O Ascensão da Hegemonia Predatória de Trump na Política Externa dos EUA
Desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos em 2017, muitos analistas têm tentado rotulá-lo no contexto das relações exteriores. Diversos termos como “realista”, “nacionalista”, “mercantilista” e “isolacionista” foram utilizados, cada um capturando diferentes aspectos de sua abordagem. No entanto, a estratégia mais adequada para descrever sua visão na política externa durante seu segundo mandato pode ser chamada de “hegemonia predatória”. O foco central dessa abordagem é usar a posição privilegiada de Washington para extrair concessões e demonstrações de deferência de aliados e adversários, priorizando ganhos de curto prazo em um mundo visto como puramente de soma zero.
Hegemonia Predatória e seus Riscos
Num mundo com vários poderes competindo, a hegemonia predatória pode funcionar temporariamente, mas a longo prazo está fadada ao fracasso. Isso é ainda mais verdadeiro em um cenário com a ascensão da China como uma potência econômica e militar. A multipolaridade proporciona a outros estados modos de reduzir a dependência dos EUA, resultando em uma fraqueza crescente tanto para os Estados Unidos quanto para seus aliados. O que poderia inicialmente parecer uma estratégia eficiente acaba por gerar ressentimento global e criar oportunidades para rivais que desejam desafiar Washington.
A Evolução do Poder Mundial
Nos últimos 80 anos, a estrutura do poder global passou de bipolaridade para unipolaridade e, atualmente, para uma multipolaridade desigual. Durante a Guerra Fria, os EUA atuavam como um hegemônico benevolente, priorizando a prosperidade de seus aliados para conter a União Soviética. O apoio econômico e militar proporcionado a países aliados, junto com a criação de um ambiente regulatório voltado para o benefício mútuo, marcou essa era.
No entanto, durante a era unipolar, os EUA sucumbiram à soberania e se tornaram um hegemônico descuidado. Ignorando as preocupações de outros países, o governo americano se engajou em guerras custosas e em políticas que provocaram uma crescente união entre China e Rússia. O resultado foi um fortalecimento da concorrência e da insatisfação global com o imperialismo americano. A abordagem de Trump intensifica ainda mais essa dinâmica, adotando uma postura predatória que prioriza a extração de vantagens à custa de todos, aliados ou não.
Pedindo Deferência: A Nova Ordem Mundial
Um hegemônico predatório busca organizar suas relações de forma que as vantagens financeiras sempre sejam a seu favor. Em vez de construir parcerias estáveis e mutuamente benéficas, o foco é tirar o máximo de cada interação, o que pode levar a uma série de imposições que prejudicam até mesmo parceiros tradicionais. Os EUA, sob a liderança de Trump, se tornaram mais propensos a usar tarifas, sanções e políticas coercitivas para garantir que seus desejos sejam atendidos — uma abordagem que apenas favorece o curto prazo.
Exemplos práticos:
- Tarifa de 40% imposta ao Brasil para influenciar a política interna de um aliado.
- Pressão sobre o Canadá e o México com promessas e ameaças relacionadas ao comércio e à segurança.
Busca por Concessões: Entre a Dominação e a Submissão
Para um hegemônico predatório, o poder coercitivo depende de manter outros estados em um estado de submissão permanente. Isso significa que líderes ao redor do mundo são frequentemente incentivados a demonstrar sua lealdade através de atos simbólicos e explícitos de subserviência. O comportamento de líderes que se curvam a Trump demonstra claramente essa dinâmica. Exprime-se aqui a ideia de que um líder deve se submeter numa espécie de ritual para garantir favores e proteção.
Historicamente, relações de dependência e domínio não são novas. Impérios antigos, como o de Atenas, e sistemas históricos, como a ordem sinocêntrica do Leste Asiático, basearam-se em dinâmicas semelhantes. O que observe-se é a tendência de um poder dominante explorar seus parceiros mais fracos para garantir benefícios assimétricos.
O Estilo Trump: Uma Casuística de Poder e Política
Trump se apresenta como um magnata em um grande “departamento de loja”, onde todos querem um pedaço. Durante seu primeiro mandato, conselheiros mais experientes moderaram suas inclinações predatórias. Contudo, em seu segundo mandato, isso mudou. Fortalecido pela lealdade de seus apoiadores e sua crença infundada em seu domínio sobre questões internacionais, ele busca explorar vulnerabilidades de outros países sem considerar as consequências a longo prazo.
Essa abordagem se reflete em um padrão claro: a superioridade imposta sobre aliados e a exploração aberta de rivalidades. Ao desconsiderar normas e instituições, o governo Trump opta por negociações bilaterais que podem parecer vantajosas, mas desestabilizam as relações globais e incentivam uma resposta negativa.
Fim da Era de Apoio Incondicional?
Os aliados dos EUA suportaram uma certa rigidez em questões de política externa por conta da dependência militar do poder americano. Contudo, essa tolerância tem limites e a predatória estratégia de Trump pode empurrar esses países a perigar essa lealdade. Nos últimos tempos, muitos líderes têm olhado para alternativas, enquanto a certeza na superioridade americana começa a desvanecer.
- Exemplos de uma nova busca por alternativas:
- A Índia reforçando laços com a Rússia em um momento em que os EUA impõem tarifas severas.
- A Europa buscando acordos comerciais com outras nações para reduzir a dependência de Washington.
O Futuro de uma Hegemonia Predatória
O que podemos concluir sobre essa trajetória dos EUA sob uma hegemonia predatória? Essa abordagem, focada em ganhos imediatos e exploração de aliados, pode ser autodestrutiva a longo prazo. Os EUA podem não estar próximos de perder sua posição global, mas estão se tornando mais fracos e menos respeitados no cenário internacional.
Pensamentos Finais
No grande tabuleiro internacional, as ações de um hegemônico podem resultar na perda de influência ao invés de ganhos permanentes. Um líder que ignora a importância da cooperação, desconsidera o diálogo e busca a submissão pode, na verdade, estar plantando as sementes de sua própria… ruína. A reflexão que deixo para você é: como os EUA podem mudar seu curso e restabelecer a confiança nas alianças globais? É preciso repensar estratégias ou continuaremos vivendo sob a sombra de uma hegemonia predatória? Compartilhe suas ideias!


