O plantio de soja da safra 2026/27 alcançou 62% da área prevista no Paraná até segunda-feira, ante 47% uma semana antes, segundo levantamento divulgado na terça-feira pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria da Agricultura do Estado. O avanço ocorreu durante períodos sem chuva, após dias de precipitações volumosas e ventos fortes em algumas regiões.
Plantio segue abaixo dos anos anteriores
Apesar do avanço de 15 pontos percentuais em uma semana, o ritmo de semeadura ainda está atrás do registrado nas duas temporadas anteriores. Na mesma época de 2025, 71% da área paranaense de soja já havia sido plantada. Em 2024, o índice era de 74%, de acordo com os dados do Deral.
A diferença indica que uma parcela maior da área projetada ainda aguarda a semeadura nesta etapa do calendário agrícola. O levantamento não detalha, no material divulgado, quanto do atraso decorre especificamente das condições do tempo, mas aponta que produtores aproveitaram as janelas sem chuva para avançar com os trabalhos.
As condições climáticas mudaram depois de chuvas volumosas e ventos fortes registrados entre os dias 22 e 24 de outubro em algumas áreas. No fim de semana, o tempo melhorou, e uma massa de ar frio e seco chegou ao Estado na segunda-feira. A pausa nas precipitações permitiu a continuidade do plantio, embora o excesso de água ainda apareça como um problema para parte das lavouras.
Condição das lavouras e riscos
Entre as áreas de soja já semeadas, 88% foram classificadas como em boa condição pelo Deral. Outros 11% estão em condição média, enquanto 1% foi avaliado como ruim. O estágio de desenvolvimento também varia: 29% das lavouras estão em germinação e 71% avançaram para o desenvolvimento vegetativo.
Essas etapas indicam que a maior parte da soja plantada já passou da germinação e está em crescimento vegetativo. Os números, porém, não eliminam os riscos apontados pelo órgão. O Deral alerta que o excesso de chuva, a baixa luminosidade e o encharcamento do solo continuam causando perda de nutrientes, falhas de estande, podridões radiculares e necessidade de replantio pontual em algumas áreas.
Falhas de estande são espaços na lavoura em que as plantas não se estabeleceram como esperado. Já as podridões radiculares atingem as raízes. Segundo o levantamento, esses problemas podem levar produtores a replantar trechos específicos, sem que isso signifique a necessidade de refazer toda a área semeada.
Milho avança; trigo enfrenta perda de qualidade
O avanço do trabalho no campo também aparece em outras culturas acompanhadas pelo Deral. O milho de primeira safra chegou a 94% da área plantada, ante 86% na semana anterior. O levantamento mostra, assim, um progresso de oito pontos percentuais no período.
No trigo, a colheita atingiu 88% da área. A preocupação do órgão está na qualidade dos grãos colhidos em meio às chuvas durante a operação. O Deral relacionou os resultados às condições adversas ao longo do ciclo da cultura, incluindo excesso de precipitações, baixa luminosidade, temperaturas amenas e doenças de final de ciclo.
“As condições climáticas adversas ao longo do ciclo, com excesso de chuvas, baixa luminosidade, temperaturas amenas e ocorrência de doenças de final de ciclo, provocaram redução da produtividade e comprometimento da qualidade dos grãos”, afirmou o Deral.
Os dados retratam um cenário distinto entre as culturas: o plantio de soja e milho avançou com a melhora temporária do tempo, enquanto a colheita do trigo segue marcada por preocupações com produtividade e qualidade. Para a soja, o órgão mantém o alerta sobre os efeitos do excesso de umidade e da pouca luminosidade nas áreas já implantadas.