O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou, dos Estados Unidos, uma nota em que nega ter fugido do Brasil e afirma ser alvo de perseguição política. No texto, ele também diz que uma entrevista exclusiva à Rede Globo não ocorreu porque a emissora não aceitou sua condição de exibir a conversa na íntegra. O parlamentar viajou ao exterior após medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Condição para entrevista
Segundo Flávio, ele aceitou o convite da Rede Globo com a exigência de que a entrevista fosse transmitida sem cortes ou filtros. O senador afirma que queria ter liberdade para tratar de qualquer assunto, sem restrições, e que a emissora desistiu do projeto por não concordar com os termos.
Na nota, o parlamentar também critica uma reportagem do programa Fantástico sobre sua viagem aos Estados Unidos. Ele alega que a produção não lhe garantiu direito de resposta adequado e classifica a iniciativa como uma tentativa de prejudicar sua reputação. Na avaliação apresentada por Flávio, a emissora teria receio de que ele expusesse sua versão dos fatos.
A nota registra a posição do senador sobre a negociação e a reportagem, mas não apresenta a resposta da emissora nem detalhes adicionais sobre as conversas para a entrevista. Flávio sustenta que a exigência de exibição integral era uma condição para participar, e não apenas uma preferência sobre o formato da conversa.
Senador nega fuga
Flávio afirma que deixou o Brasil para preservar a liberdade de expressão, e não para escapar das autoridades. Ele diz que, depois do resultado eleitoral, passou a ser alvo de decisões judiciais que considera baseadas em mentiras e relata ter sido intimado em via pública. A nota não detalha quais decisões ou intimações o senador menciona.
O parlamentar relaciona sua situação à do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem considera inocente. Também descreve o cenário como uma perseguição arbitrária e afirma que ações policiais em sua residência expuseram a privacidade de suas filhas. A partir desses episódios, Flávio diz considerar impossível que tenha um processo judicial justo no Brasil.
Essas afirmações são apresentadas pelo próprio senador na nota. O texto não informa os fundamentos das medidas cautelares determinadas pelo STF nem detalha as ações policiais citadas. Flávio usa os episódios para justificar sua saída do país e contestar a possibilidade de exercer livremente sua defesa no Brasil.
Relatos divergentes sobre o trajeto
Também há versões diferentes sobre o caminho percorrido pelo senador até os Estados Unidos. Uma reportagem da Rede Globo apontou que ele teria viajado em um jatinho particular de um advogado amigo até a Argentina e, de lá, seguido para Miami.
O advogado citado e a empresa de turismo mencionada na reportagem negaram envolvimento no transporte de Flávio. A defesa do senador, por sua vez, afirma que nenhuma informação sobre o trajeto é oficial ou foi confirmada. A nota insiste que a viagem não deve ser interpretada como fuga, mesmo diante das medidas cautelares vigentes.
Assim, a rota descrita na reportagem não é confirmada pelo parlamentar, e as pessoas e a empresa citadas negam participação. A nota não apresenta um itinerário alternativo nem informa como ocorreu o deslocamento até os Estados Unidos.
Agenda nos Estados Unidos
Já em território americano, Flávio diz que pretende continuar se manifestando e conversar com veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros. Ele afirma que, em sua avaliação, já não consegue falar livremente no Brasil por causa da atuação do STF. O senador pretende apresentar a esses veículos sua visão sobre o sistema político e judicial brasileiro.
Na nota, Flávio afirma que não se arrepende de suas ações e que aproveitará a permanência no exterior para dizer o que acredita que outras pessoas não têm coragem de expressar sob a jurisdição brasileira. O texto não informa quais entrevistas já foram acertadas, por quanto tempo ele ficará nos Estados Unidos ou quando pretende retornar ao Brasil.

