O Paradoxo da China: Trabalho Intenso e Desigualdade Econômica
Uma Nação de Trabalhadores Dedicados
O Partido Comunista Chinês (PCCh) enfrenta uma contradição intrigante em sua economia: embora o país ostente uma força de trabalho excepcionalmente dedicada, grande parte da população não colhe os frutos de seu esforço. Em 2023, a China despontou como a liderança mundial em manufatura, com um impressionante valor agregado de US$ 4,8 trilhões, representando quase 29% da produção global. Para se ter uma ideia, esse número supera o total combinado das quatro maiores economias das quais depende: Estados Unidos, Japão, Alemanha e Índia.
O Dia a Dia do Trabalhador Chinês
Os trabalhadores chineses estão entre os que mais horas dedicam ao trabalho em todo o mundo. Em 2024, eles tiveram uma carga média de 46,1 horas semanais, muito acima das 38 horas de seus colegas americanos. Um conceito que se popularizou é o "996", que representa a cultura de trabalho que dura das 9h às 21h, seis dias da semana, sendo particularmente comum nos setores de tecnologia e manufatura. Apesar dessa impressionante carga de trabalho, o retorno financeiro deixa a desejar.
A Realidade Alarmante da Renda
Em 2020, o então primeiro-ministro Li Keqiang fez uma revelação chocante: cerca de 600 milhões de chineses — quase metade da população — vivia com uma renda média de apenas 1.000 yuans (aproximadamente US$ 140) por mês. Um estudo da Beijing Normal University ainda mostrou que 220 milhões de pessoas ganhavam menos de 500 yuans (cerca de US$ 69), destacando a gravidade da pobreza que atinge uma parcela considerável da sociedade.
Para os idosos nas áreas rurais, a situação é ainda mais crítica. Em média, suas pensões são de apenas 123 yuans (ou cerca de US$ 17) por mês, um valor que mal cobre as despesas básicas. Isso levanta uma pergunta: como um país com o segundo maior PIB do mundo, que conta com uma força de trabalho tão comprometida, ainda consegue ter quase metade da sua população vivendo na pobreza?
O Desbalanceamento da Riqueza
A chave para essa questão reside na desigualdade na distribuição da riqueza. De acordo com o China Statistical Yearbook de 2024, os salários totais em 2023 totalizaram 19,74 trilhões de yuans (cerca de US$ 2,7 trilhões) para aproximadamente 740 milhões de trabalhadores. Isso resulta em um salário médio anual de cerca de US$ 3.644, o que equivale a apenas 15,3% do PIB. Para efeito de comparação, essa proporção é consideravelmente menor do que a observada nas economias desenvolvidas.
Essa discrepância revela que uma grande parte da riqueza gerada pelos trabalhadores chineses não retorna a eles. Grande parte desse valor é absorvida pelo Estado.
Destinos da Riqueza
O que exatamente acontece com essa riqueza? Uma parte considerável é direcionada para a chamada ajuda externa, que, em um tom mais cômico entre os cidadãos, é referida como "esbanjar dinheiro." Embora muitos vejam isso como um esforço estratégico do PCCh para obter apoio diplomático, essa situação suscita críticas devido às falhas em atender às necessidades internas da população.
Além disso, os gastos militares representam um destino importante para os fundos estatais. Com um orçamento de defesa que é o segundo maior do mundo — oficialmente previsto em 1,78 trilhão de yuans (cerca de US$ 296 bilhões) para 2025 —, a verdadeira cifra pode ser ainda maior, chegando a até US$ 700 bilhões. Outro ponto preocupante é o crescimento dos gastos com segurança interna, que já superam os gastos militares.
O Custos Administrativos e a Corrupção
Os altos custos administrativos também pesam no orçamento. O setor público cresceu, representando cerca de 23% da força de trabalho em 2021. Além disso, é preocupante a ausência de dados recentes sobre essa força de trabalho, estratégia que muitos acreditam ter o objetivo de evitar a preocupação pública.
A corrupção e a captura da elite ainda agravam a situação, drenando a riqueza pública e perpetuando esse ciclo de desigualdade.
Reflexão Final
É evidente que, apesar do esforço extraordinário da população trabalhadora da China, o sistema econômico atual, sob o comando do PCCh, não está permitindo que essa riqueza se distribua de maneira justa. A dura realidade de que 600 milhões de cidadãos vivem com menos de US$ 140 mensais e 220 milhões sobrevivem com menos de US$ 3 por dia é uma chamada à ação para reavaliar o modo como a riqueza é gerada e distribuída.
Esse cenário instiga reflexão e debate sobre a verdadeira natureza do progresso econômico. A pergunta permanece: até quando a força de trabalho mais dedicada do mundo irá sustentar um sistema que não retribui de forma justa seus esforços? Essa é uma discussão que continua a ressoar não só dentro da China, mas no âmbito global, à medida que o mundo observa os desdobramentos dessa complexa realidade.
Agora, que tal partilhar sua opinião sobre o tema? Você acredita que mudanças são possíveis na forma como a riqueza é distribuída, não apenas na China, mas globalmente? Seus comentários e compartilhamentos podem contribuir para um diálogo maior sobre esses desafios.




