BC deve manter Selic em 13,75% em pausa após reeleição de Lula


O Banco Central do Brasil deve manter a taxa Selic em 13,75% ao ano na reunião desta quarta-feira, 4 de novembro, segundo pesquisa com economistas. A maioria dos participantes vê a pausa como uma forma de avaliar os efeitos da incerteza fiscal e da reação dos mercados após a eleição presidencial de outubro.

Dos 48 analistas consultados, 33 preveem que o Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir os juros, manterá a taxa no nível atual. Outros 15 ainda esperam um corte. A pesquisa foi aberta em 28 de outubro e encerrada em 2 de novembro; no início, a expectativa predominante era de uma sexta redução consecutiva de 0,25 ponto percentual.

Mercados reagiram à eleição

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frustrou as expectativas de investidores que aguardavam uma solução rápida para os problemas orçamentários do país sob um governo do senador Flávio Bolsonaro, rival de Lula na disputa, segundo a notícia. A reação dos mercados se intensificou na semana anterior à pesquisa.

O real perdeu 9% e o índice da Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa, recuou cerca de 19% naquela semana. O texto também cita a partida repentina de Bolsonaro para os Estados Unidos como um fator de incerteza. Uma intervenção do Tesouro havia acalmado as turbulências no começo da semana, mas não foi suficiente para manter a expectativa inicial de corte entre a maioria dos economistas.

Para Alessandra Ribeiro, diretora de análise macroeconômica da Tendências, o Copom deve justificar a manutenção da Selic com a maior incerteza nos mercados, que representa um risco para a inflação. Ela espera que o comitê sinalize que aguardará mais tempo antes de avaliar a retomada dos cortes. Ribeiro também prevê algum “forward guidance”, expressão usada para indicar orientações do Banco Central sobre os próximos passos da política monetária.

Juros e inflação

O Banco Central começou a reduzir os juros gradualmente em janeiro, após sinais de melhora nos preços ao consumidor e de desaceleração da economia. Desde então, os formuladores de política monetária têm agido com cautela. Uma das razões apontadas é preservar uma diferença ampla entre os juros brasileiros e a taxa de fundos federais dos Estados Unidos, referência de curto prazo do banco central americano. Esse diferencial pode ajudar a sustentar a moeda brasileira e a conter pressões inflacionárias.

Apesar da expectativa de pausa, parte dos economistas considera que ainda há espaço para reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual. A diferença entre os juros do Brasil e os de outros países, como México e Argentina, é um dos argumentos citados por esses analistas.

Fernanda Lima, economista-chefe da Barra Peixe Investimentos, afirmou esperar mais dois cortes ainda naquele ano. Segundo ela, a inflação vinha ajudando e o mercado de trabalho dava sinais de estagnação. Lima também avaliou que a economia estava desacelerando, o que permitiria uma Selic um pouco menor, embora ainda em nível bastante restritivo para a atividade.

Analistas também associam juros mais baixos à redução do déficit público. Os gastos com juros representam 9% da economia brasileira, a maior proporção desde 2016, de acordo com a notícia.

Previsões apontam pausa prolongada

A mediana das projeções trimestrais da pesquisa indica que a Selic ficará em 13,75% ao ano pelo menos até o segundo trimestre de 2027. Para esse período, os economistas preveem um corte de 0,25 ponto percentual. O resultado coincide com as respostas de participantes consultados separadamente sobre o momento do próximo ajuste.

Entre 32 economistas que responderam a essa pergunta, oito esperavam uma redução de 0,25 ponto em março. Quatro projetavam o corte para abril do ano seguinte e outros quatro, para junho. Os demais indicaram outros meses, sem que a notícia detalhe a distribuição dessas previsões.

Em relatório, analistas da Oxford Economics disseram que a onda recente de vendas de ativos brasileiros provavelmente levará o Copom a agir com cautela e acompanhar a evolução do mercado nas semanas seguintes. Para eles, pode haver uma reversão parcial das perdas, mas uma recuperação duradoura dependerá dos anúncios de política fiscal de Lula e de medidas consideradas confiáveis para conter a dívida pública.

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