As letras financeiras estão se tornando cada vez mais atrativas para investidores, especialmente em um ambiente de juros altos. Elas surgem como uma alternativa interessante dentro do segmento da renda fixa. Essas aplicações, que antes eram exclusivas para grandes investidores, agora estão acessíveis devido ao surgimento de produtos listados na bolsa que democratizam esse tipo de investimento.

As letras financeiras (LFs), emitidas por instituições financeiras, são instrumentos de captação de recursos que têm prazos a partir de dois anos. Diferentemente de opções populares, como os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), as LFs não costumam permitir resgates antecipados, o que pode resultar em rentabilidades mais atrativas para os investidores.
Esses títulos apresentam variações em sua estrutura: encontramos os modelos tradicionais, os subordinados — que trazem mais riscos em troca de um retorno potencialmente maior — e até os perpétuos, que não possuem vencimento estipulado. O que diferencia uma letra da outra é que a remuneração pode estar atrelada ao CDI, à inflação (IPCA) ou a taxa prefixada, oferecendo mais opções de alocação para o investidor.
Contudo, o acesso a esses ativos era tradicionalmente limitado. O valor mínimo para aplicações em LFs geralmente começa em R$ 50 mil e pode chegar a R$ 300 mil para títulos subordinados, algo que exclui a maioria dos pequenos investidores.
Entretanto, o crescimento desse mercado é notável. O total de letras financeiras em circulação no Brasil já supera R$ 700 bilhões, evidenciando sua relevância como fonte de financiamento para o sistema bancário e como opção para grandes investidores.
Como os ETFs revolucionaram o acesso a letras financeiras
A dinâmica começou a mudar com o lançamento de ETFs que investem em letras financeiras. Um exemplo é o NLFA11, da Nu Asset, que passou a ser negociado na B3 em dezembro de 2025 e tem como objetivo replicar o índice de letras financeiras da ANBIMA.
Ao listar esse tipo de ativo na bolsa, o ETF permite que pequenos investidores acessem um mercado que antes era exclusivo para grandes quantias. Além disso, oferece liquidez diária e diversificação automática entre várias emissões, tornando-o bem mais interessante.
Um ponto positivo desse ETF está na tributação. Ao contrário dos fundos tradicionais de renda fixa, que geralmente têm diversas incidências de impostos e taxas, o ETF aplica uma alíquota de 15% sobre o ganho de capital, sem o ônus do come-cotas ou IOF, uma vantagem para quem pretende investir a longo prazo.
Quem deve considerar o NLFA11?
Embora o ETF não substitua completamente produtos como CDBs ou Tesouro Direto, ele pode ser uma alternativa saudável para quem:
- Busca eficiência tributária;
- Deseja exposição diversificada ao crédito do setor bancário;
- Valoriza liquidez em negociações na bolsa;
- Tem planos de manter posições a longo prazo;
A renda fixa brasileira vem se transformando e atualizando: não só em termos de rentabilidade, mas também com estruturas que diminuem custos ocultos e aumentam a eficiência. O NLFA11 é um exemplo claro dessa evolução.
À medida que investidores e gestores procuram maneiras de equilibrar retornos, riscos e eficiência, produtos como o NLFA11 estão ajudando a redefinir o papel da renda fixa no planejamento patrimonial de longo prazo.
Benefícios e riscos das letras financeiras
Entre as vantagens das letras financeiras está a rentabilidade, que tende a ser superior a de CDBs. Isso se deve, em parte, à ausência da obrigatoriedade de depósito compulsório para instituições financeiras emissoras.
No entanto, também é fundamental estar ciente dos riscos envolvidos. A baixa liquidez, especialmente nos títulos diretos, e a impossibilidade de resgatá-los antes do prazo são aspectos que merecem atenção. Para as LFs subordinadas, em particular, há uma maior exposição ao risco de crédito da instituição emissora.
Assim, a introdução de ETFs como o NLFA11 oferece uma abordagem intermediária. Eles combinam facilidade de acesso, um portfólio diversificado e benefícios tributários, tudo isso mantendo a sombra de um mercado que ainda está em expansão dentro da renda fixa brasileira.




