Itaú BBA destaca 7 ações após queda da bolsa brasileira


O Itaú BBA apontou sete ações com indicadores que considera atrativos depois da queda de 13,88% do Ibovespa na segunda-feira (26). Em relatório divulgado na terça-feira (27), os analistas avaliaram que a correção deixou empresas negociadas abaixo de suas médias históricas, embora preços menores não garantam recuperação dos papéis.

O estudo foi assinado por Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani. Segundo o banco, o principal índice da Bolsa brasileira passou a ser negociado a 8,1 vezes o lucro projetado das empresas, abaixo da média histórica de dez vezes. Excluindo Petrobras e Vale, o múltiplo fica em nove vezes, ante uma referência histórica de 11,9 vezes.

Sete ações no radar do banco

A seleção considera diferentes métricas, como preço em relação ao lucro esperado, potencial de distribuição de dividendos, geração de caixa e retorno estimado. Os indicadores destacados pelo Itaú BBA são:

  • Petrobras (PETR4): dividend yield estimado em 12% em 2027 e retorno de fluxo de caixa livre projetado em 17% no mesmo ano.
  • Cury (CURY3): dividend yield previsto de 12,9% em 2027 e de 14,9% em 2028.
  • XP Inc. (XPBR31): negociação a cerca de sete vezes o lucro projetado e dividend yield estimado em 7% para 2027.
  • Rede D’Or (RDOR3): desconto de 35% em relação à avaliação histórica.
  • Orizon (ORVR3): retorno real estimado de 18,1%.
  • Axia Energia (AXIA3): retorno real estimado de 14,8%.
  • Sabesp (SBSP3): retorno real estimado de 12,4%.

Dividend yield é a relação entre os dividendos pagos por uma empresa e o preço de sua ação. Já o indicador de preço sobre lucro compara o valor de mercado da companhia com o lucro projetado. Na avaliação do banco, a XP combina um múltiplo de sete vezes com uma estimativa de dividendos de 7% para 2027.

Orizon, Axia Energia e Sabesp aparecem entre as empresas ligadas a serviços públicos com taxas internas de retorno reais consideradas elevadas. Essa métrica estima a rentabilidade de um negócio com base nos fluxos de caixa futuros e não representa, por si só, um pagamento direto ao acionista. No caso da Petrobras, o relatório também aponta a estimativa de retorno de fluxo de caixa livre para 2027.

Descontos se espalham por setores

A análise indica que a desvalorização alcançou vários segmentos. Dos 16 setores acompanhados pelo Itaú BBA, 11 passaram a ser negociados com desconto em relação às próprias médias históricas. Entre as empresas que fazem parte do Ibovespa, 64,7% estão abaixo de seus múltiplos médios dos últimos cinco anos.

Educação, varejo, transporte e saúde estão entre os setores com os maiores descontos, que variam de 36% a 52%. O levantamento, portanto, não se limita às sete ações selecionadas: os números mostram que boa parte do mercado ficou abaixo das referências de avaliação usadas pelo banco.

Na segunda-feira (26), o Ibovespa chegou a cair mais de 17% durante o pregão e encerrou o dia aos 176.608 pontos, com recuo de 13,88%. A queda ocorreu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resultado que levou parte dos investidores a rever as expectativas sobre a condução econômica do país.

Preço menor não elimina riscos

O Itaú BBA adota uma abordagem seletiva e dá atenção a empresas com geração de caixa, pagamento de dividendos e negócios considerados mais resilientes. Ainda assim, a negociação abaixo da média histórica não significa automaticamente que uma ação esteja barata diante dos resultados que a companhia poderá apresentar.

O preço dos papéis também reflete expectativas sobre lucros, juros e condições econômicas. Se essas projeções mudarem, o desconto observado pode ser compatível com uma perspectiva menos favorável para a empresa. Assim, os indicadores apresentados pelo banco descrevem a avaliação atual das ações, mas não asseguram desempenho futuro.

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