A Vale produziu 88,4 milhões de toneladas de minério de ferro no terceiro trimestre de 2026, queda de 6% ante o mesmo período de 2025, principalmente pela menor disponibilidade de minério em Serra Norte. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, porém, houve alta de 5%, apoiada pelo avanço de projetos de expansão e pelo desempenho do complexo S11D. A companhia manteve suas projeções de produção para 2026.
S11D registra recorde trimestral
A mina de Serra Sul, conhecida como S11D, foi o principal destaque operacional do período. A unidade produziu 23,8 milhões de toneladas, seu maior volume em um trimestre. O resultado foi favorecido pelo avanço do projeto Serra Sul +20 e pelo início das operações do Britador de Compactos.
Segundo a Vale, essas iniciativas devem ampliar a flexibilidade operacional e contribuir para o desempenho da produção a partir de 2027. No terceiro trimestre, o aumento da produção em projetos de expansão e a forte performance do S11D ajudaram a elevar o volume de minério de ferro em relação aos três meses anteriores, embora não tenham sido suficientes para superar o resultado de um ano antes.
O desempenho variou entre os sistemas de produção da companhia. No Sistema Norte, a operação enfrentou restrições e menor disponibilidade de minério bruto em Serra Norte. No Sistema Sudeste, houve estabilidade, com crescimento expressivo no Complexo de Mariana. A produção dessa unidade avançou 40% na comparação anual, apoiada pela melhora operacional em Alegria e Fazendão e pelo avanço do projeto Capanema.
Já o Sistema Sul teve queda de 5%. O recuo foi impactado pela paralisação das minas de Fábrica e Viga ao longo do ano e parcialmente compensado pelo maior desempenho de Vargem Grande. A diferença entre os resultados dos sistemas mostra como fatores específicos de cada operação influenciaram o total produzido no trimestre.
Vendas superam produção
Apesar da redução na produção anual de minério de ferro, as vendas somaram 86,3 milhões de toneladas. O volume ficou ligeiramente acima do registrado no terceiro trimestre de 2025, beneficiado pela comercialização de estoques formados em períodos anteriores. Assim, as vendas avançaram mesmo com a produção inferior à de um ano antes.
A produção de pelotas, produto feito a partir de minério de ferro, também cresceu. A Vale produziu 8,6 milhões de toneladas no trimestre, alta de 7% ante o mesmo período do ano passado. Para 2026, a empresa manteve a expectativa de atingir o ponto médio da faixa projetada para esse produto, que vai de 30 milhões a 34 milhões de toneladas.
Com base no desempenho acumulado do ano, a companhia reafirmou a projeção de produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026. A faixa foi mantida apesar da queda anual observada no terceiro trimestre. A empresa não alterou também a expectativa para as pelotas.
Cobre cai e níquel avança
Na divisão de metais básicos, a produção de cobre recuou 6%, para 85,5 mil toneladas. A principal razão foi a reforma programada do moinho SAG de Sossego. O resultado foi parcialmente compensado por Salobo, que registrou sua maior produção já obtida em um terceiro trimestre.
A produção de níquel teve movimento oposto: aumentou 6%, para 49,7 mil toneladas. A alta foi impulsionada pelo forte desempenho do segundo forno de Onça Puma e pela maior produção trimestral da refinaria de Sudbury desde 2013.
A Vale afirmou que segue no caminho para alcançar a metade superior das faixas de projeção de cobre e níquel para 2026. A companhia não informou, no material divulgado, alterações nessas faixas. No conjunto, os resultados do trimestre combinaram a queda anual do minério de ferro e do cobre com o avanço das vendas de minério, das pelotas e da produção de níquel.

