A Crescente Preocupação com o Bem-Estar dos Trabalhadores no Brasil
Recentemente, um estudo destacado pelo Anuário Saúde Mental nas Empresas 2025, do Instituto Philos Org, revelou que a preocupação com o bem-estar dos trabalhadores no Brasil atingiu 8,19 em 2025, um aumento significativo em relação aos 5,06 registrados em 2024. Essa melhora de 62% não apenas reverteu uma queda do ano anterior, mas também evidencia um movimento crescente das empresas em direção à valorização da saúde mental no ambiente profissional.
O Que o Estudo Revela?
Uma Análise Detalhada
O anuário, em sua terceira edição, baseia-se em dados provenientes dos Relatos Integrados e Relatórios de Sustentabilidade das empresas. No entanto, apesar do aumento no índice geral, a pesquisa faz um alerta: existe uma discrepância considerável entre o que as instituições dizem fazer para promover a saúde mental e a realidade enfrentada por muitos trabalhadores.
Embora o estudo não ofereça estatísticas específicas para cada empresa, ele aponta setores onde há essa incoerência, destacando uma relação entre altos índices de investimento e dados de afastamento que sugerem problemas substanciais no bem-estar dos trabalhadores.
Palavra das Lideranças
Carlos Assis, editor do Anuário e fundador do Instituto Philos Org, enfatiza a urgência de uma abordagem corajosa das lideranças. Ele destaca que ouvir genuinamente os colaboradores é um passo crucial, e não se trata apenas de coletar dados, mas de implementar ações a partir dessas informações. A saúde mental deve ser encarada como um investimento e não como um custo.
Avanços Impulsionados por Pressões Externas
O crescimento do índice não ocorreu apenas por conscientização. O anuário aponta que pressões regulatórias recentes têm incentivado as empresas a adotarem práticas mais consistentes em relação à saúde mental. A introdução de políticas públicas com regras claras e a divulgação de dados sobre afastamentos por problemas psíquicos pelo Ministério da Previdência têm desempenhado um papel importante nesse cenário.
A Realidade do Setor Empresarial
Esse crescimento no índice deve ser visto também como uma resposta ao aumento da visibilidade dos riscos associados à negligência em saúde mental. As empresas agora enfrentam consequências mais graves por ações ou inações relacionadas à saúde de seus colaboradores.
Ranking das Empresas com Maior Preocupação
O Anuário também apresentou um ranking das empresas que mais se destacaram em preocupações com o bem-estar dos trabalhadores. Confira os cinco primeiros lugares:
- Itaú – 15,29
- Lojas Renner – 15,14
- Banco do Brasil – 14,29
- RD Saúde – 13,90
- Bradesco – 13,33
Essas empresas demonstraram uma preocupação mais acentuada em suas políticas voltadas à saúde mental.
Top 10 Empresas do Ranking
| Posição | Empresa | Índice |
|---|---|---|
| 1 | Itaú | 15,29 |
| 2 | Lojas Renner | 15,14 |
| 3 | Banco do Brasil | 14,29 |
| 4 | RD Saúde | 13,90 |
| 5 | Bradesco | 13,33 |
| 6 | Grupo Dasa | 13,24 |
| 7 | Ambev | 13,00 |
| 8 | Gerdau | 12,90 |
| 9 | Grupo Enel | 12,76 |
| 10 | Volkswagen | 12,24 |
Desempenho por Setores: Uma Análise Crítica
Ao observar o desempenho setorial, o anuário revelou algumas dinâmicas interessantes:
Setor Financeiro: Manteve a liderança, apesar de uma leve queda no índice de 11,34 (2024) para 11,03 (2025).
Setor de Comércio: Subiu para a vice-liderança, alcançando um índice de 8,51. Lojas Renner, RD Saúde e Drogarias DPSP foram os destaques.
Serviços, Transportes e Logística: Este setor avançou do 6º para o 3º lugar, com índice de 8,00, mostrando progresso significativo.
Energia e Recursos Naturais: Este setor, avaliado por um número considerável de empresas, viu seu índice crescer de 3,44 (2024) para 7,97 (2025).
Indústria: Mostrou um avanço de 4,98 para 7,43, com a Gerdau se destacando com um índice de 12,90.
Tecnologia e Comunicação: Apresentou uma leve diminuição, caindo para 7,12, com a Telefônica Brasil liderando neste segmento com 10,62.
Alimentos e Bebidas: Manteve um desempenho fraco, com um índice de 5,88, onde a Ambev se destacou com 13 pontos.
Agronegócio: Este setor foi o mais mal avaliado, com um índice geral de 4,02. A Lar Cooperativa Agroindustrial ficou em primeiro lugar com 9,19.
Variação dos Setores nos Últimos Três Anos
Para ilustrar melhor o progresso, veja a variação dos setores nos últimos três anos:
| Setores | 2023 | 2024 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|---|
| Financeiro | 11,09 | 11,34 | 11,03 | -3% |
| Comércio | 6,02 | 6,08 | 8,51 | 40% |
| Serviços, Transportes e Logística | 2,18 | 2,96 | 8,00 | 170% |
| Energia e Recursos Naturais | 4,17 | 3,44 | 7,97 | 132% |
| Indústria | 4,83 | 4,98 | 7,43 | 49% |
| TI, Telecom e Comunicação | 6,19 | 7,81 | 7,12 | -9% |
| Alimentos e Bebidas | 3,44 | 2,79 | 5,88 | 111% |
| Agronegócio | 2,59 | 1,91 | 4,02 | 111% |
Reflexões Finais
O aumento no índice de preocupação com a saúde mental nas empresas brasileiras é um sinal positivo, mas as organizações precisam ir além de declarar iniciativas. Implementar mudanças reais e ouvir os colaboradores de maneira ativa pode fazer a diferença no dia a dia das pessoas.
Você já parou para pensar sobre a importância da saúde mental no ambiente de trabalho? O que sua empresa tem feito nesse sentido? Deixe seus pensamentos nos comentários e compartilhe essa reflexão com amigos e colegas. Todos nós temos um papel na criação de um espaço de trabalho mais saudável e acolhedor!




