Ibovespa tem pior semana desde 2020, e Vale (VALE3) sobe


O Ibovespa caiu 0,75% nesta sexta-feira (30), aos 167.921,80 pontos, em meio à turbulência provocada pelo resultado das eleições presidenciais e por dúvidas sobre a política fiscal. A Bolsa brasileira acumulou a quinta sessão consecutiva de perdas e encerrou a pior semana desde março de 2020.

O índice perdeu 1.264,62 pontos no pregão. Na semana, recuou 18,12%, a maior queda desde o início da pandemia. Em outubro, a baixa foi de 9,88%, o pior resultado mensal desde junho de 2022. A alta das ações de Vale e Petrobras não foi suficiente para reverter o movimento negativo.

Eleição e incertezas pressionam a Bolsa

O mercado começou a semana desmontando posições montadas antes do segundo turno presidencial. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam em uma mudança de governo. O resultado levou a um ajuste rápido nos preços dos ativos, em meio a questionamentos sobre as contas públicas e a composição da equipe econômica.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, relacionou a intensidade da queda ao reposicionamento dos investidores depois da eleição. Segundo ela, uma parcela expressiva do mercado estava preparada para a vitória de Flávio Bolsonaro e precisou ajustar as carteiras após o resultado das urnas.

Nossig avalia que a volatilidade pode continuar nas próximas semanas, enquanto os investidores aguardam definições sobre a política fiscal e os responsáveis pela condução da economia. O cenário externo também pesa: os juros seguem elevados nos Estados Unidos e há menor disposição dos investidores para assumir riscos.

Outro dado doméstico acompanhado pelo mercado foi a taxa de desemprego, que caiu a 5,2% no trimestre encerrado em setembro. Foi o menor nível para o período desde o início da série histórica, em 2012. A força do mercado de trabalho também mantém a atenção sobre a inflação e os juros.

Ações têm desempenhos distintos

As ações da Vale (VALE3) avançaram 3,28% após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Apesar das pressões sobre os custos de minério de ferro e níquel, o desempenho da divisão de cobre e a geração de caixa contribuíram para uma avaliação mais favorável dos resultados.

Petrobras (PETR4) subiu 0,98%, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. A PRIO (PRIO3) ganhou 1,45%. Entre as maiores quedas, Usiminas (USIM5) recuou 8,59% após apresentar resultados considerados fracos, e CSN (CSNA3) perdeu 8,49%.

Os grandes bancos também pressionaram o índice. Santander (SANB11) caiu 2,84%, Itaú (ITUB4) recuou 2,15% e Bradesco (BBDC4) perdeu 2,12%. Banco do Brasil (BBAS3) teve leve alta de 0,06%. Já a Hypera (HYPE3) terminou o dia em baixa de 1,16%, apesar de avaliações favoráveis de analistas sobre suas perspectivas.

Dólar sobe e juros futuros avançam

O dólar comercial fechou em alta de 1,05%, a R$ 5,444. Na semana, a moeda americana valorizou 9,15% em relação ao real, movimento associado à busca por proteção cambial e à revisão das expectativas para a economia brasileira.

Os juros futuros avançaram em toda a curva, refletindo preocupações com as contas públicas e a possibilidade de a taxa Selic permanecer elevada por mais tempo. Os juros futuros são taxas negociadas para períodos adiante e ajudam a expressar as expectativas do mercado sobre o custo do crédito.

Em Nova York, as bolsas terminaram a sexta-feira em forte queda, pressionadas por ações de tecnologia e por dúvidas sobre os custos crescentes dos investimentos em inteligência artificial. Os balanços de empresas como Amazon e Intel ampliaram as incertezas sobre os gastos com infraestrutura tecnológica e seus efeitos sobre a rentabilidade. O petróleo também subiu em meio às tensões no Oriente Médio, e o recuo das bolsas americanas reforçou a cautela entre investidores brasileiros.

Feriado e decisões marcam início de novembro

A B3 ficará fechada na segunda-feira (2), feriado de Finados, e retomará as negociações na terça-feira (3). Os horários de negociação também mudarão com o fim do horário de verão nos Estados Unidos, previsto para domingo (1º).

Na terça-feira, os americanos irão às urnas para as eleições de meio de mandato. Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciará a decisão sobre a Selic. No Brasil, os investidores também acompanharão as medidas fiscais e a definição da equipe econômica para o próximo mandato presidencial.

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