avanço das importações no período.