Indústria de Alimentos no Brasil: Um Crescimento Impressionante em 2025
No encerramento de 2025, a indústria brasileira de alimentos atingiu um faturamento significativo de R$ 1,388 trilhão, representando um crescimento de 8,02% em relação ao ano anterior. Este marco resulta em uma participação de 10,9% no Produto Interno Bruto (PIB) do país, o maior percentual já registrado para o setor. As informações foram compartilhadas por João Dornellas, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (5).
Resultados Excepcionais nas Exportações
O mercado externo também se destacou, com as exportações de alimentos industrializados alcançando a marca recorde de US$ 66,7 bilhões, correspondendo a 19,1% de todas as exportações brasileiras no ano. “Isso demonstra que a indústria de alimentos é uma das maiores forças econômicas do país”, afirma Dornellas. Ele enfatiza que a produção de milhões de toneladas não se limita apenas a abastecer as mesas, mas também é um motor para o desenvolvimento econômico e social.
Crescimento da Produção e das Vendas
A produção total de alimentos industrializados e bebidas não alcoólicas atingiu 288 milhões de toneladas em 2025. Dentre o faturamento total, o mercado interno superou pela primeira vez a marca de R$ 1 trilhão, enquanto as vendas externas representaram R$ 373 bilhões.
- Crescimento no Varejo Alimentar: +8,4%
- Segmento de Food Service: +10,1% (refeições fora do lar)
- Crescimento real das vendas: +2,2% (descontando a inflação)
- Aumento na produção física: +1,91%
A inflação dos alimentos industrializados foi de apenas 1,8%, bem abaixo do IPCA, que ficou em 4,26%. “Esse cenário de inflação menor significa um aumento no poder de compra das famílias”, explica Dornellas. Com uma inflação geral variando entre 4% e 4,5%, as famílias sentiram um aumento na capacidade de consumo, algo que se reflete no mercado.
Investimentos e Criação de Empregos
Os investimentos na indústria de alimentos somaram R$ 41,3 bilhões em 2025, dos quais 65% foram destinados a inovação e desenvolvimento. Além disso, o setor viveu um momento de aquisições, com R$ 14 bilhões sendo investidos em fusões e parcerias. O compromisso com o governo federal, que prevê um investimento total de R$ 120 bilhões entre 2023 e 2026, já soma R$ 116 bilhões nos três primeiros anos, refletindo o comprometimento da indústria com o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
Nos empregos, o setor se destacou novamente: foram criadas 51 mil novas vagas, totalizando 2,125 milhões de empregos diretos formais. Isso representa 45% de todas as vagas geradas pela indústria de transformação no país. Quando consideradas as posições em toda a cadeia produtiva, o número de trabalhadores sobe para 10,6 milhões, ou seja, 10,3% da população economicamente ativa. A massa salarial do setor cresceu 9,94%, significativamente acima da inflação.
“Estamos fortalecendo não apenas a quantidade de trabalhadores, mas também aumentando as remunerações. A nossa atuação é fundamental para manter a economia brasileira robusta”, afirma Dornellas.
Desafios e Oportunidades no Cenário Industrial
Apesar dos avanços, o custo industrial apresentou um aumento de 5,1% ao longo do ano, principalmente devido ao aumento nos preços do diesel, gás natural e energia elétrica. Contudo, o setor ainda conseguiu abrir 850 novas fábricas em 2025, totalizando 42 mil empresas em operação, 93% delas sendo micro, pequenas ou médias. “São essas pequenas empresas, muitas vezes familiares, que produzem os alimentos que consumimos diariamente”, destaca o executivo.
A Primazia do Mercado Interno
O mercado interno foi impulsionado não apenas pela geração de empregos, mas também pela elevação na renda da população. Dos 288 milhões de toneladas produzidas, 73%, ou seja, 211 milhões, foram consumidas no Brasil. O segmento de food service, após um período de retração durante o lockdown de 2020, começou a se recuperar e deve superar em breve 30% do mercado interno.
O Sudeste se destacou com R$ 556 bilhões de faturamento, seguido pelo Sul com R$ 377 bilhões e o Centro-Oeste com R$ 252 bilhões. Esta distribuição regional demonstra que a indústria de alimentos está presente em todas as regiões do Brasil, refletindo a riqueza da sua produção.
- Norte: 8,7% do PIB local, produtos como pescados e cacau.
- Nordeste: 7,7% do PIB e 343 mil empregos diretos.
- Centro-Oeste: 18,4% do PIB, com foco em proteínas e grãos.
- Sul: 17,8% do PIB, com 591 mil empregos.
Vínculo com a Agricultura Familiar
Um aspecto relevante destacado por Dornellas é a relação estreita da indústria de alimentos com a agricultura familiar. Impressionantes 68% do que é produzido pela agricultura familiar é adquirido pela indústria. Para produtos como cacau e leite, essa porcentagem chega a quase 100%. “Essa relação não se limita ao grande agro; a conexão com a agricultura familiar é essencial”, enfatiza.
A Indústria Brasileira no Cenário Global
O Brasil se consolidou, em 2025, como o maior exportador de alimentos industrializados do mundo, com um superávit comercial de US$ 57,5 bilhões. No entanto, o crescimento deste setor poderia ter sido ainda maior se não fosse pela desaceleração nas exportações devido a tarifas impostas pelos Estados Unidos, que impactaram severamente o desempenho exportador.
“Por mais que as tarifas inicialmente tenham causado preocupação, a indústria conseguiu se adaptar e ainda assim crescer. Vendemos mais dólares em alimentos do que no ano anterior”, explica Dornellas.
O Futuro da Indústria de Alimentos
Olhando para 2026, a ABIA projeta um crescimento de 2% a 2,5% nas vendas do setor, alinhado às expectativas de uma leve expansão do PIB brasileiro. As expectativas para a geração de empregos também apontam um crescimento entre 1% e 1,5%.
Dornellas está otimista com as possibilidades futuras, especialmente no que diz respeito ao aumento das exportações, que podem alcançar pela primeira vez a marca de US$ 70 bilhões. “Estamos confiantes no papel do Brasil como fornecedor de alimentos no mundo”, afirma, destacando ainda a importância de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia que pode expandir a participação da indústria brasileira em um mercado de quase 720 milhões de consumidores.
As perspectivas são positivas e a trajetória de crescimento continua, não apenas alimentando o Brasil, mas também contribuindo para a segurança alimentar global.
