Os juros futuros de médio e longo prazo subiam levemente na manhã desta sexta-feira, 23, enquanto investidores avaliavam pesquisas eleitorais que indicavam uma disputa presidencial acirrada antes da votação de domingo. No mercado local, a cautela com a eleição se somava à alta do petróleo, ao avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e à pequena valorização do dólar ante o real.
Taxas de médio e longo prazo avançam
Às 9h10, a taxa do depósito interfinanceiro (DI), referência para os juros negociados entre instituições financeiras, estava em 13,501%, ante 13,496% no ajuste anterior. A diferença equivale a uma alta de 0,005 ponto percentual, ou meio ponto-base. Um ponto-base corresponde a 0,01 ponto percentual.
Nos contratos com vencimento em janeiro de 2029, a taxa subia para 12,690%, de 12,664% no fechamento anterior. Para janeiro de 2031, avançava a 12,695%, ante 12,665%. As variações eram, respectivamente, de 0,026 e 0,030 ponto percentual. Esses contratos expressam as taxas negociadas para períodos futuros; seus movimentos mostram como os participantes do mercado ajustam as referências de juros para diferentes prazos.
A alta se concentrava nos vencimentos mais distantes, enquanto a taxa curta permanecia estável. O avanço dos contratos longos era leve, mas ocorria em meio à atenção dos investidores às eleições e a fatores externos mencionados no mercado naquela manhã.
Pesquisas mantêm disputa indefinida
Entre os levantamentos eleitorais divulgados até aquele momento estavam os do Datafolha, Vox Brasil, Real Time Big Data e Alfa Inteligência. Segundo o cenário descrito, todos apontavam uma disputa acirrada e não permitiam identificar com clareza quem poderia vencer a eleição presidencial no domingo.
A proximidade da votação contribuía para a cautela dos investidores. A notícia não informa os percentuais registrados pelas pesquisas nem apresenta resultados detalhados de cada instituto. O dado destacado para o mercado era a ausência de uma definição clara sobre o possível vencedor, em um momento de campanha próximo ao pleito.
Esse ambiente se refletia sobretudo nos juros de médio e longo prazo, que registravam alta moderada. Já os contratos curtos não mostravam alteração relevante, apesar da divulgação de um indicador de inflação abaixo das estimativas do mercado.
IPCA-15 fica abaixo das estimativas
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador que antecipa parte da medição mensal da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro. Em setembro, havia avançado 0,70%. O resultado de outubro ficou abaixo do piso das estimativas reunidas pelo Projeções Broadcast, que apontavam alta de 0,37%.
Embora a inflação medida pelo IPCA-15 tenha desacelerado em relação ao mês anterior e ficado aquém das projeções citadas, os juros de curto prazo permaneceram estáveis naquela manhã. A movimentação dos contratos ocorreu em um contexto que também incluía a incerteza eleitoral e a alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, títulos do governo dos Estados Unidos.
O dólar, por sua vez, registrava leve alta ante o real. A combinação desses fatores compunha o quadro acompanhado pelos investidores no início do pregão, sem que a notícia apontasse mudanças bruscas nas taxas ou apresentasse uma reação mais ampla dos mercados além das variações registradas nos contratos de DI.