O Risco de um Conflito com o Irã: Perspectivas e Implicações
À medida que a situação no Oriente Médio se intensifica, muitos especialistas alertam sobre os riscos de uma possível ação militar dos Estados Unidos contra o Irã. Entretanto, há uma convicção predominante dentro da Casa Branca de que o presidente Donald Trump está preparado para lidar com as consequências de um ataque. Essa percepção reflete um padrão estabelecido há anos em sua abordagem de política externa.
Um Histórico de Ignorar Aconselhamentos
Trump frequentemente ignora os conselhos da elite política de Washington, seguindo seu instinto. Em 2018, a decisão de transferir a embaixada americana em Israel para Jerusalém foi recebida com previsões de protestos e violência. A equipe do Departamento de Estado preparou planos de evacuação que, no fim, não foram necessários. O mesmo se repetiu em junho de 2025, quando Trump autorizou ataques contra o programa nuclear iraniano, uma decisão que, embora temida por analistas, não resultou em grandes repercussões.
Este padrão leva Trump a confiar que as advertências atuais sobre um potencial ataque ao Irã são exageradas. Contudo, essa percepção pode ser enganosa. Com uma experiência de quase duas décadas em questões relacionadas ao Irã, percebo que a fragilidade do país não resulta em sua submissão nas negociações. Ao contrário, essa fragilidade dificulta compromissos significativos.
A Nova Realidade Irã
A situação atual do Irã é drasticamente diferente. O país agora acredita que os Estados Unidos e Israel pretendem atacar seu programa de mísseis balísticos, essencial para sua defesa. Isso aumenta sua agressividade, já que o governo iraniano sente que precisa se proteger de um ataque em larga escala.
A Escalada dos Riscos
Trump, ao desejar ser visto como um pacificador histórico, enfrenta uma escolha perigosa: forçar Teerã a um novo acordo ou recorrer à força militar. A mistura de seus objetivos, que inclui demonstrar a força das Forças Armadas dos EUA e diferenciar-se das políticas de Obama, torna a situação ainda mais volátil. Essa falta de foco pode complicar qualquer operação e resultar em dificuldades inesperadas.
Um Caso Direto pela Ação Militar
Racionalmente, Trump não deveria ter motivos concretos para atacar o Irã. Após os protestos massivos e a violenta repressão, a pressão econômica e diplomática poderia ter enfraquecido ainda mais o regime sem o risco de conflito aberto. Contudo, a busca do presidente por vitórias públicas e grandiosas o leva a exigir que o Irã aceite um acordo nuclear abrangente que inclua a destruição de seu programa de mísseis.
Dessa forma, um ataque limitado a fim de forçar o Irã a ceder às exigências dos EUA parece parte do jogo estratégico de Trump. Entretanto, as lideranças iranianas estão relutantes em oferecer qualquer vitória simbólica ao presidente. Historicamente, negociadores iranianos se concentram em detalhes e concessões cuidadosas, algo que Trump não parece compreender.
O Descompasso nas Negociações
Nas negociações em Genebra, a delegação iraniana veio equipada com especialistas e conselheiros, focando em questões práticas, como a exportação de urânio. Em contraste, Trump enviou apenas duas pessoas, refletindo uma abordagem que desconsidera as complexidades das negociações e a importância que elas têm para o governo iraniano.
A falta de concessões concretas por parte dos EUA, enquanto exigem uma rendição pública do Irã, resulta em um impasse. Um ex-diplomata americano, John Limbert, observa que o Irã não se rende à pressão, mas sim a uma combinação significativa de pressão e estratégia.
Um Limite Crítico
É inegável que o Irã não pode vencer uma guerra aberta contra os EUA ou Israel. A teoria sugere que, caso um ataque seja realizado, Teerã deveria buscar uma rápida desescalada. No entanto, a percepção atual de que o Irã é um tigre de papel complica sua posição. As milícias que uma vez atuaram como um dissuasor agora estão debilitadas, e seu programa nuclear está severamente danificado.
Além disso, Trump mostrou-se aberto a permitir que Israel ataque diretamente o programa de mísseis do Irã sob suas ordens. Isso coloca a existência da República Islâmica em jogo, uma realidade que o regime não pode ignorar. Sua única opção de detenção é assumir um papel ofensivo, acreditando que um ataque preventivo é sua única saída.
As Reações Iranianas Previsíveis
Se a situação escalar, a retórica de líderes iranianos tem se intensificado. Khamenei fez ameaças sobre fechar o Estreito de Ormuz e atacar navios de guerra dos EUA. Embora isso não pareça uma intenção imediata, ações mais sutis, como o aumento das baixas americanas, podem se tornar atraentes para Teerã.
Os 40 mil soldados dos EUA na região, combinados com a força naval, formam um alvo. O embaixador iraniano à ONU advertiu que qualquer ataque americano tornaria todas as instalações aliadas legítimas para retaliação. Além disso, as milícias iraquianas e houthis têm capacidade de intensificar as reações.
O Impacto Econômico e Político
Além das ações militares, o Irã pode influenciar o fluxo de petróleo global e o comércio internacional, provocando um aumento nos preços da energia. Durante a pressão máxima anterior, o Irã havia atacado instalações sauditas, um lembrete de que a sobrevivência do regime depende de sua habilidade de responder a ataques de maneira eficaz. Ao fazer isso, o país não só protegeria sua soberania, mas também enviaria um sinal diplomático para os aliados regionais.
As relações entre o Irã e os Estados do Golfo estão mais robustas atualmente, mas as lideranças da região podem apelar a Trump para uma desescalada se suas infraestruturas ficarem sob ataque.
Considerações Finais
Embora o Irã esteja em uma posição aparentemente frágil, ainda possui meios de causar danos reais aos EUA e pode estar mais motivado para agir do que em tempos passados. O caminho que Trump escolher pode determinar não apenas o futuro do Irã, mas também impactar a estabilidade da região. Em meio a um jogo complexo de poder, é crucial que todas as partes considerem cuidadosamente as consequências de suas ações.
Por fim, fica a pergunta: estamos observando uma nova era de confrontos no Oriente Médio, ou haverá espaço para um diálogo construtivo entre as nações? O futuro da política externa dos EUA e a paz mundial podem depender das escolhas que líderes como Trump e Khamenei tomarem nas próximas semanas e meses.




