O Futuro da Agricultura: Regenerando o Solo para Sustentar o Agronegócio dos EUA

Área certificada como orgânica regenerativa ultrapassa 7,3 milhões de hectares.
A agricultura nos Estados Unidos está em um momento crítico. Embora o país seja conhecido por sua capacidade de produzir uma enorme variedade de alimentos, a realidade é que muitos agricultores frequentemente operam no vermelho, dependendo de empregos externos para se sustentar. Dados do USDA indicam que a renda agrícola mediana foi negativa nos últimos dois anos.
A Crise dos Polinizadores
Enquanto isso, os alertas sobre a biodiversidade estão em nível alarmante. Pesquisas recentes revelam que mais de 20% dos polinizadores da América do Norte e cerca de um terço das abelhas nativas estão em risco de extinção. Essa situação coloca em perigo os serviços ecológicos que o sistema alimentar depende.
Elizabeth Whitlow, cofundadora e diretora executiva da Regenerative Organic Alliance (ROA), destaca a gravidade dessa questão: “Se perdermos nossos polinizadores, enfrentaremos uma grande crise alimentar.”
A Situação da Produção Alimentar
Os Estados Unidos ocupam atualmente a terceira posição mundial em produção de alimentos, atrás da China e da Índia. O Brasil está logo em seguida, em quarto lugar. No entanto, o cenário pode mudar com a implementação de práticas agrícolas mais sustentáveis e regenerativas.
Em 2018, a ROA lançou o padrão Regenerative Organic Certified (ROC) visando enfrentar as crises interligadas de solo degradado, bem-estar animal e precariedade dos trabalhadores rurais.
Objetivos do ROC
Whitlow descreve os principais objetivos do programa:
- Aumentar a matéria orgânica do solo.
- Sequestrar carbono na terra.
- Garantir o tratamento ético dos animais.
- Oferecer condições justas para os agricultores e trabalhadores rurais.
O ROC se baseia em uma exigência prévia de certificação orgânica, acumulando conhecimento de quatro décadas de práticas realizadas por stakeholders do setor. Isso é fundamental, pois o termo “regenerativo” continua sem uma definição clara em muitos contextos.
A Importância da Certificação
O ROC busca ancorar esse termo em práticas concretas, utilizando auditorias feitas por terceiros, ao invés de se basear em idealizações ou propagandas vazias. Atualmente, mais de 7,3 milhões de hectares já estão certificados ou inscritos sob esse padrão, e esse número cresce à medida que mais marcas optam por ingredientes obedecendo a essa certificação, abrangendo alimentos, têxteis e produtos de cuidado pessoal.
Um Abordagem Sistêmica
Uma das características distintivas do ROC, segundo Whitlow, é a sua abordagem sistêmica: “o padrão considera tanto as práticas quanto os resultados, levando em conta o contexto local.” Um exemplo prático disso é a recomendação de manter o solo coberto, sem estipular um único método, reconhecendo que cada cultivo, microclima e prática cultural é único.
Whitlow explica: “Nós certificamos as fazendas e buscamos otimizar o processo de auditoria, reduzindo duplicações. As taxas de certificação foram ajustadas para atender pequenos produtores, geralmente fixadas em cerca de US$ 250 ao ano para aqueles com receita bruta inferior a US$ 1 milhão.”
Os Desafios da Cadeia de Suprimento
Um dos maiores desafios após a colheita é a complexidade das cadeias de suprimento. O transporte de produtos ao redor do mundo demanda rastreabilidade rigorosa para garantir a integridade das alegações feitas sobre os produtos. Essa questão se complica ainda mais em categorias como alimentos, têxteis e cuidados pessoais, que podem incluir diversos ingredientes.
Incentivos e Obstáculos
Quando questionada sobre por que os agricultores hesitam em adotar práticas regenerativas, Whitlow aponta para o papel dos incentivos, que frequentemente favorecem um número limitado de culturas. Modelos de negócios das seguradoras e subsídios frequentemente direcionam investimentos para milho e soja, tornando a diversificação um risco maior.
Essa realidade cria um ciclo vicioso que favorece o agronegócio dominante, tornando urgente a necessidade de políticas que apoiem práticas diversificadas e sustentáveis.
Um Olhar Esperançoso
Apesar dos desafios, Whitlow percebe um movimento crescente em direção à agricultura regenerativa. Fundos federais, recuperados após cortes anteriores, estão começando a financiar a transição para práticas orgânicas. “Os agricultores observam os vizinhos que adotaram essas práticas e notam diferenças em suas colheitas e custos,” comenta ela.
O Papel da Comunidade
A interação e aprendizado entre agricultores podem impulsionar a adoção de métodos regenerativos. À medida que mais operações buscam se integrar a essas práticas, a ROA lança programas para escalar essas iniciativas de maneira credível, sem comprometer os padrões.
Whitlow, quando questionada sobre como cada um pode contribuir nesse processo, sugere algo simples: “Quando foi a última vez que você colheu uma cenoura ou comeu um tomate direto da planta?” Essa reconexão com o ciclo natural pode ajudar a restaurar a relação quebrada entre os consumidores e a produção alimentar.
Como Contribuir para a Sustentabilidade
Para aquelas famílias que desejam apoiar essa transição, a recomendação é:
- Participar de CSA (Agricultura Apoiada pela Comunidade).
- Comprar produtos ROC e certificados orgânicos.
- Cozinhar com ingredientes sazonais e locais.
Whitlow conclui com uma reflexão importante: “Os cuidados que temos com o solo refletem o cuidado que temos com nós mesmos.” Essa conexão é fundamental para promover um futuro mais sustentável e saudável.
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Estamos diante de um momento crucial para a agricultura. Que escolhas você fará para ajudar a regenerar o solo e, por consequência, o futuro da alimentação? Convidamos você a compartilhar suas opiniões e experiências sobre práticas agrícolas sustentáveis!




