A Klabin prevê que as chuvas intensas no Paraná continuem afetando suas operações até o primeiro trimestre do próximo ano. O presidente da companhia, Cristiano Teixeira, afirmou nesta quinta-feira que a chuva deve perder força a partir de janeiro, mas que os efeitos do El Niño ainda pressionarão a operação e os custos no início do período.
Chuvas dificultam operações no Paraná
A empresa concentra no Paraná suas plantações de madeira pinus, usada na produção de papel para embalagens. Segundo Teixeira, as áreas da companhia receberam 350 milímetros de chuva em setembro e 400 milímetros em outubro. Para novembro, a expectativa era de um volume semelhante ao do mês anterior.
O presidente disse que operar por três meses com uma média de 400 milímetros de chuva representa uma dificuldade operacional muito grande. A companhia espera que a precipitação diminua a partir de janeiro, mas ainda prevê impacto sobre as atividades durante o primeiro trimestre do ano seguinte.
Apesar das dificuldades, Teixeira afirmou que a Klabin não corre risco de desabastecimento de madeira em suas fábricas. A avaliação indica que, embora as chuvas compliquem as operações nas áreas florestais e elevem custos, a empresa não prevê falta de matéria-prima para a produção.
O executivo espera que os custos adicionais causados pelo El Niño cessem totalmente a partir do segundo trimestre do próximo ano. Até lá, a companhia deverá conviver com os efeitos das condições climáticas sobre suas operações no Paraná.
Combustível também pressiona custos
A diretora financeira da Klabin, Gabriela Woge, apontou outro fator que pesa sobre os custos: a alta dos preços dos combustíveis. Segundo ela, essa pressão pode continuar além dos efeitos do El Niño, em razão do prolongamento da guerra no Oriente Médio.
Woge afirmou que, no curto prazo, a empresa espera um quarto trimestre muito parecido com o terceiro, ainda bastante impactado pelos dois eventos. A projeção reúne, portanto, tanto as dificuldades operacionais associadas ao excesso de chuva quanto a pressão do combustível sobre os gastos da companhia.
Os efeitos também retardam o ritmo de desalavancagem financeira da empresa, termo usado para descrever a redução do endividamento em relação à capacidade financeira. A Klabin está estável em torno de 3,3 vezes nesse indicador, segundo a diretora financeira. Woge disse que a companhia gostaria de avançar mais rapidamente, mas que o ritmo reflete as condições do mercado.
Madeira própria deve reduzir custos mais adiante
A perspectiva de uma redução mais significativa de custos está ligada à disponibilidade futura de madeira pinus plantada pela própria companhia. Teixeira afirmou que a Klabin deverá trabalhar de forma mais intensa com essa madeira a partir de 2028. O ciclo de corte do pinus é mais longo que o do eucalipto, o que ajuda a explicar o intervalo até que as árvores plantadas estejam prontas para a colheita.
Até lá, a companhia ainda prevê algum nível de pressão relacionado à distância da madeira, segundo o presidente. Ele mencionou 2027 e o início de 2028 como períodos em que esse efeito deve continuar. A expectativa é começar a colher madeira própria no segundo semestre de 2028 e em 2029.
As declarações foram feitas em uma conferência com analistas, realizada após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre da Klabin, na véspera. A projeção da empresa combina, assim, efeitos de curto prazo — chuvas e combustível — com uma expectativa de alívio de custos ligada à madeira própria somente nos próximos anos.

