Jovens apoiam caminho para moldar o futuro da ONU em Moçambique


O Dia das Nações Unidas, celebrado em 24 de outubro, destaca neste ano a necessidade de fortalecer a paz e acelerar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A data também coloca em evidência o papel dos jovens na construção de um multilateralismo mais inclusivo, tema que ganha exemplos concretos nas trajetórias de dois profissionais ligados à atuação da ONU em Moçambique.

Uma mochila e um projeto de futuro

Nélio Zunguza, hoje voluntário de engajamento juvenil do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), conta que seu caminho começou com uma distribuição de kits escolares na comunidade de Chipenhane, na província de Gaza. Uma equipe da ONU passou brevemente pelo local, e a sacola azul que recebeu, estampada com a frase “Aprender para crescer melhor”, teve um significado que foi além do material escolar.

Segundo a história relatada por Zunguza, a mochila protegia seus livros da chuva, mas também ajudou a preservar seus planos diante da pobreza e do desânimo. A iniciativa, afirma a narrativa, devolveu-lhe a dignidade e plantou a semente de um objetivo: um dia, trabalhar no Unicef.

Hoje, em conversa com a ONU News em Maputo, Zunguza descreve a si mesmo como protagonista da mudança. Sua atuação e sua experiência são apresentadas no contexto da participação dos jovens nas iniciativas da organização, não apenas como destinatários de programas, mas como pessoas que podem ajudar a formular respostas aos desafios locais.

“Eu aprendi muito a liderar em cenários diferentes, aprendi muito a inovar, aprendi muito que, dentro do sistema das Nações Unidas, é importante conhecer como o sistema funciona para explorar potenciais soluções, e que ninguém vem para nos dizer o que temos que fazer. Nós temos os programas, temos os desafios e estamos nós no meio para criar”, afirmou.

Na avaliação de Zunguza, entender como funciona o sistema das Nações Unidas permite identificar possibilidades de atuação. Ele relaciona liderança e inovação à busca de soluções construídas por quem conhece os programas e os desafios. A fala também associa o engajamento juvenil à capacidade de participar das decisões, em vez de aguardar que outras pessoas indiquem o caminho.

Mentoria e acesso a direitos

Outra trajetória destacada é a de Eulália, analista de programas de Gênero e Violência Baseada no Gênero do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa). Seu trabalho inclui sessões de mentoria para jovens, ações de conscientização e processos para identificar casos de violência e encaminhá-los às autoridades competentes.

Eulália relaciona a educação à emancipação e vê a própria atuação como uma forma de criar referências para outras mulheres e raparigas. O objetivo, segundo ela, é que jovens encontrem incentivo para ocupar espaços de liderança e contribuir para que mais mulheres tenham acesso a seus direitos.

“É que as outras mulheres e raparigas encontrem em mim uma figura de referência. Para que encontrem em mim também uma motivação para poderem ocupar espaços de liderança, para poderem contribuir e alcançar mais mulheres. E que todas as mulheres, raparigas e jovens, no geral, tenham acesso aos seus direitos de saúde sexual e reprodutiva, e sejam capazes de tomar decisões sobre a sua própria vida. Esse é o maior legado”, disse.

A saúde sexual e reprodutiva e a possibilidade de tomar decisões sobre a própria vida estão no centro do legado que Eulália espera construir. A atuação descrita combina acompanhamento de jovens, conscientização e encaminhamento de situações de violência, além da defesa de que mulheres e raparigas possam participar de espaços de liderança.

Cooperação e participação juvenil

A celebração do Dia das Nações Unidas também chama atenção para a cooperação entre os Estados-membros. A organização apresenta essa colaboração como parte prática de sua atuação, ligada à busca por paz e ao avanço dos ODS, e não apenas como um princípio diplomático.

As experiências de Zunguza e Eulália dão dimensão local a esse chamado. Em uma trajetória, a distribuição de material escolar ajudou a alimentar um projeto profissional; na outra, o trabalho de mentoria e proteção de direitos busca ampliar as oportunidades e a autonomia de mulheres e jovens.

A ONU defende que o trabalho conjunto depende também da energia e da participação de jovens que atuam para transformar a realidade. Em Moçambique, os exemplos apresentados mostram diferentes frentes desse envolvimento: a criação de soluções dentro de programas e a promoção de direitos por meio de acompanhamento e conscientização.

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