O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) investiga o transporte de urnas eletrônicas em uma caminhonete com adesivos do Partido dos Trabalhadores (PT), após o encerramento da votação do segundo turno, no domingo (25). O episódio ocorreu no Riacho Fundo II e está sob apuração porque a identificação partidária do veículo contraria as regras eleitorais para o recolhimento dos equipamentos.
Um vídeo feito por um morador e divulgado nas redes sociais mostra uma mulher retirando caixas identificadas como urnas eletrônicas de um local de votação e entregando-as a um homem. Ele coloca as caixas na carroceria de uma caminhonete branca, que exibe adesivos com os números 26 e 13. O número 13 identifica o PT nas urnas.
TRE-DF apura transporte e responsabilidades
Segundo informações divulgadas pela Justiça Eleitoral, o cartório responsável pelo local repassou ao TRE-DF os dados sobre a ocorrência. O tribunal apura as circunstâncias do deslocamento e quem pode ser responsabilizado pelo descumprimento das regras. Até o momento descrito nas informações divulgadas, a investigação não havia apresentado uma conclusão.
A Resolução TRE-DF nº 8.140, de 3 de agosto de 2026, permite que administradores e supervisores dos locais de votação usem veículos particulares para levar urnas e outros materiais eleitorais até a Junta Eleitoral competente, depois do encerramento dos trabalhos. A autorização, porém, depende do cumprimento de condições definidas pela Justiça Eleitoral.
O responsável pelo transporte precisa manifestar previamente o interesse ao juiz eleitoral e seguir os protocolos de segurança. O artigo 11 da resolução prevê a preservação da integridade dos equipamentos, a identificação de quem ficará responsável pela custódia e o registro do deslocamento. Essas exigências estabelecem procedimentos para acompanhar o transporte dos materiais após o fim da votação.
A norma também determina que os veículos usados nesse serviço mantenham neutralidade político-partidária na identificação. Por isso, a presença de adesivos partidários na caminhonete é apontada como incompatível com a regulamentação, mesmo que o uso de veículo particular para o transporte possa ser autorizado quando as demais condições forem atendidas.
TSE diz que apuração não foi afetada
Em esclarecimento publicado na quarta-feira (28), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que o episódio não comprometeu os resultados da votação. De acordo com a Corte, os votos já tinham sido apurados, os boletins de urna impressos e os dados transmitidos para totalização antes do recolhimento dos equipamentos.
O Boletim de Urna (BU) registra quantos votos cada candidato recebeu em uma seção eleitoral. A impressão do documento e a transmissão dos dados para totalização ocorreram, segundo o TSE, antes do transporte mostrado nas imagens. A afirmação do tribunal delimita o efeito do episódio sobre a apuração: a Corte declarou que a movimentação posterior dos equipamentos não alterou o resultado da votação.
O TSE também reconheceu que a identificação partidária da caminhonete contrariou as regras eleitorais. A manifestação sobre a integridade dos resultados não encerra, porém, a apuração conduzida pelo TRE-DF, que busca esclarecer como ocorreu o transporte e identificar eventuais responsabilidades pelo descumprimento das normas.
Regras valem para o recolhimento após a votação
O caso envolve duas questões distintas previstas nas informações da Justiça Eleitoral: a possibilidade de usar um veículo particular e as condições para transportar os equipamentos. A resolução permite a primeira situação a administradores e supervisores que tenham manifestado interesse previamente e cumpram os protocolos. Já a neutralidade partidária é uma exigência para a identificação do veículo durante o serviço.
A investigação do TRE-DF deverá apurar as circunstâncias do deslocamento e a observância dos procedimentos de custódia e registro. O tribunal ainda não divulgou, nas informações disponíveis, a conclusão sobre os responsáveis. O TSE, por sua vez, informou que a apuração dos votos e a transmissão dos dados ocorreram antes do recolhimento das urnas e não foram comprometidas pelo episódio.