Nasdaq registra maior queda diária em 19 meses por temor de regras para IA


O Nasdaq Composite caiu 5,52% na quinta-feira, 5 de novembro, e confirmou entrada em correção técnica, após temores de regras mais rígidas para a inteligência artificial (IA) provocarem uma forte venda de ações de semicondutores e empresas ligadas a data centers. A reação veio depois de os democratas conquistarem o controle do Congresso dos Estados Unidos, resultado que elevou a preocupação com possíveis limites à expansão da infraestrutura de IA.

A baixa foi a maior do Nasdaq em um único dia nos últimos 19 meses e a mais intensa desde o anúncio das tarifas do chamado “Dia da Libertação”, feito pelo presidente Donald Trump em abril de 2025. O índice recuou 10% em relação ao recorde de fechamento registrado em 6 de outubro, patamar que caracteriza uma correção técnica.

Chips lideram as perdas

As fabricantes de semicondutores estiveram entre as ações mais atingidas. A Nvidia perdeu mais de 9%, enquanto o índice Philadelphia SE Semiconductor, que reúne empresas do setor, caiu mais de 12%. A Qualcomm recuou 9,5% depois de suas vendas de chips para smartphones no quarto trimestre ficarem abaixo das estimativas de Wall Street.

O movimento também alcançou companhias de tecnologia de grande valor de mercado. A Meta caiu 4%, e Amazon.com e Alphabet recuaram 2,2% cada. Entre as empresas de data centers, a IREN e a Applied Digital desabaram mais de 14%, enquanto a CoreWeave perdeu quase 10%.

As ações de empresas de serviços públicos e de equipamentos com exposição à IA também registraram queda. A GE Vernova recuou 7,5%, e a Constellation Energy, 2,5%. Segundo a notícia, a expansão da infraestrutura de IA tem sustentado o interesse dos investidores por essas companhias e pelas fabricantes de componentes usados em data centers.

Melissa Brown, diretora global de pesquisa de decisões de investimento da SimCorp, afirmou que investidores parecem reconhecer que integrantes recém-eleitos do Congresso e governadores pretendem desacelerar o desenvolvimento dessa infraestrutura. Ela disse que uma interrupção completa do processo parece improvável, mas que qualquer desaceleração pode gerar preocupação, já que o crescimento da IA depende, em grande parte, da construção rápida da estrutura de apoio.

Trilhões em valor de mercado evaporam

A onda de vendas reduziu em US$ 3 trilhões o valor de mercado das empresas do S&P 500. O índice caiu 4,36%, para 7.353,73 pontos. O Nasdaq encerrou em 24.315 pontos, com queda de 5,52%, e o Dow Jones Industrial Average recuou 3,44%, para 51.523,06 pontos.

Apesar do tombo, os índices ainda acumulavam ganhos em 2026: o S&P 500 subia 7,4%, e o Nasdaq, 4,6%. Na quarta-feira, o S&P 500 havia registrado seu maior avanço percentual em um único pregão nos últimos três meses, com a redução da incerteza política e o aumento do apetite por risco.

Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management, descreveu o movimento como uma fase de capitulação das ações beneficiadas pelos investimentos em data centers, sobretudo as de semicondutores. Ele avaliou, porém, que a dimensão das quedas parece exagerada.

Juros e emprego entram no radar

As ações da Tesla e da SpaceX, ambas associadas a Elon Musk, também caíram. Musk gastou quase US$ 500 milhões para apoiar candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato. A disputa política gerou preocupações específicas sobre a possibilidade de novas regras para data centers em estados onde a oposição a esses projetos vem ganhando força.

Analistas disseram que um governo dividido em Washington poderia dificultar mudanças legislativas drásticas e tornar mais difícil um acordo sobre gastos fiscais. No campo monetário, Beth Hammack, presidente do Federal Reserve (Fed) de Cleveland, e Thomas Barkin, presidente do Fed de Richmond, mencionaram a possibilidade de novos aumentos de juros em comentários feitos na quinta-feira.

Os investidores aguardavam os dados de empregos não agrícolas dos Estados Unidos referentes a outubro, previstos para sexta-feira. Naquele momento, operadores esperavam que o Fed elevasse os juros no mês seguinte, após a alta de setembro. Os dados de emprego e as sinalizações sobre a política monetária se somaram às preocupações regulatórias como fatores acompanhados pelo mercado depois da queda.

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