Rafael Oliveira afirmou nesta quarta-feira (28) que a Heineken precisa reforçar a responsabilização interna e consolidar uma cultura de desempenho para sustentar o crescimento. Em sua primeira declaração desde que assumiu o comando da cervejaria holandesa neste mês, o executivo disse que a empresa nem sempre aproveitou oportunidades ou conquistou clientes no momento adequado.
Nova liderança e cobrança por resultados
Oliveira sucedeu Dolf van den Brink, que renunciou inesperadamente em janeiro. A saída ocorreu poucos meses depois de van den Brink apresentar uma estratégia renovada e novas metas para a companhia, a segunda maior cervejaria do mundo. A mudança de comando deixou dúvidas sobre os planos da empresa.
O novo presidente-executivo disse que suas primeiras impressões da Heineken foram positivas de forma geral, mas apontou espaço para melhorar a execução e acelerar o ritmo de trabalho. “Há mais a ser feito para aprimorar a execução, acelerar o ritmo e construir uma cultura de desempenho mais sólida, com maior responsabilização em toda a empresa”, afirmou em comunicado.
A declaração ocorre em meio à pressão de investidores para que a cervejaria acelere o crescimento das vendas, aumente a eficiência e melhore os retornos. Oliveira não detalhou medidas nem apresentou metas novas. Ele informou que explicará seus planos para a companhia quando a Heineken divulgar os resultados anuais, em fevereiro.
Vendas superam previsões
Os resultados do terceiro trimestre mostraram avanço superior a 4% tanto na receita quanto nos volumes. O desempenho ficou acima das expectativas dos analistas, que projetavam crescimento orgânico de 2,9% nos volumes e alta de 3,5% na receita. A empresa atribuiu o resultado, principalmente, à forte demanda na Ásia.
Na região Ásia-Pacífico, os volumes cresceram 17,3%, impulsionados pelo desempenho no Vietnã e na Índia. O resultado regional ajudou a companhia a superar as estimativas, embora Oliveira tenha apontado que a Heineken ainda pode melhorar sua capacidade de aproveitar oportunidades e conquistar consumidores.
A companhia fabrica marcas como Heineken, Tiger e Sol. Segundo a empresa, o crescimento também recebeu impulso de suas principais marcas globais e de prioridades estratégicas que incluem cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool e produtos premium.
Planos serão detalhados em fevereiro
Os dados do trimestre indicam que a demanda asiática e as categorias priorizadas pela empresa contribuíram para o avanço das vendas. Ainda assim, Oliveira relacionou a busca por crescimento consistente a mudanças na execução e na responsabilização dentro da organização. A mensagem combina o reconhecimento de um desempenho acima das previsões com a avaliação de que a companhia não aproveita todas as oportunidades que poderia.
O executivo deve apresentar uma visão mais completa para a Heineken junto com a divulgação dos resultados anuais, prevista para fevereiro. Até lá, a empresa não detalhou como pretende acelerar o crescimento, elevar a eficiência ou aumentar os retornos cobrados pelos investidores. Também não foram anunciadas alterações nas metas divulgadas pela gestão anterior.
A transição ocorre depois da saída inesperada de van den Brink, cuja renúncia aconteceu pouco tempo após a apresentação da estratégia renovada. Oliveira assumiu o posto neste mês e, em sua primeira manifestação pública desde então, destacou a necessidade de aprimorar a execução em toda a empresa. Os resultados anuais e os planos que serão apresentados em fevereiro deverão oferecer mais informações sobre os próximos passos da cervejaria.

