O Ibovespa recuava nesta manhã, acompanhando as perdas das bolsas ocidentais e a queda do minério de ferro em Dalian, na China. Às 11h42, o principal índice da B3 caía 0,42%, aos 168.480,95 pontos, após chegar a perder 1,29% no pregão. Considerando o fechamento de ontem, a baixa acumulada na semana era de 17,5%, e o índice poderia registrar o maior recuo semanal de sua série histórica caso a tendência persistisse até o fim do dia.
Queda pode superar marca da pandemia
A retração semanal projetada ficaria acima da queda de 15,6% registrada na semana encerrada em 13 de março de 2020, durante a pandemia de covid-19. Na sessão anterior, o Ibovespa fechou em baixa de 1,06%, aos 169.186,42 pontos, no quarto pregão consecutivo de perdas.
Na mínima desta manhã, o índice chegou a 167.007,57 pontos, quase 2.200 pontos abaixo da máxima de 169.184,60 pontos, registrada na abertura. Em Nova York, as bolsas também recuavam, com perdas de até 2,12% na Nasdaq. O EWZ, principal fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, reduziu a queda de cerca de 2% para 0,97%.
“Podemos ter a pior semana da história”, disse Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos. Ele atribuiu a pressão sobre os ativos tanto à incerteza no exterior quanto às preocupações com a situação fiscal brasileira no próximo ano. Segundo Mendes, o governo não fez declarações que acalmassem os mercados nem indicou que pretende promover algum ajuste nas contas públicas.
Fiscal e cenário internacional pesam
Analistas também apontam a falta de um plano fiscal considerado crível e a ausência de sinais sobre quem integrará a equipe econômica a partir de 2027. Para Mendes, sem uma perspectiva de mudança na política fiscal, a tendência é de juros mais altos. Ele afirmou que o comportamento do câmbio pode influenciar a decisão do governo de se aproximar do mercado e apresentar uma perspectiva para as contas públicas.
Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria, avaliou que a percepção entre investidores é de que não há um plano de ajuste fiscal em discussão, mas apenas medidas pontuais para cumprir as metas. Em nota, ele também relacionou os resultados de Amazon e Intel aos receios sobre o efeito dos investimentos elevados em inteligência artificial sobre o caixa das empresas. Os balanços das duas companhias ficaram aquém das expectativas, segundo a notícia.
O mercado acompanhava ainda a alta do petróleo, que aumenta os temores de inflação e reforça a perspectiva de juros globais mais elevados. A combinação de balanços corporativos abaixo do esperado e preocupações com os preços e os juros contribuiu para o ambiente negativo nas bolsas ocidentais durante a manhã.
Balanços e agenda do G20 no radar
No mercado brasileiro, investidores avaliavam os resultados de empresas como Usiminas, Vale e Klabin. A Usiminas registrou lucro líquido de R$ 243 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 3,5 bilhões apurado no mesmo período de 2025. Perto das 11h40, as ações da companhia caíam 3,47%.
O lucro líquido da Vale recuou 53% no trimestre, em linha com o esperado. Apesar da queda no resultado, os papéis da mineradora subiam 4,73%. O minério de ferro, por sua vez, perdeu 1,18% em Dalian, movimento que também acompanhava a pressão sobre o Ibovespa.
A Petrobras permanecia no radar depois de confirmar a terceira descoberta de petróleo no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial. A companhia negou que haja uma decisão sobre reajustes nos preços da gasolina e do diesel. As ações preferenciais subiam 1,67%, enquanto as ordinárias avançavam 1,71%.
Investidores acompanhavam também a reunião de chanceleres do G20, realizada naquele dia e no seguinte. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estava em Atlanta, nos Estados Unidos, para participar do encontro. De acordo com a agenda, a reunião marcava o primeiro compromisso entre autoridades brasileiras e norte-americanas desde as eleições no Brasil.

