O Novo Cenário Político do Paquistão: A Ascensão do Exército sob a Liderança de Munir
Em 29 de setembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração ousada ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, revelando um plano ambicioso para encerrar a guerra em Gaza. Durante seu discurso, Trump mencionou o apoio de líderes notáveis, entre eles o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif e o chefe do exército, o marechal de campo Asim Munir. Esse momento, ainda que breve, teve um peso importante, refletindo não apenas uma nova aceitação dos EUA em relação ao Paquistão, mas também as complexidades políticas internas do país.
O Novo Papel do Exército
Desde a independência do Paquistão em 1947, a política do país tem se debatido entre governos civis e militares. Após um golpe em 1999 que destituiu o então primeiro-ministro Nawaz Sharif, a transição para um governo civil ocorreu em 2008. No entanto, essa autonomia parece ter se desvanecido, especialmente sob a liderança de Munir. Hoje, o que muitos chamam de “modelo Munir” estabeleceu uma nova dinâmica: uma governança militar disfarçada sob uma fachada democrática.
A Estrutura do Poder
A mudança mais significativa no poder do Paquistão foi em 2023, quando o parlamento aprovou uma emenda constitucional que elevou Munir ao posto de chefe de todas as forças armadas, concedendo-lhe imunidade vitalícia e um mandato renovável de cinco anos. Isso formalizou a primazia militar sobre o governo civil. O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, resumiu essa nova realidade, descrevendo o sistema político atual como um “arranjo híbrido”, onde o exército e o governo civil compartilham o poder.
Resultados e Perspectivas
O legado dessa nova estrutura já é visível. Sob Munir, o Paquistão obteve novos empréstimos do FMI e reestruturou suas relações diplomáticas com os EUA, Arábia Saudita, Emirados Árabes e China, atraindo novos investimentos. O Conselho de Facilitação de Investimentos Especial, liderado pelo exército, tornou-se o veículo central para agilizar os investimentos estrangeiros em setores estratégicos como energia e agricultura.
Contudo, com esse poder vem a responsabilidade. Agora que os militares estão no comando, eles não podem mais atribuir falhas a uma administração civil incompetente. O exército abrangente precisa justificar seu desempenho, seja em termos de crescimento econômico ou segurança.
A Queda de Imran Khan e o Controle Militar
A situação se intensificou em abril de 2022, quando o primeiro-ministro Imran Khan foi destituído por meio de um voto de desconfiança essencialmente orquestrado pelo exército. O governo que se seguiu, liderado por Shehbaz Sharif, se apoiou inteiramente no apoio militar para lidar com os grandes desafios da nação, como a estabilização da economia e a gestão das relações exteriores.
A Crise Persistente
A recente eleição de fevereiro de 2024 confirmou ainda mais o controle militar sobre a política. O partido de Khan, banido, conseguiu apenas se candidatar como independente e, mesmo tendo obtido a maior parte dos votos, não conseguiu formar uma maioria. A nova coalizão de Sharif, embora legitimada numericamente no Parlamento, continuou a depender do suporte militar, que controla instituições de segurança crucial e influencia decisões judiciais e administrativas.
A Ascensão após o Conflito com a Índia
O ponto de virada crucial ocorreu em maio de 2025, durante um breve conflito com a Índia. Após um ataque terrorista em Caxemira, ambos os lados concordaram em um cessar-fogo, com o Paquistão se autoproclamando vitorioso. O que se destacou, porém, foi a diplomacia que acompanhou o fim das hostilidades: os EUA, sob a liderança de Munir, atuaram diretamente para mediar o cessar-fogo, deixando claro que o poder de decisão sobre guerra e paz reside nas mãos dos generais.
Evento Histórico na Casa Branca
Em junho do mesmo ano, Munir teve uma audiência na Casa Branca sem a presença de líderes civis, um marco histórico. A agenda do encontro não se limitou à segurança; abrangeu negociações sobre comércio, energia e até criptomoedas. O que antes era responsabilidade de ministros civis agora está sob o controle do exército.
Uma nova diplomacia econômica começou a ser estruturada, com o exército liderando negociações em áreas como tarifas comerciais e projetos de energia. A criação do Conselho de Facilitação de Investimentos se consolidou como um corpo em que os interesses militares se fundiam com os civis, permitindo ao exército tomar decisões mais rápidas e eficazes sobre questões de investimento, sem o intermédio de instituições civis.
O Paradoxo do Poder Militar
A ascensão de Munir levanta questões intrigantes sobre a natureza do poder militar no Paquistão. Apesar de uma era de crescente crítica e contestação pública à influência militar, o exército decidiu adotar uma abordagem mais aberta, posicionando-se como um estabilizador da nação, ao invés de uma força oculta.
O Dilema do Futuro
No entanto, a centralização do poder nas mãos do exército pode se tornar uma faca de dois gumes. Por um lado, a visibilidade pode aumentar a responsabilidade; por outro, pode minar as instituições civis e o controle democrático, criando uma estrutura menos flexível e suscetível a falhas. A ausência de um sistema de freios e contrapesos pode levar a um colapso rápido em tempos de crise.
Com a contínua prisão de Imran Khan e a necessidade urgente de resolver seu futuro político, o exército se encontra em um dilema: se optar por uma gestão judicial ou eleitoral legítima, corre o risco de perturbar a nova ordem estabelecida, mas a repressão contínua poderá corroer a legitimidade do regime militar.
Um Novo Capítulo na Política Paquistanesa
O modelo Munir representa uma nova era para o Paquistão. É uma transição que não se limita a uma simples repetição das ditaduras militares do passado. Sem um golpe explícito, o exército conseguiu se infiltrar nas estruturas democráticas e remodelar o sistema político, redefinindo a relação entre civis e militares.
Essa nova dinâmica não apenas influencia a política interna do Paquistão, mas também molda suas interações com o mundo exterior. Com um exército na linha de frente da política externa, o país pode enfrentar desafios e colaborações de uma forma que pode ser mais unilateral e militarmente orientada.
Portanto, enquanto o Paquistão navega neste novo cenário, a visão atenta do mundo estará voltada para a maneira como esse modelo híbrido impactará tanto a governança interna quanto as relações internacionais, abrindo espaço para reflexões sobre o futuro da democracia e da estabilidade no país.
Sinta-se à vontade para compartilhar suas opiniões sobre essa nova estrutura de poder no Paquistão. Como você vê o impacto da ascensão militar na política e na economia do país? Sua voz é importante!




