O Brasil e a Organização das Nações Unidas (ONU) vão criar o Instituto de Inteligência Artificial para o Clima (Aici), iniciativa que será lançada em 16 de novembro de 2026, durante a 31ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP31), em Antália, na Turquia. O objetivo é ajudar países em desenvolvimento a criar e administrar soluções de inteligência artificial (IA) voltadas à ação climática, com atenção à ética e ao uso de recursos.
O Instituto será hospedado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em Brasília, e terá apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da União Internacional de Telecomunicações (UIT). A proposta é oferecer capacidade técnica e institucional para que os países desenvolvam, implantem e governem suas próprias ferramentas de IA.
Desafios de infraestrutura e recursos
A criação do Aici foi decidida durante a COP30, realizada em Belém. A iniciativa considera as barreiras enfrentadas por países mais vulneráveis aos impactos climáticos, entre elas a capacidade computacional restrita, dificuldades na governança de dados e lacunas de habilidades técnicas.
Esses obstáculos podem limitar a possibilidade de desenvolver soluções próprias de inteligência artificial. O Instituto pretende apoiar os países na construção de capacidades para projetar e implantar ferramentas, em vez de apenas adotar tecnologias desenvolvidas por outros. A governança dessas soluções também faz parte da proposta.
O avanço da IA traz outro desafio: a infraestrutura necessária para ampliar seu uso pode ter impacto sobre as emissões de carbono e elevar o consumo de energia e água. Por isso, a iniciativa busca apoiar tecnologias que sejam eficientes no uso de recursos, além de éticas. O tema é relevante para projetos climáticos porque a tecnologia pode ajudar a prever eventos extremos, monitorar o desmatamento e otimizar o uso de água doce.
O modelo anunciado combina liderança regulatória, padrões técnicos globais e governança ética baseada em direitos humanos. A intenção é reunir essas dimensões no apoio oferecido aos países, considerando tanto a capacidade tecnológica quanto as regras necessárias para orientar o desenvolvimento e o uso das ferramentas.
Projetos-piloto na agenda
Guilherme Canela, diretor da Divisão de Inclusão e Políticas Digitais e Transformação Digital da Unesco, afirmou que o Instituto é relevante por conectar o avanço acelerado da inteligência artificial à urgência de enfrentar as mudanças climáticas. Ele também ressaltou que uma IA sustentável precisa ser inclusiva e que seus benefícios devem chegar a países e comunidades com diferentes níveis de capacidade tecnológica e institucional.
Na cerimônia de lançamento, as partes envolvidas apresentarão o plano de trabalho aprovado para 2026 e 2027. A agenda também inclui aplicações-piloto escaláveis, entre elas uma iniciativa de prevenção do desmatamento na Bacia Amazônica com o uso de inteligência artificial.
A apresentação de projetos-piloto permitirá mostrar como a tecnologia poderá ser aplicada a desafios climáticos. No caso amazônico, o foco indicado é a prevenção do desmatamento. A fonte não detalha quais ferramentas serão usadas, como os projetos serão executados ou quais resultados devem alcançar.
Adesão aberta a parceiros
A partir de 16 de novembro de 2026, o Instituto estará formalmente aberto à filiação de governos, instituições de pesquisa e parceiros financeiros internacionais. A participação será voltada a entidades comprometidas com a transformação digital sustentável.
Com a estrutura sediada na Anatel e o apoio de organismos da ONU, o Aici pretende apoiar países que enfrentam limitações técnicas e institucionais na adoção de IA para fins climáticos. O plano de trabalho e os projetos-piloto apresentados na COP31 deverão detalhar as primeiras frentes dessa cooperação.