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Transformando Desperdício em Sustentabilidade: Frutas da Ceasa Geram Energia Limpa em Iniciativa da Embrapa e UFC

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Luis Diaz Devesa_Getty

Frutas e legumes estragados podem virar biogás

Transformando Desperdício em Energia: A Nova Inovação Cearense

Todo mês, a Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa-CE) descarta entre 17 e 25 toneladas de frutas e hortaliças. Esse desperdício não apenas gera um custo elevado – que já supera os R$ 230 mil mensais – mas também causa sérios impactos ambientais. Pensando em reverter essa situação, pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical e da Universidade Federal do Ceará (UFC) lançaram uma tecnologia inovadora para transformar resíduos orgânicos em energia limpa.

O Sistema Integrado de Reatores Anaeróbios

Esse novo modelo, chamado Sistema Integrado de Reatores Anaeróbios, foi desenvolvido especificamente para a Ceasa cearense, mas seu potencial vai além: pode ser replicado em todas as 57 centrais de abastecimento do Brasil. “Esse sistema nos permite gerar um biogás rico em metano, que pode suprir até 100% da energia da central durante os horários de pico e ainda 20% em períodos de baixa demanda”, explica Renato Leitão, pesquisador da Embrapa e coordenador do projeto.

Biometano: Uma Solução Sustentável

Se não for utilizado internamente, o biogás gerado pode ser tratado e comercializado como biometano. “Essa abordagem não apenas minimiza custos, mas também reduz o volume de resíduos enviados ao aterro e as emissões de gases que afetam o clima”, completa Leitão.

Processo de Tratamento Eficiente

No método tradicional, os resíduos eram encaminhados para reatores de mistura completa (CSTR), que apresentam limitações em termos de espaço e eficiência. O novo sistema introduz um pré-tratamento que separa o material em duas frações: líquida e sólida.

  • A fração líquida vai para reatores de manta de lodo de fluxo ascendente (UASB), conhecidos por suportar altas cargas orgânicas e oferecer excelente rendimento.
  • A fração sólida pode ser utilizada na compostagem, gerando um fertilizante de alta qualidade, ou, ainda em fase experimental, direcionada a reatores de metanização seca.

“Essa solução é promissora, integrando o tratamento dos resíduos à produção de energia e à geração de fertilizantes. O impacto pode ser significativo: energia limpa, mínimo desperdício e uma economia circular se concretizando”, ressalta André dos Santos, professor da UFC.

Explorando Novas Possibilidades de Energia

Os cientistas também estão investigando a produção de biohidrogênio a partir da fração líquida do resíduo. Embora atualmente o volume não seja competitivo, essa pesquisa abre portas para novas tecnologias. Os testes estão sendo realizados em reatores de leito estruturado (AnStBR) utilizando a fermentação escura, uma metodologia emergente para geração de energia renovável.

O Desafio do Desperdício Alimentar no Brasil

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estima que 30% da produção global de frutas e hortaliças é perdida ou desperdiçada. No Brasil, essa estatística é ainda mais alarmante, com cerca de 42% dos alimentos não chegando à mesa do consumidor.

A Importância das Centrais de Abastecimento

O Brasil se destaca como o terceiro maior produtor mundial de frutas e hortaliças, contando com 57 Ceasas. Infelizmente, cerca de 30% dos produtos vendidos nessas centrais acabam se perdendo, totalizando impressionantes 10,9 milhões de toneladas anualmente. Somente na Ceagesp, maior central da América Latina, as perdas são entre 150 e 180 toneladas por dia.

Próximos Passos e Oportunidades Futuras

Os resultados dessa pesquisa estão programados para serem apresentados no 15º Workshop e Simpósio Latino-Americano de Digestão Anaeróbia, que ocorrerá entre 14 e 17 de outubro de 2025 em Fortaleza. Este evento reunirá especialistas de diversos países para discutir as aplicações da digestão anaeróbia no tratamento de resíduos, geração de energia renovável e outros temas pertinentes.

Com um olhar para o futuro, Renato Leitão destaca que a grande meta agora é aumentar a escala do projeto. “Precisamos de uma unidade-piloto maior para ajustar nossos equipamentos e demonstrar a viabilidade em larga escala”, afirma. Para isso, é fundamental a colaboração entre pesquisa, setor privado e políticas públicas.

Transformando Desafios em Oportunidades

Os pesquisadores veem uma grande oportunidade: transformar o desperdício em energia limpa e novas fontes de emprego, além de benefícios para o meio ambiente. “Esta é uma chance real de mudar a narrativa sobre o destino dos resíduos orgânicos no Brasil”, conclui André dos Santos.

Com essa iniciativa, o futuro pode não apenas ser mais sustentável, mas também mais próspero. Os passos dados em Fortaleza podem inspirar outras regiões a buscar soluções inovadoras e colaborativas para enfrentar um dos problemas mais críticos da nossa sociedade.

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