A forte correção da Bolsa após o segundo turno levou o Ibovespa a cair 18,12% em uma semana e alterou os níveis técnicos observados por investidores em Banco do Brasil (BBAS3), Itaú Unibanco (ITUB4), Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3). As ações tiveram desempenhos distintos, e seus gráficos apontam diferentes possibilidades de reação ou de novas quedas.
Suportes são faixas de preço em que a baixa pode encontrar resistência; resistências são níveis que o papel precisa superar para sinalizar recuperação. A análise considera também médias móveis, que acompanham a tendência dos preços, e o IFR (Índice de Força Relativa), indicador usado para avaliar a intensidade de compras e vendas. Leituras baixas do IFR podem indicar sobrevenda, mas não confirmam, por si só, uma reversão.
Banco do Brasil: queda semanal de 33,37%
BBAS3 recuou 33,37% na semana e encerrou a última sessão praticamente estável, a R$ 16,47. A pressão após o segundo turno interrompeu a recuperação anterior e deixou a ação próxima das mínimas do ano. No gráfico diário, o papel perdeu as médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, em movimento acompanhado por volume elevado.
O IFR de 14 períodos ficou em 24,83, nível que indica sobrevenda e pode permitir um repique técnico. Ainda assim, a análise não identifica sinal consistente de reversão. O primeiro suporte está em R$ 16,13. Se a ação perder essa faixa, os próximos níveis de atenção são R$ 14,90, R$ 13,60, R$ 12,97 e, em uma queda mais extensa, R$ 12,00.
Para iniciar uma recuperação, BBAS3 precisa voltar a R$ 17,00 e superar R$ 19,30. As resistências seguintes estão em R$ 21,18 e R$ 21,94, perto da média móvel de 200 períodos, e depois em R$ 23,62. Em um movimento mais prolongado, os níveis projetados são R$ 27,43 e R$ 28,83, máxima histórica. Até que recupere essas barreiras, o cenário técnico permanece predominantemente vendedor.
Itaú: suporte do ano está em R$ 37,32
As ações do Itaú caíram 19,69% na semana e fecharam a última sessão em baixa de 2,15%, a R$ 38,69. A correção reverteu a trajetória de alta que havia levado ITUB4 à máxima histórica de R$ 50,85. O papel perdeu as médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, formando uma estrutura de curto prazo desfavorável aos compradores.
O IFR de 14 períodos está em 28,06, também em região de sobrevenda, mas sem confirmação de um fundo. O principal suporte é R$ 37,32, mínima anterior do ano. Caso seja perdido, os próximos níveis são R$ 35,60, R$ 34,50 e R$ 33,36. Em um cenário de pressão mais prolongada, as referências ficam em R$ 27,30 e R$ 25,70.
Uma tentativa de recuperação depende de o papel superar R$ 39,38 e R$ 41,19. Depois, as resistências aparecem perto de R$ 42,62, nível da média móvel de 200 períodos, e em R$ 43,20, R$ 45,27, R$ 47,53 e R$ 50,85. Eventuais repiques ainda precisam ganhar força para alterar a tendência.
Petrobras: alta no ano, mas perda de força no curto prazo
PETR4 caiu 9,73% na semana, apesar de fechar a última sessão em alta de 0,91%, a R$ 52,71. A ação ainda acumulava valorização de 48,48% em 2026 e vinha de uma máxima histórica de R$ 59,79. No gráfico diário, ficou abaixo das médias de 9 e 21 períodos, mas continuou acima da média de 200 períodos, próxima de R$ 42,84. O IFR estava em 46,79, em região neutra.
O primeiro suporte está em R$ 51,17. Abaixo dele, os níveis seguintes são R$ 47,56 e R$ 43,55, próximo da média de 200 períodos, além de R$ 39,71, R$ 37,82 e R$ 36,37. Para retomar força, a ação precisa superar R$ 54,28 e R$ 56,91. A máxima de R$ 59,79 é a principal resistência; acima dela, as projeções indicadas são R$ 64,70, R$ 70,00 e R$ 74,15.
Vale: reação ainda não muda tendência de baixa
VALE3 foi a exceção entre os quatro papéis na semana, com alta de 0,24%. Na última sessão, avançou 3,28%, a R$ 62,02. Apesar do movimento, a ação permanece em tendência de baixa, com topos e fundos descendentes desde a máxima histórica de R$ 89,41. Também segue abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, todas inclinadas para baixo.
O último pregão formou um engolfo de alta, padrão que pode indicar uma tentativa de recuperação. O IFR de 14 períodos estava em 35,12, perto da sobrevenda, mas sem apontar uma condição extrema. O suporte principal é R$ 59,44. Se a cotação perder esse patamar, os próximos níveis são R$ 56,80, R$ 52,70, R$ 47,33 e R$ 44,00.
Para avançar, a ação precisa superar R$ 62,82, perto da média móvel de 9 períodos, e R$ 65,95, próxima da média de 21 períodos. As resistências seguintes estão em R$ 68,31, R$ 74,27 e R$ 77,03, nível da média de 200 períodos. Em uma recuperação mais longa, as referências são R$ 81,31 e R$ 83,35. A análise técnica de Rodrigo Paz aponta que a tendência só terá sinais mais consistentes de mudança se a Vale recuperar essas médias e confirmar a força compradora.