quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Saúde Mental nas Empresas: O Desafio de Transformar Preocupação em Ação


A Crescente Preocupação com o Bem-Estar dos Trabalhadores no Brasil

Recentemente, um estudo destacado pelo Anuário Saúde Mental nas Empresas 2025, do Instituto Philos Org, revelou que a preocupação com o bem-estar dos trabalhadores no Brasil atingiu 8,19 em 2025, um aumento significativo em relação aos 5,06 registrados em 2024. Essa melhora de 62% não apenas reverteu uma queda do ano anterior, mas também evidencia um movimento crescente das empresas em direção à valorização da saúde mental no ambiente profissional.

O Que o Estudo Revela?

Uma Análise Detalhada

O anuário, em sua terceira edição, baseia-se em dados provenientes dos Relatos Integrados e Relatórios de Sustentabilidade das empresas. No entanto, apesar do aumento no índice geral, a pesquisa faz um alerta: existe uma discrepância considerável entre o que as instituições dizem fazer para promover a saúde mental e a realidade enfrentada por muitos trabalhadores.

Embora o estudo não ofereça estatísticas específicas para cada empresa, ele aponta setores onde há essa incoerência, destacando uma relação entre altos índices de investimento e dados de afastamento que sugerem problemas substanciais no bem-estar dos trabalhadores.

Palavra das Lideranças

Carlos Assis, editor do Anuário e fundador do Instituto Philos Org, enfatiza a urgência de uma abordagem corajosa das lideranças. Ele destaca que ouvir genuinamente os colaboradores é um passo crucial, e não se trata apenas de coletar dados, mas de implementar ações a partir dessas informações. A saúde mental deve ser encarada como um investimento e não como um custo.

Avanços Impulsionados por Pressões Externas

O crescimento do índice não ocorreu apenas por conscientização. O anuário aponta que pressões regulatórias recentes têm incentivado as empresas a adotarem práticas mais consistentes em relação à saúde mental. A introdução de políticas públicas com regras claras e a divulgação de dados sobre afastamentos por problemas psíquicos pelo Ministério da Previdência têm desempenhado um papel importante nesse cenário.

A Realidade do Setor Empresarial

Esse crescimento no índice deve ser visto também como uma resposta ao aumento da visibilidade dos riscos associados à negligência em saúde mental. As empresas agora enfrentam consequências mais graves por ações ou inações relacionadas à saúde de seus colaboradores.

Ranking das Empresas com Maior Preocupação

O Anuário também apresentou um ranking das empresas que mais se destacaram em preocupações com o bem-estar dos trabalhadores. Confira os cinco primeiros lugares:

  1. Itaú – 15,29
  2. Lojas Renner – 15,14
  3. Banco do Brasil – 14,29
  4. RD Saúde – 13,90
  5. Bradesco – 13,33

Essas empresas demonstraram uma preocupação mais acentuada em suas políticas voltadas à saúde mental.

Top 10 Empresas do Ranking

PosiçãoEmpresaÍndice
1Itaú15,29
2Lojas Renner15,14
3Banco do Brasil14,29
4RD Saúde13,90
5Bradesco13,33
6Grupo Dasa13,24
7Ambev13,00
8Gerdau12,90
9Grupo Enel12,76
10Volkswagen12,24

Desempenho por Setores: Uma Análise Crítica

Ao observar o desempenho setorial, o anuário revelou algumas dinâmicas interessantes:

  • Setor Financeiro: Manteve a liderança, apesar de uma leve queda no índice de 11,34 (2024) para 11,03 (2025).

  • Setor de Comércio: Subiu para a vice-liderança, alcançando um índice de 8,51. Lojas Renner, RD Saúde e Drogarias DPSP foram os destaques.

  • Serviços, Transportes e Logística: Este setor avançou do 6º para o 3º lugar, com índice de 8,00, mostrando progresso significativo.

  • Energia e Recursos Naturais: Este setor, avaliado por um número considerável de empresas, viu seu índice crescer de 3,44 (2024) para 7,97 (2025).

  • Indústria: Mostrou um avanço de 4,98 para 7,43, com a Gerdau se destacando com um índice de 12,90.

  • Tecnologia e Comunicação: Apresentou uma leve diminuição, caindo para 7,12, com a Telefônica Brasil liderando neste segmento com 10,62.

  • Alimentos e Bebidas: Manteve um desempenho fraco, com um índice de 5,88, onde a Ambev se destacou com 13 pontos.

  • Agronegócio: Este setor foi o mais mal avaliado, com um índice geral de 4,02. A Lar Cooperativa Agroindustrial ficou em primeiro lugar com 9,19.

Variação dos Setores nos Últimos Três Anos

Para ilustrar melhor o progresso, veja a variação dos setores nos últimos três anos:

Setores202320242025Variação
Financeiro11,0911,3411,03-3%
Comércio6,026,088,5140%
Serviços, Transportes e Logística2,182,968,00170%
Energia e Recursos Naturais4,173,447,97132%
Indústria4,834,987,4349%
TI, Telecom e Comunicação6,197,817,12-9%
Alimentos e Bebidas3,442,795,88111%
Agronegócio2,591,914,02111%

Reflexões Finais

O aumento no índice de preocupação com a saúde mental nas empresas brasileiras é um sinal positivo, mas as organizações precisam ir além de declarar iniciativas. Implementar mudanças reais e ouvir os colaboradores de maneira ativa pode fazer a diferença no dia a dia das pessoas.

Você já parou para pensar sobre a importância da saúde mental no ambiente de trabalho? O que sua empresa tem feito nesse sentido? Deixe seus pensamentos nos comentários e compartilhe essa reflexão com amigos e colegas. Todos nós temos um papel na criação de um espaço de trabalho mais saudável e acolhedor!

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