Estoques de óleo de palma da Malásia devem atingir recorde de 3,75 milhões de toneladas


Os estoques de óleo de palma da Malásia devem ter alcançado um recorde de 3,75 milhões de toneladas métricas em outubro, com alta de 6,8% em relação a setembro. A produção também teria atingido um novo pico, enquanto a recuperação das exportações não foi suficiente para compensar o volume produzido, segundo estimativa mediana de uma pesquisa divulgada na terça-feira.

Produção supera o recorde anterior

A estimativa de estoques foi calculada a partir das respostas de 11 operadores, produtores e analistas consultados pela Reuters. O volume projetado supera os 3,51 milhões de toneladas registrados em setembro e representa o sétimo aumento mensal consecutivo.

A produção de óleo de palma bruto, por sua vez, deve ter avançado 3,8% em outubro, para 2,2 milhões de toneladas métricas. O resultado ficaria acima do recorde anterior, de 2,12 milhões de toneladas, estabelecido em setembro. Se confirmado, será o quinto mês seguido de crescimento da produção.

Anilkumar Bagani, chefe de pesquisa da corretora de óleos vegetais Sunvin Group, com sede em Mumbai, afirmou que a produção ainda não havia apresentado queda em outubro e deveria superar o pico do mês anterior. Assim, o aumento da oferta continuaria sendo um fator relevante para a formação dos estoques malaios.

Exportações avançam, mas não absorvem a oferta

As exportações de produtos de óleo de palma são estimadas em 1,6 milhão de toneladas métricas em outubro, salto de 42,8% em relação ao mês anterior. O avanço interromperia duas quedas mensais consecutivas e levaria os embarques ao maior nível em um ano.

Apesar da recuperação, o crescimento das vendas externas não teria sido suficiente para reduzir os estoques diante dos grandes volumes acumulados. “O aumento nas exportações não conseguiu reduzir o estoque final devido aos grandes volumes acumulados”, disse Paramalingam Supramaniam, diretor da corretora Pelindung Bestari.

Bagani afirmou que as importações e o consumo interno estão, em grande parte, se equilibrando. Nesse quadro, produção e exportações são os principais fatores que determinam a variação dos estoques finais. Quando a produção supera o volume que sai do país ou é absorvido pelo mercado local, a diferença tende a permanecer armazenada.

Os dados projetados mostram, portanto, dois movimentos simultâneos: a demanda externa se recupera, mas a oferta também cresce. O aumento das exportações em outubro reduz parte da pressão sobre o mercado, mas não reverte a sequência de alta dos estoques, que já dura sete meses.

Clima pode afetar a produção em 2027

Supramaniam avalia que os estoques elevados podem persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. Segundo ele, um El Niño previsto para os próximos meses poderá provocar perturbações climáticas suficientes para reduzir a produção.

O fenômeno já trouxe tempo seco para grande parte da Ásia e deve se intensificar, o que pode limitar a produção de óleo de palma em 2027. A possível queda, porém, ainda está à frente: em outubro, a produção não mostrava sinais de recuo e era estimada em nível recorde.

Para o mercado, a perspectiva combina a continuidade de uma oferta abundante no curto prazo com a possibilidade de mudanças na produção mais adiante. Até o primeiro trimestre de 2027, os estoques projetados podem continuar elevados, enquanto o efeito do clima sobre a produção dependerá das perturbações previstas associadas ao El Niño.

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