O Papel Crucial das Relações Civis e Militares na História Americana
Celebrando a História dos Estados Unidos
As celebrações em torno da fundação dos Estados Unidos costumam ignorar um aspecto crucial: as relações entre civis e militares. Essa omissão é um erro significativo. A Declaração de Independência já denunciava a tentativa do Rei George III de tornar os militares independentes e superiores à autoridade civil. George Washington, em sua trajetória, estava ciente dos perigos desse abuso de poder e se esforçou para evitá-lo. Durante a Guerra Revolucionária, mesmo enfrentando desafios imensos, ele respeitou as decisões do Congresso Continental, reconhecendo que sua autoridade decorreu do apoio popular. Washington entendia que a república permaneceria saudável somente se os militares se subordinassem aos líderes eleitos pelo povo.
O Contexto Atual das Forças Armadas
Hoje, apesar de não termos líderes com a popularidade de Washington, os Estados Unidos enfrentam um impasse político semelhante ao da época fundacional. Atualmente, as forças armadas são admiradas por muitos, superando a visão que se tem dos ramos civis do governo. Quando surgem problemas que parecem grandes demais para serem resolvidos por políticos, a resposta habitual da população é recorrer aos militares para a solução. Tanto Donald Trump quanto Joe Biden, por exemplo, esperavam que as Forças Armadas desempenhassem um papel fundamental durante a pandemia da COVID-19.
Atração da Missão Militar
A ideia de expandir a esfera de atuação dos militares é tentadora. As Forças Armadas dos Estados Unidos são imensamente avançadas e têm um orçamento que pode ser duas a três vezes maior que o de seus concorrentes. Por exemplo, a recente captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro mostrou que os militares dos EUA realizam operações que nenhum outro exército pode executar. Em momentos de crise, como durante a Grande Depressão, o exército foi chamado para ajudar, trazendo esperança e assistência à população em dificuldades.
Limites da Intervenção Militar
Entretanto, a utilização das forças armadas em questões politicamente controversas, como a criminalidade urbana, pode gerar tensões. Adotar uma abordagem militar em vez de resolver as falhas nas instituições civis desvia os militares de sua principal missão: o combate. Como Washington sabia, não é papel das Forças Armadas resolver impasses políticos. Se exigirmos demais deles, arriscamos o funcionamento do próprio sistema republicano.
A Herança da Democracia Americana
Dois séculos e meio após a rejeição da monarquia, a democracia representativa ainda é uma “experiência confiada às mãos do povo americano”, como destacou Washington. Este conceito foi passado de geração em geração, enfrentando desafios significativos. A Guerra Civil, por exemplo, testou a capacidade dos Estados Unidos de superar suas divisões, assim como os descontentamentos agrários, as crises econômicas e a polarização política contemporânea.
Inspirando-se nos Ideais dos Fundadores
Os melhores líderes políticos, ao longo da história, encontraram nos ideais dos patriotas uma fonte de inspiração para superar as divisões. Eles valorizavam verdades autoevidentes, como a de que todos os homens são criados iguais e dotados de direitos inalienáveis. Contudo, é importante lembrar que esses ideais, embora eloquentes, nem sempre foram praticados por aqueles que os defendiam. Thomas Jefferson, o autor da Declaração de Independência, também era proprietário de escravos, e Washington via a escravidão como uma necessidade para o desenvolvimento do país. Em cada geração, o aperfeiçoamento da experiência americana e a busca pela união foram os pilares fundamentais.
A Importância do Aperfeiçoamento Contínuo
Ainda hoje, este ideal supera a realidade. Para todas as instituições americanas, incluindo os militares, o impulso para o aperfeiçoamento contínuo requer esforços conjuntos e comprometidos. Mesmo com suas inegáveis vantagens, as Forças Armadas devem permanecer humildes e aprender com os conflitos atuais, questionando pressupostos como a supremacia aérea. Além disso, os militares devem envidar esforços para se manterem conectados à sociedade e motivar jovens de diversas origens a ingressar nas suas fileiras. Para preservar a confiança que conquistaram, os militares precisam agir estritamente de acordo com a lei e demonstrar diariamente que são apartidários, honrando sua devoção à Constituição.
O Verdadeiro Patriotismo
Como bem observou o tenente-general Hal Moore, em seu livro “Nós já fomos soldados… e jovens”, os soldados americanos não lutam por discursos e bandeiras; eles lutam uns pelos outros. Essa obrigação mútua reflete a própria essência da cidadania. A liberdade do país depende da solidariedade entre todos, independentemente de cor, crença ou filiação política.
A Visão de Washington e Eisenhower
Assim como no tempo de Washington, quando se esperava que os militares salvassem o país de problemas civis, Dwight D. Eisenhower, um general que se tornou presidente, advertiu sobre o perigo de um complexo militar-industrial em seu discurso de despedida. Ele enfatizou a importância de cidadãos comuns exercerem seu poder político, e não delegá-lo às forças armadas.
Valorizando o Serviço Cívico
Nesse momento de reflexão, os militares têm desempenhado um papel cerimonial fundamental. Solicitar que eles participem de honras e desfiles é apropriado, pois assim se reforça o simbolismo unificador da força e resiliência da república. Essas cerimônias podem até inspirar novas gerações a servir, mas o patriotismo não deve ser monopolizado pelos militares.
Expandindo o Significado de Patriotismo
Patriotismo é, na verdade, reconhecer a promessa da fundação da América, a evolução de seu passado e o potencial de um futuro compartilhado. Patriotas também devem encontrar maneiras de servir no governo ou se engajar nas comunidades locais, pilares fundamentais da força nacional. O serviço a uma causa maior que si mesmo é uma virtude que pode ser cultivada por todos, independentemente de uniforme.
Refletindo Sobre a Interdependência Nacional
A passagem dos 250 anos da fundação dos Estados Unidos é uma oportunidade para revitalizar a interdependência proclamada pelos nossos fundadores. Encorajo cada leitor a pensar sobre como podemos, juntos, honrar essa experiência cívica e militar, promovendo um futuro onde todos contribuam para a força do país. O que você pode fazer para se tornar parte dessa tradição? Como você se envolve em sua comunidade ou serviço público?
A jornada continua e é feita a cada passo que damos, juntos, na construção de uma nação mais forte e unida.
