No Egito, Guterres diz ser fundamental manter canais de diplomacia abertos


O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, encerrou nesta segunda-feira uma visita oficial de três dias ao Egito, dedicada às crises no Oriente Médio. Durante a agenda, defendeu a diplomacia para conter tensões regionais e pediu a suspensão das restrições à entrada de ajuda humanitária em Gaza.

A viagem começou em 24 de outubro, data em que são celebrados o Dia da ONU e a fundação da organização. Guterres descreveu o cenário internacional como um “momento em que as divisões globais se aprofundam” e afirmou que sua missão é defender o diálogo e o papel estratégico da diplomacia.

Egito atua na mediação e na ajuda a Gaza

Guterres manifestou gratidão pelo papel do Egito desde o início do conflito na Faixa de Gaza. O secretário-geral destacou a atuação do país na mediação política, nas evacuações médicas e na facilitação da assistência humanitária, em coordenação com o Crescente Vermelho Egípcio.

Ao tratar da situação dos palestinos, ele reiterou que as restrições impostas por Israel à entrada de assistência precisam ser suspensas imediatamente. Também pediu a remoção de todos os obstáculos à implementação do Plano Abrangente para o Fim do Conflito em Gaza, aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU.

O apelo reúne duas frentes: permitir que a ajuda chegue à população e viabilizar a execução do plano aprovado pelo Conselho. Guterres não detalhou, durante a visita, quais obstáculos deveriam ser removidos nem apresentou prazos para a implementação. Sua declaração, porém, coloca o acesso humanitário e a aplicação do plano entre os temas centrais da resposta internacional à crise.

O secretário-geral atribuiu ao Egito participação tanto na articulação política quanto em ações práticas relacionadas ao conflito. Entre elas, citou o apoio a evacuações médicas e a coordenação da entrada de assistência, atividades que envolvem o Crescente Vermelho Egípcio.

Risco de escalada e negociações entre EUA e Irã

Guterres alertou para a possibilidade de o conflito se espalhar pela região. Segundo ele, uma escalada mútua poderia fazer a situação sair do controle. O aviso foi apresentado em meio às tensões no Oriente Médio e à preocupação com o impacto de um confronto mais amplo sobre a estabilidade regional.

Agências de notícias regionais informaram que Turquia, Paquistão e Egito defendem a retomada do diálogo direto entre Washington e Teerã. O Egito tem trabalhado com a Arábia Saudita para apoiar negociações entre os Estados Unidos e o Irã e conter a instabilidade na região.

A retomada de conversas diretas entre os dois países é apresentada como parte dos esforços diplomáticos para reduzir tensões. Guterres, por sua vez, enfatizou a importância do diálogo como instrumento para evitar que a crise se amplie. A visita ao Egito incluiu, assim, tanto a situação em Gaza quanto iniciativas de articulação sobre as relações entre Washington e Teerã.

Navegação e outras crises regionais

O secretário-geral também pediu o restabelecimento pleno do direito de navegação e das liberdades marítimas no Estreito de Ormuz e em Bab el-Mandeb, conforme o direito internacional. As duas passagens são estratégicas para o comércio mundial e conectam o Golfo e o Mar Vermelho às rotas internacionais de navegação.

O pedido diz respeito à circulação marítima nessas vias, que ligam áreas de grande relevância comercial às rotas internacionais. Guterres defendeu que os direitos de navegação sejam respeitados nos dois estreitos, sem apresentar detalhes sobre medidas específicas para garantir esse restabelecimento.

As conversas também abordaram o agravamento de crises no Sudão e na Líbia, que, segundo Guterres, contribuem para a instabilidade política e de segurança na região. Sobre o Sudão, ele afirmou que o futuro do país deve ser definido exclusivamente por sua população, por meio de um processo político inclusivo. Esse processo, segundo o secretário-geral, deve preservar a unidade, a soberania e a integridade territorial do país durante uma grave emergência humanitária.

Em relação à Líbia, Guterres pediu que lideranças locais e regionais aproveitem a dinâmica política atual para unificar as instituições estatais e permitir a realização de eleições nacionais. O objetivo, de acordo com ele, é encerrar o longo período de transição. O enviado especial da ONU continua em contato direto com as partes interessadas para consolidar a estabilização.

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