A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% preservou o Brasil na primeira posição entre os países com maior juro real do mundo. O indicador brasileiro chegou a 9,49%, segundo levantamento da MoneYou e da Lev Intelligence, que considera as projeções para juros e inflação nos 12 meses seguintes.
Brasil lidera em juro real
O juro real é calculado pela diferença entre a projeção da taxa Selic para os próximos 12 meses e a estimativa de inflação para o mesmo período. Com esse critério, o Brasil ficou à frente de Turquia, Argentina, Rússia e Colômbia no ranking internacional. O resultado indica que, entre os países comparados, a taxa brasileira permanece no topo quando se desconta a inflação esperada.
A posição do país não dependeria do resultado da reunião do Copom, de acordo com o levantamento. Antes da decisão, as estimativas apontavam três possibilidades: 50% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual, 45% de chance de manutenção e 5% de possibilidade de redução de 0,50 ponto percentual. Mesmo com qualquer uma dessas alternativas, o Brasil continuaria na liderança do ranking de juro real.
Um ponto percentual corresponde a um ponto inteiro na escala de uma taxa. Já um ponto percentual (p.p.) é a unidade usada para expressar a variação entre taxas. Assim, um corte de 0,25 p.p. representaria uma redução de um quarto de ponto na Selic, enquanto a hipótese de 0,50 p.p. corresponderia a uma queda de meio ponto.
Posição também é alta em termos nominais
O Brasil ocupa a quarta colocação no ranking de juros nominais, que considera as taxas sem descontar a inflação projetada. Nesse critério, o país está atrás de Turquia, Argentina e Rússia, mas à frente de Colômbia, África do Sul e México. A classificação nominal, portanto, difere da comparação em termos reais, na qual o Brasil aparece em primeiro lugar.
A distinção entre os dois indicadores ajuda a entender os rankings. A taxa nominal é o valor da taxa de juros observado sem ajuste pela inflação esperada. O juro real, por sua vez, considera essa projeção e permite comparar as taxas levando em conta a variação de preços prevista para o período. No levantamento, o cálculo do indicador real brasileiro parte da Selic projetada para os 12 meses seguintes e desconta a inflação estimada para o mesmo intervalo.
Cenário global influencia projeções
Jason Vieira, economista-chefe da MoneYou e da Lev Intelligence, relacionou mudanças nas projeções globais de inflação ao conflito entre Irã e Estados Unidos e aos preços. “O conflito Irã-EUA nos preços alterou a dinâmica das projeções globais de inflação para os próximos 12 meses e, ao mesmo tempo, continua a movimentar diversas posições no Ranking, dadas posturas mais conservadoras de autoridades monetárias, em meio à imponderabilidade dos eventos”, afirmou.
O levantamento também mostra que a maioria dos bancos centrais manteve os juros. Entre os 164 países analisados, 85,98% conservaram as taxas, 9,15% elevaram os juros e 4,88% fizeram cortes. Em um grupo específico de 40 países, 85% mantiveram as taxas, 10% aumentaram e 5% reduziram.
Os percentuais mostram que a manutenção foi a decisão predominante nos dois recortes apresentados. No grupo de 164 países, pouco mais de 14% alteraram os juros, somando aumentos e cortes. Já entre os 40 países do ranking, as mudanças também foram minoritárias. O levantamento atribui a movimentação das posições à evolução das projeções de inflação e à postura mais conservadora de autoridades monetárias diante do cenário global.

