As estimativas do mercado financeiro para o dólar subiram no Boletim Focus do Banco Central, no primeiro levantamento consolidado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mediana para a cotação no fim de 2026 passou de R$ 5,05 para R$ 5,34, enquanto as projeções para 2027, 2028 e 2029 também avançaram.
Dólar tem projeções maiores até 2029
Para o fim de 2026, a mediana das estimativas passou de R$ 5,05 para R$ 5,34. Há um mês, estava em R$ 5,20. Quando são consideradas apenas as 86 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a mediana subiu de R$ 5,00 para R$ 5,40. Esse recorte reúne estimativas mais recentes, que podem refletir com maior rapidez as novidades incorporadas pelos participantes do levantamento.
As previsões também aumentaram para os anos seguintes. A mediana para o dólar no fim de 2027 avançou de R$ 5,15 para R$ 5,40; quatro semanas antes, era de R$ 5,28. Para 2028, a estimativa subiu de R$ 5,20 para R$ 5,40, ante R$ 5,30 um mês antes. No caso de 2029, passou de R$ 5,28 para R$ 5,45, depois de marcar R$ 5,33 há um mês.
O Focus apresenta a projeção anual de câmbio com base na média da taxa em dezembro. Portanto, os números não correspondem necessariamente à cotação esperada para o último dia útil do ano. O critério atual substituiu, a partir de 2021, o cálculo anterior, que considerava justamente o valor projetado para esse dia.
Previsão de crescimento recua
Além do câmbio, o relatório mostrou redução nas estimativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede o valor dos bens e serviços produzidos no país. Para 2026, a mediana caiu de 1,80% para 1,76%. Um mês antes, estava em 1,85%. No recorte das 75 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a estimativa recuou de 1,78% para 1,70%.
Para 2027, a projeção mediana de crescimento da economia passou de 1,31% para 1,20%. Entre as 74 estimativas mais recentes, a mediana caiu de 1,24% para 1,00%. Assim, tanto no horizonte de 2026 quanto no de 2027, as previsões do levantamento ficaram menores em relação à semana anterior, com recuos também no grupo de projeções atualizadas recentemente.
Inflação e juros também sobem
A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial da inflação, avançou de 5,19% para 5,22% em 2026. O resultado está 0,72 ponto percentual acima da meta de 4,50% perseguida pelo Banco Central. Entre as 116 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a projeção também subiu, de 5,20% para 5,22%.
Para 2027, a expectativa mediana de inflação aumentou de 4,34% para 4,76%. Há um mês, estava em 4,30%. No grupo de 116 projeções recentes, a estimativa passou de 4,47% para 4,85%. Os números indicam que os participantes do levantamento elevaram suas previsões para a inflação nos dois anos considerados.
A estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, após permanecer estável por duas semanas. Considerando apenas as 108 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a mediana avançou de 13,25% para 13,75%. O levantamento, portanto, registrou revisões para cima nas expectativas de inflação e juros, enquanto as previsões de crescimento do PIB foram reduzidas.

