A Bolsa brasileira reabre nesta terça-feira (3) após cinco pregões de forte queda, que mudaram as principais referências técnicas do mercado. O Ibovespa recuou 18,12%, para 167.922 pontos, e o dólar futuro avançou 9,99%, em uma reação iniciada depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na primeira sessão após o segundo turno, o principal índice da B3 caiu 13,81% e acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações diante de uma queda intensa. A sequência de baixas deixou o Ibovespa cerca de 42 mil pontos abaixo de sua máxima histórica, de 209.713 pontos.
A semana ficou entre as mais negativas da história recente da Bolsa: a queda foi a maior desde março de 2020 e uma das mais intensas desde o Plano Real. As empresas listadas na B3 perderam cerca de R$ 963 bilhões em valor de mercado no período.
Bolsa busca suportes após queda acelerada
O recuo rompeu rapidamente referências que vinham sendo acompanhadas por investidores. No Ibovespa, os suportes de 200 mil e 189.487 pontos foram superados para baixo. Com o índice abaixo dos 170 mil pontos, a faixa entre 164 mil e 160 mil pontos passa a concentrar a atenção na reabertura.
No gráfico diário, a queda também levou o Ibovespa para baixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. Essas médias acompanham o comportamento dos preços em diferentes intervalos e são usadas na análise técnica para avaliar tendências. O movimento desfez a alta que havia levado o índice à máxima histórica e aproximou a Bolsa da mínima de agosto, de 164.835 pontos.
O Índice de Força Relativa (IFR), indicador usado para medir a intensidade dos movimentos de compra e venda, está em 25,43 pontos no intervalo de 14 períodos. Esse nível é considerado uma região de sobrevenda. Como o índice também está distante das médias móveis, pode ocorrer um repique técnico, especialmente se a cotação se sustentar em 164.835 pontos e na faixa dos 160 mil. A análise, porém, não identifica um sinal consistente de reversão.
Se o Ibovespa perder 164.835 pontos, as próximas referências ficam entre 157 mil e 153 mil pontos. Em uma queda mais longa, os alvos apontados são 147 mil, 140 mil e 131.550 pontos. Para uma recuperação mais consistente, o índice precisaria voltar a superar 185.565 pontos. Acima desse patamar, as resistências ficam em 189.487, 203.050 e 209.713 pontos.
Dólar futuro opera em novo patamar
No câmbio, o movimento foi na direção oposta ao da Bolsa. O dólar futuro fechou a semana em 5.470 pontos, com alta de 9,99%, enquanto o dólar à vista terminou próximo de R$ 5,44 e acumulou valorização superior a 9%. As resistências do contrato futuro que ficavam entre 5.067 e 5.155 pontos também foram rompidas.
O dólar futuro encerrou perto da máxima semanal, de 5.494 pontos, e rompeu a estrutura de baixa observada até então. A cotação se afastou das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. As médias mais longas estão próximas de 5.145 e 5.154 pontos, e a média curta, em torno de 5.283 pontos.
O IFR de 14 períodos do contrato está em 69,70 pontos, perto da região de sobrecompra. A distância em relação às médias e a alta acumulada aumentam a possibilidade de realização de parte dos ganhos ou de fechamento parcial do gap — intervalo entre preços de negociação — aberto na segunda-feira. Ainda assim, a análise não aponta um sinal claro de reversão, e o viés segue favorável aos compradores.
Níveis técnicos ficam no radar
Para dar continuidade à alta, o dólar futuro precisa superar 5.494 pontos. Nesse caso, as resistências seguintes estão em 5.614, 5.699,5, 5.795, 5.920, 6.117 e, em uma extensão mais longa, 6.324 pontos.
Uma correção ganha força se o contrato perder 5.310 pontos e, principalmente, 5.266 pontos. Abaixo desses níveis, os suportes indicados são 5.154, 5.116,5, 5.067 e 4.968,5 pontos. Em um recuo mais acentuado, a referência é a mínima anual de 4.910 pontos. Os níveis e cenários técnicos são da análise de Rodrigo Paz, analista técnico.