Viver em uma região afetada por enchentes, calor intenso e desigualdade social pode ser desafiador, mas para Lennon Medeiros, de 29 anos, essa realidade se tornou uma motivação para criar mudanças por meio da ciência e inovação. Reconhecido como um dos destaques da lista Forbes Under 30 em 2025 na categoria Ciência e Educação, ele compartilhou sua inspiradora jornada no podcast Under 30 – A Jornada, da Forbes Brasil, sob a apresentação de Johnnie Walker. Crescido em Queimados, na Baixada Fluminense, Lennon relata que, desde cedo, aprendeu a lidar com os impactos das mudanças climáticas em sua comunidade.
“A realidade é que enfrentamos muita enchente e calor extremo. Meu avô se mudou para Queimados exatamente por ser um dos lugares mais quentes do Rio.”
Lennon Medeiros
História acadêmica cheia de desafios
Após quatro anos de dedicação na universidade, Lennon enfrentou um grande obstáculo: a perda da bolsa de estudos, que ocorreu quando ele estava a apenas nove meses de concluir a graduação. Sem recursos para pagar a mensalidade, essa situação o levou a explorar novos caminhos acadêmicos, passando por diversas universidades federais e até cursando Ciências Sociais. Foi nesse processo que encontrou sua vocação para a criação sistemática, algo que ele considera essencial para desenvolver “engenharias sociais” que mais tarde aplicaria em sua carreira.
A conexão com temas climáticos se tornou ainda mais premente após as frequentes enchentes em Queimados, evidenciando a necessidade de ação.
Iniciativa para ajudar a comunidade
Em 2020, após anos de recorrentes desastres naturais, Lennon e sua parceira, Fabrícia, tomaram a iniciativa de organizar um mutirão para auxiliar os moradores atingidos. Reunindo pessoas com diversas habilidades – desde aquelas que podiam fornecer cestas básicas até aquelas treinadas em resgate e operação de drones – eles conseguiram impactar mais de 10 mil pessoas ao final dessa ação. Esse trabalho evoluiu para o mapeamento das vulnerabilidades da região e a elaboração de propostas de adaptação climática para as autoridades locais.
- Organização de um mutirão em 2020.
- Mais de 10 mil pessoas diretamente impactadas.
- Início do trabalho no mapeamento de vulnerabilidades e propostas de adaptação climática.
Para Lennon, o próximo desafio é transformar essas mobilizações em atividades estruturadas que atraíam investimentos e possam gerar negócios sustentáveis. Ele defende que as questões climáticas devam ser tratadas como infraestrutura, promovendo uma integração entre áreas como ciência, tecnologia, engenharia, economia e finanças. “Esperar que uma grande entidade tenha uma solução omnipresente para os diversos desafios em diferentes territórios é, na verdade, uma parte do problema”, afirma.
Neste contexto, seu trabalho procura desenvolver tecnologias e modelos que aumentem a resiliência das cidades, explorando recursos como drones, modelagem climática, dados e inteligência artificial.
“Estamos dedicados a construir uma nova indústria de tecnologias climáticas que fomente a resiliência climática.”
Lennon Medeiros
Conexão com o setor privado
Além disso, Lennon acredita ser vital aproximar o setor climático do capital privado. Para ele, o Brasil já possui os conhecimentos e dados necessários para estabelecer um mercado robusto de tecnologias verdes. No entanto, a criação de instrumentos financeiros adequados e modelos de negócios sustentáveis é crucial para direcionar recursos às iniciativas que atuam diretamente nas áreas mais vulneráveis.
Durante sua participação no podcast, ele ressaltou a importância de unir diferentes setores da sociedade, do meio produtivo às esferas culturais e educacionais:
“Precisamos sair do nosso canto como cientistas isolados e começar a nos integrar mais com a sociedade como um todo.”
Essa integração, segundo Lennon, será fundamental para converter a urgência das questões climáticas em uma oportunidade que traga inovações, desenvolvimento econômico e impacto social positivo.
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