Mo Yun: Como a CEO da BDN Está Transformando o Mercado de Sementes de Soja no Brasil


Mo Yun: A Pioneira do Mercado de Sementes OGM na China

Ela se destaca não apenas pela sua voz suave e articulada, mas também pela sua postura reservada e um olhar intenso, quase analítico. Essas são algumas das características que marcam a presença de Mo Yun, uma mulher de 54 anos, doutora pela Universidade Agrícola da China e um dos nomes mais influentes no setor de sementes geneticamente modificadas (OGM) no país. Como principal acionista do Beijing Dabeinong Technology Group (DBN Group), Mo Yun está sempre à frente quando se trata de avançar no melhoramento genético da soja, com um foco especial nas oportunidades oferecidas pelo Brasil.

A Ambição do DBN Group no Brasil

O DBN Group tem ambições ousadas, com a meta de conseguir 30% do mercado de sementes de soja OGM certificadas e comercializadas no Brasil. Este é um segmento dominado por gigantes do setor como Bayer, Corteva Agriscience, Basf e Syngenta. Durante um encontro em Pequim, Mo Yun enfatizou a importância da América do Sul para suas operações: “Nosso foco é estratégico; consideramos essa região vital para o nosso crescimento”.

No evento, um grupo de 28 brasileiros, que incluía produtores e representantes de entidades do setor de sementes, teve a oportunidade de conhecer de perto a visão da DBN. Esses produtores representam quase 50% do total de sementes certificadas vendidas no Brasil, o que demonstra o potencial importante da parceria.

Crescimento e Inovação em P&D

Mo Yun tem sido uma força motriz na pesquisa e desenvolvimento da DBN, fundada em 1993 ao lado do falecido marido, Shao Genhuo. A companhia, que listou suas ações na Bolsa de Shenzhen, reportou uma receita de 29,1 bilhões de yuans em 2025, o que equivale a cerca de US$ 4,3 bilhões, com um aumento de 1,2% em relação ao ano anterior. A DBN é um conglomerado privado que possui um forte enfoque não apenas em sementes, mas também em nutrição animal e saúde.

Em 2025, a divisão de sementes alcançou faturamento de 1,53 bilhão de yuans, crescimento de 7,2% em um ano, com uma venda de 62,2 mil toneladas de sementes de milho, arroz e soja. Apesar dessas conquistas, as sementes representaram apenas 5,25% da receita total da empresa.

O Papel do Brasil na Estratégia Global da DBN

O Brasil surge como uma peça chave nesse quebra-cabeça. A companhia destinou cerca de US$ 15 milhões (R$ 81 milhões) para o desenvolvimento de P&D, com uma equipe de 50 doutores dedicados. O Phoenix Parque Eco Industrial, localizado em Haidian, Pequim, é o núcleo tecnológico onde a DBN concentra suas operações. Essa estrutura conta com laboratórios de ponta e um ambiente propício para a inovação.

Em 2025, a área plantada de soja na China alcançou 10,26 milhões de hectares, resultando em uma colheita de 20,91 milhões de toneladas. Contudo, as plantações de soja transgênica ainda representam apenas 1,3 milhão de hectares. A China, que demanda cerca de 120 milhões de toneladas de soja, importa 100 milhões, com 75% desse total oriundo do Brasil.

O Compromisso com a Biodiversidade e Inovações em Sementes

A expansão da DBN inclui não apenas o avanço em genética, mas também um compromisso com a biodiversidade e a sustentabilidade. A empresa anunciou um novo centro de pesquisa em Campinas (SP), que começará com um laboratório de biologia molecular focado em OGM. Mao Changqing, presidente da unidade de Culturas da DBN, ressaltou que a companhia está trabalhando em diferentes frentes, desde o melhoramento genético até a distribuição das sementes.

Os planos para o Brasil envolvem uma série de inovações tecnológicas, incluindo a introdução de variedades que possuem resistência a herbicidas e insetos. As tecnologias em desenvolvimento — como as proteínas que conferem resistência ao glifosato e ao controle de lagartas — estão programadas para serem lançadas no mercado entre 2026 e 2028.

Uma Nova Era na Biotecnologia Agrícola

A recente abertura da China ao comércio de organismos geneticamente modificados (OGMs) começa a refletir em sua capacidade de produção e em sua presença global. Desde 2019, o país autorizou 234 variedades de soja e milho OGM, das quais a DBN responde por 60%, apresentando um portfólio robusto para o mercado.

Além disso, a empresa mantém parcerias com universidades e laboratórios que fortalecem sua capacidade de pesquisa e desenvolvimento. Essa estrutura que conecta academia e setor privado é essencial para criar novas variedades adaptáveis e competitivas.

O Desafio da Concorrência Global

Com o Brasil consolidando-se como parceiro estratégico, a DBN não se contenta em somente importar tecnologia; sua intenção é criar um intercâmbio que traga benefícios mútuos. A visão é clara: não apenas fornecer produtos desenvolvidos para a agricultura chinesa, mas também introduzir inovações que atendam às necessidades e desafios locais.

A competitividade no setor será desafiada pela relação entre soja e milho no Brasil, onde ambos cultivados em grande escala lutam por espaço. Em 2025, o milho ocupou 44,96 milhões de hectares com uma produção de 301,24 milhões de toneladas, enquanto os EUA e o Brasil, juntos, desempenham um papel crucial nesse cenário global.

Um Olhar para o Futuro

Visões ambiciosas como a de Mo Yun e a DBN podem moldar o futuro do setor agrícola tanto na China quanto no Brasil, um dos principais fornecedores mundiais de soja. Com um foco em pesquisa, desenvolvimento e parcerias estratégicas, a expectativa é de que a DBN se torne uma das líderes de mercado dentro de cinco anos.

Nesse contexto, o Brasil se posiciona não apenas como um mero fornecedor de grãos, mas como uma plataforma para a troca de conhecimento e tecnologias. A viagem recente à sede da estatal Cofco, o maior grupo de comércio agrícola da China, reiterou a importância dessa relação, que pode se expandir muito além das fronteiras.

Oportunidades e Desafios em Parceria

A parceria proposta pela DBN é um convite à reflexão: como podemos utilizar as inovações em biotecnologia para enfrentar os desafios da agricultura moderna? Quais práticas e tecnologias podemos incorporar para tornar o setor mais sustentável e eficiente?

Com uma agenda que inclui o lançamento de novas tecnologias e uma variedade de projetos em andamento, a DBN e o Brasil estão prontos para trilhar um caminho de colaboração que pode transformar o panorama agrícola global. Para os leitores envolvidos no setor, essa é uma oportunidade de se manterem informados e engajados nas inovações que estão moldando o futuro da agricultura.

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E você, como vê essa parceria entre o Brasil e a China na área de biotecnologia agrícola? Deixe seus comentários e não hesite em compartilhar sua opinião sobre como essas inovações podem impactar o futuro do agronegócio em nosso país.

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