Jai Shroff, da UPL: Por Que o Brasil é o Futuro da Bioeconomia Global


Jai Shroff: Brasil como Ponto Central da Bioeconomia Global

O indiano Jai Shroff, CEO global da UPL, uma proeminente empresa de defensivos e biotecnologia agrícola, está em destaque durante a COP30 no Brasil. Com uma agenda repleta de atividades, ele chegou a Belém, onde participará de discussões sobre agricultura sustentável até a próxima sexta-feira (21). Antes disso, no dia 7, Shroff foi um dos 800 convidados VIP para a festa de 13 anos da Forbes Brasil em São Paulo.

A Importância do Brasil no Cenário Agrícola

Shroff ficará em Belém, mas planeja retornar a São Paulo e até mesmo viajar para a Colômbia para reuniões com equipes da UPL e produtores locais. Em suas observações, ele expressou admiração pela cidade, ressaltando seu potencial econômico visível através da arquitetura.

Com sede em Mumbai, a UPL teve um desempenho significativo em 2025, com receita global de 466,4 bilhões de rúpias indianas, equivalente a R$ 29,85 bilhões, um aumento de 8%. No Brasil, a receita operacional líquida foi de R$ 5,85 bilhões, em comparação a R$ 5,21 bilhões em 2024, representando uma elevação expressiva de quase 12%. Esse crescimento destaca a importância do Brasil, que agora representa cerca de 20% dos negócios globais da empresa.

Shroff acredita que a participação do agronegócio neste evento é essencial, já que, diferentemente de edições anteriores, este setor está ganhando destaque ao debater inovações e soluções para os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

A Agricultura como Aliada na Sustentabilidade

Durante suas palestras, Shroff enfatizou um ponto crucial: a agricultura deve ser vista como parte da solução climática e não apenas como uma fonte de emissões de carbono. Ele abordou a necessidade de desenvolver sistemas confiáveis de medição do carbono no solo para que os produtores sejam compensados pelo sequestro de carbono.

“É uma tarefa que muitos evitam, mas precisamos contar a história sobre o que a agricultura pode alcançar”, afirma Shroff.

Ele detalhou que mensurar o carbono agrícola é mais complicado do que nas indústrias. As variações entre os tipos de agricultores e suas culturas tornam esse processo ainda mais complexo.

Desafios e Oportunidades

Shroff argumenta que a verdadeira transformação na agricultura só acontecerá com incentivos financeiros. Quando se consegue gerar valor a partir do carbono negativo, isso não só beneficia o meio ambiente, mas também aumenta a renda dos agricultores. “Se conseguirmos implementar isso, a transformação será massiva”, destaca.

Recentemente, ele lançou a campanha global “#AFarmerCan” para celebrar os agricultores como heróis na luta contra as mudanças climáticas. “Eles são heróis que muitas vezes não recebemos o devido reconhecimento”, diz.

Metas Duplas: Produtividade e Sustentabilidade

De acordo com Shroff, os agricultores agora enfrentam uma dupla meta: aumentar a produtividade enquanto se tornam carbono negativos. A UPL está investindo fortemente em inovações científicas para viabilizar essa transformação.

“Antes, a preocupação principal do agricultor era apenas aumentar a produtividade. Hoje, é possível fazer as duas coisas simultaneamente”, afirma.

Uma pesquisa desenvolvida em conjunto com a Embrapa revelou que um aumento de 1% no carbono do solo pode resultar em um incremento de mais de 10% na produtividade. Isso ocorre por meio de tecnologias que aprimoram a atividade dos microrganismos do solo, tornando nutrientes essenciais, como fósforo, mais disponíveis para as plantas.

A Luta Contra o Desperdício

Shroff destaca que combater o desperdício é tão crucial quanto produzir mais. O desperdício de alimentos não apenas reduz a renda dos agricultores, mas também aumenta os custos para o consumidor final.

A UPL está investindo em soluções pós-colheita, incluindo:

  • Tratamentos químicos para controle de pragas
  • Desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial para monitorar unidades de armazenamento

“Nós estamos inovando ao desenvolver inteligência artificial para silos, buscando reduzir desperdícios e aumentar a renda dos produtores”, comenta Shroff.

O Papel do Brasil na Bioeconomia Global

Jai Shroff vê o Brasil como um laboratório mundial de práticas agrícolas sustentáveis. Ele menciona o impacto do plantio direto, a produção de etanol e o avanço do combustível sustentável para aviação (SAF) como exemplos notáveis.

“Daqui a 10 anos, as práticas de carbono negativo devem ser tão comuns quanto é o plantio direto hoje. O Brasil se destaca na produção de alimentos e fontes de energia renovável”, afirma.

Além disso, a UPL está explorando a diversificação com cultivos resilientes, como sorgo, que pode substituir o milho, e insumos para novas variedades de canola.

Um Convite à Ação

Shroff conclui sua mensagem com um apelo aos líderes globais: reconhecer e valorizar o papel dos agricultores na construção de um futuro mais sustentável. Para ele, essa mudança na percepção é crucial para a implementação de práticas que combinem produtividade e sustentabilidade no setor agrícola.

Neste cenário desafiador, fica claro que a agricultura pode e deve ser uma peça fundamental na luta contra as mudanças climáticas. E você, o que pensa sobre o papel da agricultura na sustentabilidade e no futuro do nosso planeta?

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