Queda das taxas de juros pode impulsionar recuperação do mercado imobiliário


O mercado imobiliário do sul da cidade de Ho Chi Minh, no Vietnã, ainda enfrenta baixa liquidez, apesar da redução das taxas de juros e de novas linhas de crédito. Para Nguyen Dinh Truong, diretor-geral da TT Capital Investment, uma recuperação mais ampla deve ocorrer apenas no fim do primeiro trimestre ou no início do segundo trimestre de 2027, porque compradores e empresas continuam cautelosos diante do custo dos financiamentos.

Na primeira fase de vendas de um empreendimento da TT Capital, cerca de 800 clientes demonstraram interesse e aproximadamente 30% fizeram depósitos. O resultado ficou um pouco abaixo da expectativa da empresa, mas foi considerado positivo por Truong diante da retração do mercado: as transações caíram entre 60% e 70% em comparação com o fim de 2025.

Juros ainda limitam as compras

Segundo Truong, embora as taxas tenham recuado, elas permanecem elevadas. Com isso, muitos compradores só avançam na aquisição de imóveis quando têm recursos próprios disponíveis ou uma necessidade concreta de moradia. Para o executivo, o custo do crédito segue como fator determinante para o setor, e empresas e clientes aguardam novas reduções.

O diretor-geral da TT Capital afirmou que a estabilidade das vendas no empreendimento, mesmo sem atingir a meta inicial, representa um desempenho favorável em um mercado lento. Ele espera sinais mais positivos a partir do primeiro trimestre de 2027, mas avalia que a retomada completa deve demorar até o fim daquele trimestre ou o início do seguinte.

Vo Hong Thang, vice-diretor-geral do grupo DKRA, disse que as orientações do governo central para reduzir os juros foram recebidas com otimismo pelo mercado. Bancos também passaram a oferecer condições mais favoráveis para financiamentos imobiliários.

O Vietcombank destinou 20 trilhões de dong vietnamitas (VND) a clientes que financiam a compra de imóveis com escritura definitiva. A iniciativa vale para Hanói, Ho Chi Minh e algumas províncias e cidades próximas. A taxa preferencial é um ponto percentual abaixo da taxa normal para pessoas físicas do banco, e o prazo do financiamento pode chegar a 35 anos.

Já o BIDV lançou um pacote de crédito de 30 trilhões de VND para pessoas físicas que pretendem comprar imóveis com escritura definitiva ou construir e reformar casas para uso próprio. O cliente pode escolher entre taxas fixas de 9,5% ao ano por 12 meses, 10% por 18 meses ou 10,5% por 24 meses. Segundo as condições divulgadas, essas taxas ficam dois pontos percentuais abaixo da taxa padrão de financiamento imobiliário da instituição. O prazo pode chegar a 30 anos.

Recuperação deve ser desigual

Thang afirmou que a redução dos juros não produz efeitos imediatos. A melhora depende também das políticas econômicas do governo central e das condições da economia global. O executivo prevê uma transição até que as medidas tenham impacto mais perceptível e apontou a capacidade de compra como um obstáculo, sobretudo nos últimos meses do ano. Se as condições forem favoráveis, disse, o cenário pode melhorar no segundo trimestre de 2027.

Vo Nhat Lieu, diretora-geral do Instituto PROPIIN de Treinamento em Desenvolvimento de Projetos Imobiliários, avalia que juros menores podem estimular a atividade não apenas por reduzir o valor das parcelas, mas também por diminuir a hesitação de quem adia a decisão de compra.

De acordo com Lieu, pessoas com necessidade real de moradia e capital disponível têm postergado aquisições por receio de que o custo do crédito aumente depois do período de taxas promocionais. Se os juros se estabilizarem e mantiverem uma tendência de queda, parte dessa demanda represada poderá voltar ao mercado e favorecer a liquidez, ou seja, a capacidade de vender e comprar imóveis com mais facilidade.

Para as empresas, um custo menor de capital pode aliviar despesas financeiras, ajudar a manter o ritmo das obras e melhorar o fluxo de caixa. Mas a redução dos juros, por si só, não garante uma retomada ampla. Os compradores também precisam encontrar preços compatíveis com sua renda, documentação legal clara e condições de crédito estáveis. Como os preços dos imóveis continuam subindo mais rápido do que a renda, uma queda pequena nos juros pode não ser suficiente para elevar significativamente o poder de compra.

Preço e documentação pesam na decisão

A expectativa é de que a recuperação ocorra em ritmos diferentes. Projetos com documentação completa, obras em andamento conforme o previsto, preços razoáveis e foco em necessidades concretas de moradia tendem a atrair compradores antes. Imóveis com preços muito elevados, terrenos distantes de áreas residenciais ou produtos comprados principalmente na expectativa de valorização podem levar mais tempo para encontrar demanda.

Lieu também afirmou que o intervalo entre o início da queda dos juros e a retomada plena das transações pode abrir espaço para pesquisa e negociação por parte dos compradores. Se a tendência de redução se consolidar, consumidores que hoje aguardam podem voltar ao mercado e, gradualmente, ampliar o poder de negociação dos vendedores. Para avaliar a recuperação, disse a diretora, será necessário observar não apenas a trajetória dos juros, mas também se os compradores deixam de esperar e efetivamente fecham negócio.

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