A Nestlé informou nesta quinta-feira que as vendas orgânicas cresceram 4% no terceiro trimestre, acima das expectativas dos analistas, e manteve a previsão para 2026. A companhia também retirou sua operação na Rússia das demonstrações financeiras consolidadas no fim de setembro, após o governo russo apreender temporariamente os ativos do grupo no país.
A unidade russa respondia por cerca de 2% das vendas da Nestlé. A diretora financeira, Anna Manz, afirmou que a retirada da operação não afeta as vendas orgânicas, os volumes nem os preços, mas terá efeitos sobre as vendas reportadas, o lucro operacional subjacente e o fluxo de caixa livre a partir do quarto trimestre.
Operação russa deixa de entrar nos resultados
Segundo a Nestlé, o presidente russo Vladimir Putin ordenou a apreensão temporária dos ativos da empresa em 17 de setembro. A medida faz parte de uma repressão crescente contra companhias europeias, em reação ao apoio da Europa à Ucrânia, segundo autoridades russas e empresários norte-americanos citados na notícia.
Ao deixar de consolidar a unidade, a Nestlé exclui seus resultados das contas do grupo. A companhia informou que está retirando ativos russos avaliados em 1,6 bilhão de francos suíços e reconhecendo um encargo não monetário de cerca de 1,4 bilhão de francos, relacionado a ajustes acumulados de conversão cambial. Um encargo não monetário é um registro contábil que não corresponde, por si só, a um pagamento em dinheiro no momento em que é reconhecido.
Manz disse que a exclusão dos ativos líquidos terá um impacto negativo de aproximadamente 900 milhões de francos suíços, equivalentes a US$ 1,09 bilhão, na dívida líquida em 2026. A retirada da operação também afetará indicadores financeiros reportados a partir do quarto trimestre, embora a Nestlé tenha afirmado que não muda os indicadores orgânicos de vendas, volume e preços.
As ações da companhia subiram 1,3% nas negociações antes da abertura do mercado. A fabricante dos cubos de caldo Maggi e do café Nescafé manteve a projeção de crescimento das vendas orgânicas entre 3% e 4% para o ano inteiro de 2026.
Volume supera estimativas dos analistas
As vendas orgânicas avançaram 4% no trimestre, acima da alta de 3,4% esperada pelos analistas. O indicador mede o desempenho das vendas sem considerar efeitos de aquisições, vendas de negócios ou variações cambiais, permitindo acompanhar a evolução das atividades existentes. A notícia não detalha a contribuição de cada fator para o resultado trimestral.
O crescimento interno real, conhecido pela sigla RIG, foi de 2,8%. Esse indicador representa a variação do volume de produtos vendidos. O resultado superou a expectativa média dos analistas, de 1,5%. Já os aumentos de preços contribuíram com 1,1%, abaixo dos 1,9% previstos pelo mercado.
O RIG é um indicador central na estratégia da Nestlé e vem melhorando desde que Philipp Navratil assumiu o cargo de presidente-executivo, em setembro de 2025. “Estou contente com o nosso progresso”, disse Navratil. “Mas não estou satisfeito. Ainda há muito mais a ser feito para concretizar o potencial do negócio.”
Nestlé reduz exposição a algumas marcas
Navratil reduziu a exposição da companhia a marcas de sorvete e água por meio de joint ventures, ou empresas formadas em parceria com outras companhias. A estratégia busca enxugar o portfólio do grupo suíço em busca de crescimento, segundo a notícia. Unilever e Reckitt adotaram uma tática semelhante.
Os resultados trimestrais combinam, portanto, crescimento de volume acima das projeções com aumentos de preços inferiores às expectativas. A saída dos ativos russos, por sua vez, altera os números financeiros reportados e deve repercutir nos indicadores de caixa e de lucro a partir do quarto trimestre, sem mudar a leitura da empresa sobre vendas orgânicas, volumes e preços.