Seca e excesso de chuva prejudicam safras de inverno e reduzem projeções na UE


O desenvolvimento das culturas de inverno na União Europeia (UE) enfrenta problemas de falta de umidade do solo no oeste e no sudeste do bloco, enquanto o excesso de chuva atrasa os trabalhos de campo nos países bálticos. O quadro foi informado nesta segunda-feira pelo MARS, serviço de monitoramento de culturas da UE, que também reduziu suas estimativas de produtividade de milho e beterraba para 2026.

Seca prejudica canola e cereais

A baixa umidade tem dificultado a emergência da canola e o estabelecimento dos cereais de inverno nas regiões afetadas pela seca. Segundo o boletim mensal do MARS, o resultado é um desenvolvimento irregular das lavouras. A emergência é a fase em que as plantas começam a aparecer acima do solo; o estabelecimento corresponde ao período inicial de crescimento da cultura.

A seca persistente atingiu a canola em países importantes para a produção, entre eles França e Alemanha, os dois maiores produtores de grãos da UE. O serviço relatou que, em várias áreas, as plantas não se desenvolveram de maneira uniforme. A falta de água também limitou o estabelecimento das culturas de inverno em países do leste e do sudeste do bloco, incluindo a Romênia, outro grande produtor de grãos.

Antes da piora das condições, os agricultores europeus esperavam ampliar novamente a área plantada com canola para a próxima colheita. Os preços elevados incentivavam esse aumento, mas a seca interrompeu o plantio no fim do verão. O boletim não informou quanto da área prevista deixou de ser semeada.

Plantio avança em ritmo desigual

O plantio de cereais de inverno também ocorreu mais lentamente em partes da França e nos países do Benelux, grupo formado por Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo. Chuvas recentes, porém, melhoraram as condições para o trabalho no campo e para o desenvolvimento inicial das lavouras no sul da Alemanha.

Em outras áreas, o avanço do plantio não eliminou as preocupações com a falta de água. No leste da Alemanha e no oeste da Polônia, as operações de semeadura progrediram bem, mas o déficit de chuvas acumulado desde setembro reduziu a umidade do solo. O MARS apontou risco para a emergência e o estabelecimento das plantas antes da dormência de inverno, período em que o crescimento das culturas diminui.

Nos países bálticos, por outro lado, o problema é o excesso de chuva, que atrasa os trabalhos de campo. As condições distintas mostram que o calendário e o desenvolvimento das lavouras variam entre as regiões do bloco: enquanto algumas áreas precisam de mais umidade, outras enfrentam dificuldades para avançar com as operações agrícolas por causa da chuva.

Estimativas de produtividade caem

Além de relatar as condições das culturas de inverno, o MARS reduziu as previsões de rendimento das lavouras de verão da UE para 2026. Rendimento é a quantidade produzida por unidade de área e, neste caso, é medido em toneladas por hectare (t/ha).

A estimativa para o milho passou de 6,50 para 6,42 toneladas por hectare. O novo número fica 9% abaixo da média dos cinco anos anteriores. Para a beterraba, a previsão foi revista de 67,4 para 67,2 toneladas por hectare, volume 12% inferior à média do mesmo período.

As projeções de produção de milho e beterraba sacarina da UE apontam para uma queda aos níveis mais baixos em décadas. A expectativa está associada à seca e às ondas de calor recordes registradas durante o verão citado no boletim. As revisões do MARS indicam uma perspectiva mais fraca para essas culturas, enquanto as condições de umidade seguem afetando o desenvolvimento das lavouras de inverno em diferentes partes da Europa.

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