O mercado imobiliário de Curitiba vendeu 6.370 imóveis no primeiro semestre de 2026, alta de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor geral de vendas (VGV), que corresponde ao valor total dos imóveis comercializados, chegou a R$ 4,096 bilhões, avanço de 18%, segundo levantamento da GeoBrain apresentado pela Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC). O crescimento foi puxado principalmente pelos imóveis compactos e pelo segmento econômico, que inclui empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Vendas avançam e estoque recua
Além do aumento nas vendas, os lançamentos cresceram 32% na comparação anual, de 4.364 para 5.774 unidades. O VGV dos novos empreendimentos, porém, avançou em ritmo menor: subiu 6%, de R$ 3,067 bilhões para R$ 3,265 bilhões.
Mesmo com mais lançamentos, o estoque disponível caiu 5% ante dezembro de 2025 e chegou a 11.754 unidades. A taxa de vendas sobre oferta (VSO), indicador que mede a velocidade de comercialização dos imóveis disponíveis, atingiu 23% em junho de 2026. O índice estava em 20% em março, 18% em dezembro de 2025 e 17% em junho de 2025. A VSO trimestral não corresponde ao total de vendas acumulado no semestre.
Os dados apontam que os imóveis foram absorvidos mais rapidamente, apesar do cenário de juros elevados. Para Luiz França, presidente da ABRAINC, a alta da VSO e a redução dos estoques indicam avanço das vendas e absorção mais rápida da oferta. Ele ponderou que os segmentos reagem de maneira diferente às condições do mercado.
Compactos e imóveis econômicos lideram
Os compactos, categoria que inclui studios, tiveram o maior volume de vendas entre os segmentos analisados. Foram 3.589 unidades no primeiro semestre, aumento de 62% sobre as 2.219 vendidas no mesmo intervalo de 2025. O VGV dessa categoria cresceu 75%, para R$ 1,508 bilhão.
O segmento MCMV/econômico registrou a maior expansão proporcional nas unidades vendidas: passou de 494 para 940, alta de 90%. O VGV avançou 65%, para R$ 273 milhões. Segundo a ABRAINC, os benefícios do programa Minha Casa, Minha Vida favorecem o desempenho dessa faixa do mercado.
A associação relaciona o interesse pelos compactos à procura de investidores por imóveis e ao crescimento dos domicílios unipessoais, formados por uma só pessoa. Nesse perfil, moradores podem priorizar a localização em vez de uma área maior.
O Médio e Alto Padrão (MAP) teve 1.803 unidades vendidas, queda de 1% ante 2025, mas seu VGV subiu 3%, para R$ 2,027 bilhões. Já o segmento de luxo recuou: as vendas passaram de 58 para 38 unidades, redução de 34%, e o VGV caiu 38%, para R$ 288 milhões.
Lançamentos crescem no econômico
O segmento econômico também se destacou nos lançamentos. As unidades novas passaram de 360 no primeiro semestre de 2025 para 1.182 em 2026, aumento de 228%. O VGV lançado quase triplicou, com alta de 195%, e chegou a R$ 366 milhões.
As incorporadoras lançaram 3.460 unidades compactas, 21% a mais que um ano antes. O VGV dessa categoria avançou 20%, para R$ 1,304 bilhão. No MAP, os lançamentos subiram 2%, para 1.113 unidades, enquanto o VGV cresceu 5%, a R$ 1,474 bilhão.
O luxo seguiu na direção oposta também entre os novos empreendimentos: os lançamentos caíram de 58 para 19 unidades, recuo de 67%. O VGV lançado diminuiu 73%, para R$ 121 milhões.
França atribuiu a pressão sobre o MAP aos juros elevados no financiamento habitacional, que dificultam a compra de imóveis nessa faixa. Sobre o luxo, afirmou que o segmento passa por acomodação após o forte crescimento dos últimos anos, mas mantém trajetória positiva no longo prazo.
Contexto do mercado curitibano
O levantamento considera exclusivamente a capital paranaense. A pesquisa descreve Curitiba como uma cidade com atividade econômica diversificada, apoiada por setores de negócios, tecnologia, serviços avançados e indústria, além de universidades como UFPR, UTFPR e PUCPR. A Cidade Industrial de Curitiba reúne atividades automotivas e logísticas.
O estudo também associa a atratividade da cidade para investimentos à mobilidade urbana, à sustentabilidade socioambiental e à estrutura econômica. No primeiro semestre, essa demanda se refletiu em mais unidades vendidas e em um estoque menor, embora os resultados tenham variado entre as faixas de preço.

