A Petrobras informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em comunicado de 27 de outubro de 2026, que não identificou informação nova que exigisse a divulgação de um fato relevante após declarações da presidente Magda Chambriard sobre a oscilação das ações da companhia. A estatal respondeu a um ofício do órgão regulador relacionado a uma reportagem da CNN Brasil que tratou da queda dos papéis após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
O documento enviado pela Superintendência de Relações com Empresas da CVM solicitou que a Petrobras confirmasse a veracidade das informações publicadas e explicasse por que não considerou o episódio relevante para divulgação ao mercado. A reportagem, intitulada “CEO da Petrobras vê queda das ações após vitória de Lula como especulativa”, associou a avaliação de Chambriard à movimentação dos papéis da empresa.
Entrevista ocorreu em meio à oscilação das ações
Em resposta ao ofício, a Petrobras confirmou que Chambriard concedeu entrevista à Reuters em 26 de outubro de 2026. Na conversa, a presidente foi questionada sobre a oscilação registrada nas ações da companhia naquele dia.
Segundo a estatal, a executiva afirmou que, naquele momento, a movimentação observada no mercado não refletia os fundamentos da empresa. Ela também fez referência à solidez da Petrobras e de sua carteira de investimentos, com base em informações que já haviam sido divulgadas ao mercado.
A companhia situou as declarações em um período de forte volatilidade circunstancial no mercado de capitais brasileiro. De acordo com a Petrobras, esse movimento afetou de forma generalizada os valores mobiliários de empresas listadas na B3. A resposta não atribui a oscilação exclusivamente às ações da estatal e apresenta a fala da presidente como uma avaliação sobre o comportamento mais amplo do mercado naquele momento.
A reportagem da CNN Brasil tratou a queda dos papéis após a vitória eleitoral de Lula como um movimento especulativo e atribuiu essa leitura à presidente. No esclarecimento à CVM, a Petrobras confirmou a entrevista e descreveu o contexto em que as declarações foram feitas, mas ressaltou que a fala não trouxe informações novas sobre os negócios da companhia.
Estatal diz que fala não trouxe informação nova
A Petrobras afirmou que a entrevista não envolveu anúncio de decisão, mudança de estratégia, projeção, resultado ou operação. Também não teria incluído outra informação nova e material relacionada às atividades da empresa. Para a companhia, esse aspecto diferencia o comentário sobre a movimentação das ações de uma comunicação sobre fatos capazes de alterar a avaliação de seus negócios.
A empresa acrescentou que a referência feita pela presidente à aquisição de ações ocorreu de forma geral, durante um comentário circunstancial sobre o mercado. Segundo a resposta, a intenção foi expressar que os fundamentos da Petrobras permaneciam sólidos, com base em dados que já eram públicos. O comunicado não detalhou uma operação específica de compra de ações.
Um fato relevante é uma comunicação ao mercado usada para divulgar atos ou acontecimentos relacionados à companhia que atendam aos critérios previstos nas regras aplicáveis. A CVM perguntou por que a Petrobras não considerou que as declarações exigiam esse tipo de divulgação. A estatal respondeu que não houve, naquela ocasião, ato ou fato novo ligado aos seus negócios que justificasse a publicação.
Petrobras cita regra da CVM
A conclusão da companhia foi baseada na Resolução CVM nº 44/2021, que trata da divulgação de atos ou fatos relevantes. A Petrobras afirmou entender que as declarações de Chambriard não se enquadravam como informação a ser comunicada por esse meio, pois se referiam à avaliação de uma oscilação de mercado e a fundamentos já apresentados publicamente.
Ao encerrar a resposta, a estatal reafirmou o compromisso de divulgar informações sobre suas ações de forma tempestiva e de cumprir as regras aplicáveis. O esclarecimento responde ao pedido da CVM sobre a reportagem e explica a posição da empresa quanto à necessidade de publicar um fato relevante, sem anunciar alteração de estratégia ou de perspectiva para os negócios.