Petróleo cai perto da mínima de 4 semanas em negociações sobre Ucrânia e Irã


Os preços do petróleo caíram cerca de 1% na terça-feira, 3 de novembro, e fecharam nos menores níveis em quase quatro semanas. Investidores avaliaram as negociações para encerrar as guerras na Ucrânia e no Irã, enquanto ponderavam se os ataques recentes poderiam prejudicar ainda mais o abastecimento global.

O barril do Brent, referência internacional, recuou US$ 1,17, ou 1%, para US$ 103,60, menor fechamento desde 7 de outubro. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, perdeu 37 centavos e terminou a US$ 96,09, no nível mais baixo desde 14 de outubro.

Negociações com o Irã seguem sem acordo

Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou que os Estados Unidos e o Irã ainda estão longe de um acordo para encerrar a guerra entre os dois países. O Catar, que atua como mediador, intensificou os esforços para evitar uma escalada do conflito após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar disse que os dois países continuam comprometidos com a mediação e analisam propostas para superar suas divergências. O avanço nas conversas é acompanhado pelo mercado porque uma redução dos riscos de conflito pode aliviar a pressão sobre a oferta de petróleo.

Em nota, o banco ING afirmou que ainda é cedo para considerar superados os riscos de escalada, apesar dos sinais positivos nas negociações. A instituição avaliou que sinais fortes de progresso nas conversas de paz aumentariam a pressão de baixa sobre os preços do petróleo.

Durante a madrugada, os Estados Unidos realizaram ataques na ilha iraniana de Qeshm. Uma autoridade norte-americana disse que os alvos eram mísseis terra-ar usados contra alvos dos EUA. Outra autoridade dos Estados Unidos avaliou que os ataques pareceram limitados e não indicaram uma retomada de operações de combate em grande escala.

Eleição americana adiciona incerteza

O mercado também acompanha as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem definir se o Partido Republicano do presidente Donald Trump manterá o controle do Congresso durante o restante de seu segundo mandato. Pesquisas de opinião e analistas independentes esperam que os democratas conquistem a Câmara dos Deputados. O resultado para o Senado, por sua vez, permanece incerto.

A disputa política ocorre em meio às incertezas sobre a política externa e os conflitos que afetam o mercado de energia. A notícia de que Washington poderia suspender o financiamento a Israel também entrou no radar: Trump disse ter feito um acordo com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para interromper, após o fim deste ano, um financiamento de US$ 4 bilhões.

Estreito de Ormuz e rotas de petróleo

Além das negociações e dos ataques, o mercado considera os efeitos sobre as rotas de transporte. O bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz, ponto estratégico que liga o Golfo aos mercados mundiais, redesenhou os fluxos de energia e as prioridades de investimento em infraestrutura entre os produtores de petróleo da região.

Antes do bloqueio, cerca de 20% do abastecimento global de petróleo passava pelo estreito. A importância da rota ajuda a explicar os esforços para encontrar alternativas de transporte. Amin Nasser, presidente-executivo da petrolífera estatal saudita Aramco, afirmou que a empresa trabalha para expandir um oleoduto que contorna Ormuz.

As cotações encerraram o dia em queda apesar das preocupações com possíveis interrupções no abastecimento. A perspectiva de avanços diplomáticos pesou sobre os preços, enquanto os ataques e a situação no estreito mantiveram no centro das atenções o risco de novas perturbações nas rotas e na oferta de petróleo.

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