Unilever prevê nova rodada de alta de preços por custos da guerra no Irã


A Unilever prevê acelerar os aumentos de preços no quarto trimestre e em 2027, diante da pressão dos custos associada à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. A empresa informou a expectativa nesta quarta-feira, enquanto outras fabricantes de bens de consumo também sinalizam repasses aos clientes para proteger suas margens.

Repasses devem ganhar ritmo

O presidente-executivo da Unilever, Fernando Fernandez, afirmou que a companhia espera preços mais altos em 2027 do que a média prevista para 2026. “Agora que temos mais clareza sobre isso (o ambiente de custos), estamos acelerando os aumentos de preços”, disse.

Fernandez acrescentou que a empresa pretende equilibrar reajustes e volumes de venda no curto e no médio prazo. “Vamos garantir um bom equilíbrio entre volume e preços em tudo o que fizermos no curto e no médio prazo”, afirmou.

A Unilever não é a única fabricante a considerar novos reajustes. Coca-Cola, Procter & Gamble, Nestlé e Reckitt também alertaram para a possibilidade de aumentar preços no próximo ano, em resposta ao impacto da guerra, que começou no fim de fevereiro.

O movimento ocorre depois de uma sequência de aumentos durante a pandemia de Covid-19 e nos primeiros meses da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. Após esses repasses, as empresas passaram anos tentando recuperar consumidores que migraram para produtos de marca própria, geralmente mais baratos.

Agora, as companhias voltam a enfrentar a pressão de elevar preços para compensar custos maiores e proteger as margens. Para a Unilever, a decisão envolve conciliar os reajustes com a manutenção da procura pelos produtos, uma vez que preços mais altos podem afetar os volumes vendidos.

Vendas crescem, mas ritmo desacelera

A Unilever conseguiu repassar parte da alta das matérias-primas aos consumidores neste ano sem prejudicar os volumes de vendas. Inovações e investimentos em marketing contribuíram para a recuperação da demanda após a pandemia, segundo as informações divulgadas pela empresa.

No terceiro trimestre, a companhia registrou crescimento subjacente das vendas de 5,2%, acima dos 4,8% esperados por analistas em um consenso elaborado pela própria Unilever. O indicador considera a evolução das vendas sem determinados efeitos, como mudanças cambiais e aquisições ou vendas de negócios.

Apesar do resultado superior à expectativa, o crescimento do volume de vendas foi mais lento do que no segundo trimestre. A desaceleração foi prejudicada pelo negócio de alimentos. As ações da Unilever caíram 3,4% nesta quarta-feira, no mesmo dia em que a companhia divulgou os resultados.

O volume subjacente, que mede a quantidade de produtos vendidos e separa o efeito dos preços, avançou 2,9% no terceiro trimestre. Os preços subiram 2,3% no período. Os números mostram que o crescimento das vendas combinou expansão das quantidades comercializadas com reajustes.

Projeções para 2026 mantidas

A empresa manteve as projeções de vendas e de margem de lucro para 2026. Para o segundo semestre daquele ano, espera crescimento subjacente das vendas de cerca de 5%. A Unilever também prevê que o volume subjacente cresça pelo menos 3% no ano inteiro, acima da estimativa anterior, que apontava avanço de aproximadamente 3%.

As indicações de preços mais altos no próximo ano convivem, portanto, com a meta de preservar o crescimento dos volumes. A companhia afirmou que buscará esse equilíbrio ao definir seus próximos passos, num contexto em que os custos ligados à guerra levam empresas do setor a considerar novos repasses.

Para os consumidores, a possibilidade de aumentos significa que os preços de produtos de bens de consumo podem subir novamente. Para as fabricantes, o desafio é compensar a pressão de custos sem afastar clientes que, após os reajustes dos últimos anos, passaram a procurar alternativas mais baratas.

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