Ibovespa, dólar e juros movimentam o mercado nesta sexta-feira


As bolsas internacionais recuavam nesta sexta-feira (6), em meio à venda de ações de tecnologia e à preocupação de que o ciclo de investimentos em inteligência artificial (IA) perca força. No Brasil, investidores também acompanhavam a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos e as incertezas sobre a política econômica do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Quedas se espalham pela Ásia e pela Europa

Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam majoritariamente em baixa, pressionados pela onda de vendas de papéis de tecnologia que se espalhou pela região após perdas lideradas pela Nasdaq. O movimento alimentou receios sobre a força do boom da IA. Na China continental, a busca por oportunidades de compra e medidas de apoio ao mercado adotadas por Pequim ajudaram a limitar as perdas.

O Nikkei, do Japão, caiu 5,96%. O índice de Xangai recuou 1,10%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,27%. Na Austrália, o ASX 200 cedeu 0,49%. Na contramão, o Nifty 50, da Índia, subiu 1,11%.

Na Europa, as perdas também eram generalizadas. O índice STOXX 600 caía 1,71%, o DAX alemão recuava 2,14%, e o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 2,02%. O CAC 40, da França, baixava 1,71%, e o FTSE MIB, da Itália, recuava 1,20%.

Além das dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA, os investidores avaliavam a possibilidade de um Congresso dos Estados Unidos controlado pelos democratas propor restrições aos gastos com centros de dados do setor. Avaliações consideradas elevadas e investimentos financiados por dívida também estavam entre as preocupações que marcaram a semana.

Futuros dos EUA aguardam dados de emprego

Os contratos futuros dos principais índices americanos tinham desempenho misto antes da divulgação do relatório de emprego de outubro, conhecido como payroll. O Dow Jones futuro caía 0,93%, enquanto o S&P 500 futuro avançava 0,19% e o Nasdaq futuro subia 1,27%.

O Departamento do Trabalho dos EUA tinha a divulgação do relatório prevista para as 9h30. A estimativa de consenso da Reuters era de criação de 65 mil vagas fora do setor agrícola. A taxa de desemprego deveria permanecer em torno de 4,2%. Uma desaceleração do crescimento anual dos salários para menos de 3% — o que seria a primeira vez em quase cinco anos e meio — reforçaria a avaliação de que o mercado de trabalho não estaria pressionando a inflação.

Na sessão anterior, Wall Street teve fortes perdas. O Dow Jones caiu 3,44%, para 51.521,28 pontos; o S&P 500 recuou 4,36%, a 7.353,80 pontos; e o Nasdaq perdeu 5,52%, aos 24.314,99 pontos. A queda em ações de empresas de centros de dados e fabricantes de chips ocorreu em meio às dúvidas sobre as consequências políticas das eleições de meio de mandato e sobre o ciclo de investimentos em IA. Segundo o relato, a liquidação no setor de tecnologia eliminou quase US$ 3 trilhões em valor de mercado das empresas do S&P 500.

Tim Holland, diretor de investimentos da Orion, disse à CNBC que investidores de Wall Street estavam “se afastando até que tenham uma melhor compreensão das implicações das eleições de meio de mandato, especialmente no que diz respeito ao ciclo de investimentos em IA”. Ele afirmou que esse ciclo foi o maior impulso econômico dos últimos três anos e relacionou a cautela ao desempenho do partido vencedor nos níveis federal e estadual.

Ibovespa e dólar refletem cautela

O Ibovespa encerrou a quinta-feira (5) em queda de 0,82%, aos 166.191,45 pontos. Durante o pregão, o índice chegou a 168.994,33 pontos e marcou mínima de 166.189,74 pontos. O volume negociado foi de R$ 34,40 bilhões. Na semana, o principal índice da B3 acumulava baixa de 1,03%, mesmo percentual registrado em novembro. Em 2026, ainda subia 3,14%; no quarto trimestre, recuava 10,81%.

O dólar comercial fechou a sessão anterior em alta de 0,67%, cotado a R$ 5,489 para venda e R$ 5,488 para compra. A moeda oscilou entre a mínima de R$ 5,427 e a máxima de R$ 5,495. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante moedas de países desenvolvidos, avançou 0,02%, aos 101,54 pontos.

No mercado de juros futuros, as taxas fecharam com baixas predominantes. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), usados como referência para as expectativas de juros, recuaram nos vencimentos de 2028 a 2035. O contrato para 2027 foi exceção e subiu 0,042 ponto percentual, para 13,658%. O DI para 2029 caiu 0,105 ponto, a 14,680%.

Agenda econômica no Brasil

No cenário doméstico, permaneciam as apreensões sobre os rumos da política econômica do novo governo Lula. Na véspera, o presidente se reuniu com autoridades e conselheiros para discutir a agenda econômica e pediu que os ministros definissem medidas a serem validadas após sua viagem ao exterior, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Ibovespa futuro sobe à espera do payroll dos EUA em dia de cautela global

O Ibovespa Futuro subia no início dos negócios desta sexta-feira (6), enquanto investidores aguardavam a divulgação de dados de...

Quem leu, também se interessou